Idosa espera por cirurgia nas mãos há 12 anos, em Sapucaia do Sul  - Notícias

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Seu problema é nosso04/09/2018 | 09h23Atualizada em 06/09/2018 | 13h39

Idosa espera por cirurgia nas mãos há 12 anos, em Sapucaia do Sul 

Desde o início dos anos 2000, a dona de casa Iara Figueiredo sofre com dores e dormência nas duas mãos, braços e ombros, causadas pela síndrome do túnel do carpo

Idosa espera por cirurgia nas mãos há 12 anos, em Sapucaia do Sul  Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Iara aguarda por procedimento desde 2006 Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Desde o início dos anos 2000, a dona de casa Iara da Silva Figueiredo, 61 anos, sofre com dores e dormência nas duas mãos, braços e ombros. 

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Depois de lidar por alguns anos com o sofrimento, em 2006, a moradora de Sapucaia do Sul teve o encaminhamento para um cirurgião traumatologista, que iria fazer a cirurgia de túnel do carpo — descompressão do nervo mediano que passa no canal localizado no punho. Porém, até hoje, nada aconteceu. 

— Acabo tomando muito analgésico para aliviar a dor, mas não posso tomar direto, pois comecei a ficar com problemas no estômago e no fígado — conta Iara. 

Sem forças 

Nas simples tarefas do dia a dia, Iara perdeu a força. Desde que a situação se agravou, conta com o apoio do marido, o técnico em segurança do trabalho aposentado Geralcino dos Santos Figueiredo, 62 anos. 

— Para ela conseguir dormir, eu faço massagens nos lugares que doem e têm dormência. Os remédios funcionam na hora, mas não pode ser assim. A gente vai levando, mas sabemos que a solução é a cirurgia — relata o marido.

Dificuldade 

Nem mesmo a fisioterapia aliviou as dores nos punhos de Iara. Ela lembra que fez as sessões por um período, em uma clínica particular. Entretanto, não conseguiu pagar o valor para continuar o tratamento. A idosa conta que pediu pelo SUS, mas nunca teve um retorno. 

— São as pequenas coisas do dia a dia que a gente tem que eliminar. Eu sinto dor para comer, para segurar uma colher. É uma situação que só se agrava, e minha única esperança é a cirurgia — lamenta Iara.

Desesperado pela demora, Geralcino buscou a Secretaria de Saúde (SMS) da sua cidade inúmeras vezes, que afirmava que a fila de espera é grande. O marido lembra que, nestes últimos 12 anos, não houve nenhum novo encaminhamento ou consulta realizada. Sem muita expectativa e fazendo o possível para suportar a dor, Iara questiona: 

— Será que um dia irão me chamar?

Primeiro encaminhamento foi feito em 2006Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG

Município desconhecia documento

A Secretaria Estadual de Saúde (SES) do Rio Grande do Sul afirmou que não houve encaminhamento de Iara no Gercon — sistema de regulação de consultas especializadas do SUS nos últimos 12 anos. 

A Secretaria Municipal de Saúde de Porto Alegre, citada no documento por meio da Central de Marcações SUS de Porto Alegre, afirmou que também não há nenhum registro de Iara. 

A SMS de Sapucaia do Sul não soube explicar a existência do documento enviado por Iara, ressaltando que não há registro de 2006, apenas a partir de 2009. Dessa forma, a administração municipal não sabe informar o que houve na época em que o documento foi entregue. 

Um novo pedido de cirurgião traumatologista foi protocolado para Iara. Esta solicitação será despachada à regulação do Estado no próximo mês, pois as cirurgias referentes ao mês de setembro já foram encaminhadas. 

Questionado sobre a previsão de cirurgia e o tempo de espera comum para o procedimento, o município disse não ter o controle sobre essa informação, já que depende da SES — que, por sua vez, ainda não recebeu o pedido. 

*Produção: Eduarda Endler

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