Guaíba prepara espetáculo sobre Revolução Farroupilha - Notícias

Versão mobile

 

Piquetchê do DG01/09/2018 | 07h00Atualizada em 03/09/2018 | 14h19

Guaíba prepara espetáculo sobre Revolução Farroupilha

Apresentação será nos dias 6 e 7 de setembro no Parque da Juventude

Guaíba prepara espetáculo sobre Revolução Farroupilha André Ávila/Agencia RBS
Na peça, Fábio vive o líder farroupilha Gomes Jardim. Foto: André Ávila / Agencia RBS
Carolina Lewis
Carolina Lewis

Bem alinhados em cabides em uma pequena sala do Centro Cultural de Guaíba, figurinos de cores fortes e cortes requintados esperam por seus atores. As peças darão vida a personagens importantes da história do Rio Grande do Sul durante o espetáculo "Do Cipreste ao Piratini" _ que reconta os momentos que antecederam a Revolução Farroupilha. A apresentação será realizada nos dias 6 e 7 de setembro, no Parque da Juventude, dando início aos festejos farroupilhas na cidade de Guaíba.

Leia também:
Legado por Paixão Côrtes inspira tradicionalistas
Confira como está a montagem do Acampamento Farroupilha

Quando o técnico em agropecuária Fábio Santiago Malcorra, 39 anos, leu pela primeira vez o texto do espetáculo, não conseguiu conter a emoção: se arrepiou da cabeça aos pés. Natural de Rosário do Sul e morador de Guaíba há 14 anos, ele interpreta Gomes Jardim, um dos principais heróis da revolta.

_ Me encontrei nesta história. Se me convidassem para interpretar qualquer outro personagem, não teria o mesmo sabor. É uma viagem no tempo e tenho um enorme prazer em fazer parte _ revela Fábio, que é declamador de poesias tradicionalistas e mantém um programa na rádio online Regional Norte.

Ele conta que a entrega ao personagem é tão grande que, por vezes, acaba deixando passar o sotaque de Gomes Jardim mesmo fora de cena.

 GUAÍBA, RS, BRASIL, 31/08/2018 - Ensaio de apresentação farroupilha. (FOTOGRAFO: ANDRÉ ÁVILA / AGENCIA RBS)
Na peça, as tropas farroupilhas são identificadas por fardas azuis e, as imperais utilizam a cor vermelha.Foto: André Ávila / Agencia RBS

Nenhum dos 85 integrantes do elenco são atores profissionais, mas, sim, pessoas ligadas a entidades tradicionalistas da região. Mesmo acostumados com as apresentações de dança dos CTGs, foi com o espetáculo que muitos tiveram a primeira experiência no palco. É o caso do bancário Renan Marques, 28 anos, que há 12 anos participa do CTG Darcy Fagundes, em Guaíba. Ele atuará pela primeira vez como um dos soldados da tropa imperial que utiliza fardas da cor vermelha.

_ Sempre assisti da plateia, então, fazer parte deste espetáculo é um orgulho _ afirma.

Leia também:
Conheça a mulher que é a Guardiã da Chama Crioula

Ansioso, o marinheiro de primeira viagem conta que as cenas de batalha são as mais complicadas, pois exigem mais atenção para evitar acidentes. Renan contracena com Cris Pitam, que interpreta um dos soldados da tropa farroupilha _ identificados pela cor azul. Natural de Parobé, Cris iniciou no tradicionalismo ainda na escola, quando participava de um grupo danças gaúchas. Hoje, ele se divide entre as atividades de um CTG de Campo Bom, do qual faz parte, além de integrar o elenco do espetáculo em Guaíba há três anos.

Ao chegar para o ensaio geral realizado na noite da última quinta-feira no Centro Cultural de Guaíba, o músico tradicionalista Manity Oliveira ficou decepcionado por não ter sido avisado de que a reportagem estaria no local.

_ Se eu soubesse que vocês viriam, teria me preparado melhor, feito a barba e vindo à caráter. Assim é como eu ando todos os dias _ disse, apontando para o traje composto por bombacha, boina e lenço.

 GUAÍBA, RS, BRASIL, 31/08/2018 - Ensaio de apresentação farroupilha. (FOTOGRAFO: ANDRÉ ÁVILA / AGENCIA RBS)
O músico Manity Oliveira interpreta com orgulho Bento Gonçalves.Foto: André Ávila / Agencia RBS

Na peça, o tradicionalista nato interpreta Bento Gonçalves e encara o papel com orgulho.

_ É muito emocionante e interessante. Representar Bento Gonçalves é uma honra. Também é muito divertido e gratificante, pois todos nós aqui estamos aprendendo a atuar _ admite Manity.

"Do Cipreste ao Piratini" já está em sua terceira edição e tem servido como motor de aquecimento do turismo na cidade, de acordo com a secretária de Turismo, Desporto e Cultura, Cláudia Mara Rosa. Com o evento, as visitas ao Sítio Histórico da cidade, onde são realizadas exposições sobre a história do Rio Grande do Sul, tem aumentado. O local atrai turistas do Brasil e do mundo. 

_ A ideia do projeto foi consolidar a identidade de Guaíba como berço da Revolução Farroupilha e fazer as pessoas compreenderem a história. Hoje, ele se tornou uma peça de divulgação da cidade _ conta.

Roteirista da peça, o coreógrafo Rinaldo Souto de Oliveira, abraçou a ideia de Mara e se orgulha do espetáculo.

_ É fascinante transformar essas pessoas, moradores de Guaíba, em personagens históricos. É bonito de ver a entrega ao papel, eles mudam até o jeito de falar _ diz Rinaldo.

Espetáculo Do Cipreste ao Piratini
Já é o terceiro ano que a peça é apresentada em GuaíbaFoto: Guilherme Paixão / Divulgação

Em uma mistura de teatro e danças tradicionalistas, a peça é divida em três épocas. O ápice é o momento em que os revolucionários Gomes Jardim, Bento Gonçalves e Onofre Pires invadem o Palácio Piratini, em Porto Alegre, dando início à guerra civil mais longa da história do Brasil.

Mas, para Rinaldo, o momento mais marcante é a encenação da reunião maçônica, onde, no que reza a lenda, os heróis farroupilhas teriam planejado a tomada da capital. De acordo com o coreógrafo, é uma cena inédita no teatro e que precisou passar pela avaliação de autoridades da Maçonaria.

Entenda

/// Guaíba leva o título de berço da Guerra dos Farrapos, pois foi onde os heróis farroupilhas planejaram a revolução.

/// A Revolução Farroupilha foi a mais longa guerra civil da história brasileira, com duração de dez anos. Começou na noite de 20 de setembro de 1835, quando as tropas de Bento Gonçalves tomaram Porto Alegre, e terminou em 1º de março de 1945, com a assinatura do Tratado de Ponche Verde.

/// Uma das principais causas da revolução foi a alta cobrança de impostos em cima do charque e do couro, enquanto, no Uruguai, os produtos não eram taxados. A guerra foi uma tentativa dos donos de estâncias de separar o Rio Grande do Sul do Brasil Império, como forma de obterem mais autonomia econômica.

O espetáculo "Do Ciprestes ao Piratini"

/// Quando: 6 de setembro, às 20h30min, e 7 de setembro, às 19h
/// Onde: Parque da Juventude, em Guaíba
/// Entrada: um quilo de alimento não-perecível




 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca
clicRBS
Nova busca - outros