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Piquetchê do DG 04/09/2018 | 07h00Atualizada em 04/09/2018 | 08h23

Conheça o grupo que leva o gauchismo para além das fronteiras

Em grupo de 25 cavaleiros, a Cavalgada da Paz reúne entusiastas da cultura gaúcha em passeios pelos cinco continentes

Conheça o grupo que leva o gauchismo para além das fronteiras Eduardo Rocha/Divulgação
Cavaleiros da Paz desbravam a Cordilheira dos Andes, na Argentina Foto: Eduardo Rocha / Divulgação
Carolina Lewis
Carolina Lewis

Para cerca de 25 cavaleiros, o tributo à tradição gaúcha não termina com a Semana Farroupilha nem se limita às fronteiras do Rio Grande do Sul. Assim que passarem os festejos, eles decidirão qual será o próximo destino dos Cavaleiros da Paz. Há 28 anos, o grupo realiza cavalgadas pelo mundo afora e já levou os costumes e o folclore gaúcho para 13 países, nos cinco continentes. 

Tudo começou quando tradicionalistas liderados pelo músico Nico Fagundes (falecido em 24 de junho de 2015) cavalgaram de Palmares do Sul a Tramandaí, caminho percorrido pelos lanchões de Garibaldi durante a Revolução Farroupilha. A iniciativa abriu brecha para que um amigo de Nico lançasse o desafio de reproduzir o trajeto da Guerra do Paraguai – como um gesto de desculpas aos paraguaios.

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– O Nico tinha uma capacidade enorme de reunir pessoas. Fomos atrás dele e, hoje, mesmo com sua ausência, continuamos firmes – relembra o compositor Elton Saldanha, que é um dos integrantes do grupo desde o início.

A viagem de cerca de 800 quilômetros marcou a primeira cavalgada internacional realizada por um grupo brasileiro. A aventura, que contou com a participação de 15 cavaleiros, teve duração de 16 dias e deu origem aos Cavaleiros da Paz.

Nico Fagundes durante viagem feita pelos Cavaleiros da Paz
Nico Fagundes foi um dos idealizadoresFoto: Eduardo Rocha / Divulgação

Paixão mobiliza

– Como a ideia era percorrer caminhos que foram cenários de guerra, onde tantos homens morreram, demos o nome de Cavalgada da Paz. Até para que não parecesse uma afronta aos paraguaios – relembra o dentista José Antonio Castro, também um dos fundadores. 

Hoje, é a paixão por andar a cavalo e conhecer novas culturas que motiva o grupo a continuar as aventuras que acabam por divulgar a tradição gaúcha para os quatro cantos do mundo.

Cavaleiros da Paz em viagem a Mongolia em 2014
Em viagem à Mongólia, em 2014Foto: Eduardo Rocha / Divulgação

Do Atlântico ao Pacífico

A terceira cavalgada do grupo, realizada entre janeiro e fevereiro de 1993, foi a maior até hoje. De Cidreira até Viña Del Mar, cidade litorânea do Chile, foram 2.700 quilômetros em 57 dias. Mas, para José Antonio, algumas aventuras foram mais marcantes por conta do contato com outras culturas.

– É claro que não dá para comparar. Essa do Atlântico ao Pacífico com certeza foi a mais significativa. Mas, imagina: na África do Sul, nós corremos ao lado de girafas e de outros animais, atravessamos rios montados em cavalos – comenta.

Embora haja muitas diferenças culturais, o tradicionalista garante que a relação com os cavalos é muito parecida com a do gaúcho e é o que aproxima os cavaleiros dos nativos. 

– O homem do campo é igual no mundo todo. Os animais são diferentes, mas o trato e os hábitos do homem são bem parecidos. 

Há até semelhanças com a vestimenta: calças largas e os chapéus. Com certeza, no final, é o amor à tradição e ao folclore que nos une – garante José Antonio. 

Elton Saldanha na cavalgada pela Columbia Britânica, no Canadá, com os Cavaleiros da Paz.
Elton Saldanha na Columbia Britânica, no CanadáFoto: Eduardo Rocha / Divulgação

Apenas uma mala de garupa

Para as viagens, não é necessária muita bagagem, mas um dos itens fundamentais é o bom humor. É logo no aeroporto que a descontração começa, com dança e cantoria de músicas nativistas.  

– Por onde passamos, chamamos a atenção e sempre somos muito bem recebidos. As pessoas acabam se encantando pela nossa cultura, e nós, pela deles. É uma troca de conhecimentos – admite Elton. 

A pilcha e a bandeira do Rio Grande do Sul, que vai sempre à frente, são itens obrigatórios. Poncho e capa também não podem faltar, como forma de proteção contra chuva e frio. 

Os destinos das viagens são escolhidos por sua importância histórica e decididos em conjunto pelo grupo, que se reúne duas ou três vezes ao mês. Portadores de documento que os identifica como “embaixadores da cultura do Rio Grande do Sul”, eles contam com o apoio dos consulados locais, que auxiliam no roteiro e no contato com os criadores locais dos cavalos utilizados nas andanças.

Os lanchões de Garibaldi

Este foi um episódio da Revolução Farroupilha no qual Giuseppe Garibaldi conduziu, por terra, duas lanchas entre o Rio Capivari e a Barra do Rio Tramandaí. Os barcos, Seival e Farroupilha, foram transportados em cima de carretas puxadas por centenas de bois. A travessia era parte da expedição pela Tomada de Laguna, cidade de Santa Catarina. 

 
 
 
 
 
 
 
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