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Seu problema é nosso31/08/2018 | 09h54Atualizada em 31/08/2018 | 09h54

Com braço fraturado, idosa aguarda por cirurgia desde 2014, em Gravataí

Em outubro de 2014, Luzia Teixeira tropeçou no meio-fio da calçada e caiu sobre o braço, ocasionando a fratura do úmero direito

Com braço fraturado, idosa aguarda por cirurgia desde 2014, em Gravataí Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Luzia usa tala improvisada Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

No dia 8 de outubro de 2014, a secretária aposentada Luzia Saldanha Teixeira, 64 anos, tropeçou no meio-fio da calçada e caiu sobre o braço, ocasionando a fratura do úmero direito — osso que articula com a escápula, no ombro. 

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No mesmo dia, a idosa soube que o caso só poderia ser resolvido com cirurgia, segundo o diagnóstico feito na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Gravataí. Entretanto, desde lá, nada aconteceu. Luzia continua com o braço direito quebrado, podendo usar somente o esquerdo para desenvolver as poucas atividades que consegue, com o apoio de uma tipoia improvisada. 

— Eu não consigo lavar louça e roupa, muito menos limpar a casa. Preciso pedir para alguém fazer a faxina. Comida? Só de fora. Meu marido se tornou o braço direito na minha rotina — conta Luzia.

Caminho 

Luzia conta que, devido à demora da Secretaria Municipal de Saúde de Gravataí em chamá-la para cirurgia, pediu que um advogado cuidasse do seu caso. Na Justiça, seu caso foi tratado como "não urgente".

O argumento para isso é de que o laudo não menciona motivos para que o procedimento cirúrgico seja feito de forma emergencial. 

— Algum tempo depois, me chamaram para uma consulta no Hospital João Dom Becker. O médico que atendeu viu Luzia usa tala improvisada o horror do meu caso — lembra Luzia.

A partir da consulta, a idosa foi encaminhada para o Hospital Universitário da Ulbra, em Canoas, onde está na fila de espera para o procedimento. 

— A Ulbra me chama, eu faço os exames e aguardo pela cirurgia. Quando vê, eles vencem e ainda não me chamaram, então preciso refazê-los. Isso já aconteceu duas vezes — relata. 

Raio X mostra fraturaFoto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG

Os últimos exames foram realizados em 22 de maio e, desde lá, Luzia aguarda. Antes, foram realizados no dia 8 de novembro de 2017. Em ambos, a idosa foi considerada apta para realizar a cirurgia, pois não havia alterações.

— Não sinto dor no braço, especificamente, mas tenho dores no ombro e nas costas — relata. 

Para completar a renda, Luzia trabalha sem registro, porém, desde a fratura, só consegue usar o braço esquerdo. 

— Logo, fiquei um tempo afastada. O pessoal não quer contratar por causa do braço — afirma. 

Consulta está marcada para esta sexta 

O Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), responsável pelo HU, afirmou que Luzia aguarda cirurgia com um especialista em ombro, que solicitou liberação para agendamento do procedimento. 

Hoje, às 13h30min, ela passará por avaliação clínica e, no dia 5 de setembro, Luzia tem consulta marcada com o especialista para a definição da conduta. Apesar disso, o Gamp não soube dar um prazo para a cirurgia, mas explicou que o HU está "agilizando os atendimentos para que a fila de espera seja zerada o quanto antes".

Além disso, ressaltou que Canoas atende a 158 cidades, o que representa 44% dos municípios do Rio Grande do Sul. Assim, a fila de espera para operações é bastante extensa. 

A prefeitura de Gravataí, questionada sobre o motivo de não realizar a cirurgia de Luzia no Hospital Dom João Becker, informou que não seria possível responder aos questionamentos feitos pela reportagem dentro do prazo estabelecido — ou seja, o início da tarde de ontem.

*Produção: Eduarda Endler

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