Problemas na entrega de sondas e seringas prejudica aposentado, em Porto Alegre - Notícias

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Seu problema é nosso02/05/2018 | 12h43Atualizada em 02/05/2018 | 12h43

Problemas na entrega de sondas e seringas prejudica aposentado, em Porto Alegre

Além de arcar com o custo dos materiais, Luiz tem o gasto com antibióticos e exames para saber se os remédios estão fazendo efeito no tratamento 

Problemas na entrega de sondas e seringas prejudica aposentado, em Porto Alegre Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
José tem problema no trato urinário Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

A mesa cheia de remédios e materiais para cuidar da saúde chama a atenção de quem chega na casa de José Luiz Macedo Lopes, 51 anos. Hoje, o motorista de ônibus aposentado por invalidez sofre as consequências de um problema que o acompanha desde 2002. 

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À época, Luiz passou a ter dificuldade para urinar e sentia dores na região pélvica — que eram mascaradas com analgésicos. 

Doença 

Em outubro de 2017, o aposentado passou por uma cirurgia na bexiga, e os médicos perceberam um problema. Luiz começou a fazer cateterismo intermitente, de quatro em quatro horas, pois tem o que é conhecido como bexiga neurogênica (incapacidade de controlar o ato de urinar devido a uma disfunção na bexiga ou esfíncter urinário). Assim, Luiz precisa retirar a urina do seu corpo. 

Para isso, ele faz o uso de 120 sondas, 30 unidades de lidocaína (anestésico) e 120 seringas descartáveis por mês, além de gazes, luvas e um líquido para higienização. Entretanto, ele nunca recebeu todo o insumo do município: 

— Eles me dão menos do que preciso. 

Consequências 

Quando está sem receber os materiais, Luiz acaba reutilizando os que já tem em casa. A esposa o auxilia, esterilizando as seringas com água quente, mas não é o suficiente: 

— Estou sempre com infecções urinárias. Neste ano, em três meses, já tive cinco. 

Além de arcar com o custo das seringas e da lidocaína, Luiz tem o gasto com antibióticos e exames para ver se os remédios estão fazendo efeito para tratar a infecção. Para tratar a bexiga neurogênica, o aposentado gasta cerca de R$ 800. Se o tratamento para a infecção for considerado, o valor aumenta para R$ 1 mil. 

— Eu tenho o direito de receber de graça, mas só dizem que está em falta. Então, a gente deixa de consumir alguma coisa, porque estamos apertados por causa da compra dos remédios — relata Luiz, que diz: 

— Eu sempre fui levando, tomando analgésicos. Mas aí, vi que não dava mais. 

SMS contesta número de itens 

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre informou que, conforme indica o sistema e-SUS, plataforma do Ministério da Saúde utilizada nos postos de saúde, Luiz recebeu os seguintes materiais em 23 de abril: sonda uretral de alívio número 12 (120 unidades), xilocaína gel (5 tubos) e seringas de 20ml (30 unidades). 

Ao contrário do que Luiz afirmou, que necessita de 120 seringas, a SMS argumenta que não há necessidade desse tipo de item quando é cateterismo intermitente, e que a xilocaína pode ser colocada diretamente na sonda, não sendo necessário colocar no meato urinário. 

A SMS salientou que a quantidade de material entregue foi inferior ao que indicava a receita de Luiz porque era muito acima do recomendado em normativa do Ministério da Saúde. No caso de Luiz, o órgão pediu que ele entre em contato com a Ouvidoria da Saúde. 

*Produção: Eduarda Endler 

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