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Opinião02/07/2018 | 12h12Atualizada em 02/07/2018 | 12h13

Gente do Diário: Cristiane, a professora

Coluna é escrita às segundas-feiras pelo editor-chefe do Diário Gaúcho, jornalista Diego Araujo

Gente do Diário: Cristiane, a professora Divulgação/Lobóticos
Professora Cristiane Pelisolli Cabral e seus alunos, da Vila Mapa Foto: Divulgação / Lobóticos

A professora Cristiane Pelisolli Cabral, 40 anos, coordena a equipe dos Lobóticos, o grupo de robótica da Escola Municipal Heitor Villa Lobos, da Vila Mapa, zona leste de Porto Alegre. Seu time foi premiado há 10 dias no Campeonato Mundial de Robótica em Montreal, no Canadá, notícia publicada no Diário no dia 25. Antes de ir, ela precisou trocar "os treinos" com a equipe para batalhar por patrocínio para garantir a viagem. Conseguiu. Agora, ela conta o que mudou na vida de seus alunos premiados. E da comunidade que os acolhe. 

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O que representou a premiação para os Lobóticos no Canadá?
Nem vou falar no prêmio. A experiência da viagem foi algo inesquecível para eles. Foi a primeira vez em que saíram do Brasil. Para isso, tiveram de providenciar documentação, passaporte, visto para os Estados Unidos. Tudo isso é aprendizado. Há o momento de passar na alfândega, entender o porquê do cuidado dos países no momento em que muitas pessoas querem entrar por lá. Chegando ao Canadá, há o comportamento, a educação, as questões culturais como o convívio com pessoas de outros países: os russos, por exemplo, não são tão abertos ao toque como nós brasileiros, e eles tiveram de entender isso. 

E o prêmio?
Foi a coroação de uma batalha, de uma dificuldade muito grande. Havia tensão, medo de não conseguirmos os recursos necessários para viajar. Eu me desgastei muito. No período em que eu devia estar com eles, aprimorando o robô, discutindo estratégia com os alunos, estava na rua buscando patrocínios, falando com empresas. Mas valeu muito a pena.

Como o sucesso dos Lobóticos mexe com os alunos que não fazem parte do projeto?
Os outros alunos se projetam nos que foram para o Canadá. Isso não acontece só com o pessoal da robótica. Temos uma orquestra que alcançou uma grande notoriedade e uma equipe de vôlei que coleciona títulos. Os alunos se tornam uma liderança positiva dentro do colégio, se sobressaem, se engrandecem. Passam a ser exemplos. Para a comunidade em geral, o que vejo ao caminhar por aqui é orgulho pelo feito, de pertencer a um grupo social que tem uma escola assim. 

E o efeito na professora Cristiane?
Sou pedagoga, tenho mestrado em robótica e doutorado em programação com crianças. Vejo esse trabalho como a certeza de que o caminho é por aí. É uma grande satisfação de propiciar essa experiência aos alunos, que nada mais é do que uma quebra total de paradigma para eles. O Brasil precisa investir mais. A gente conversou com pessoas de vários países, e todas as nações estão voltadas para isso. Não podemos ficar atrás.


 
 
 
 
 
 
 
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