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Voluntariado17/11/2018 | 07h00Atualizada em 17/11/2018 | 07h00

A solidariedade tem passe livre em ônibus de Porto Alegre

Cobradores, motoristas e fiscais do transporte público da Capital criaram o grupo Sementinha do Bem para ajudar a quem precisa

A solidariedade tem passe livre em ônibus de Porto Alegre Félix Zucco/Agencia RBS
Cobradores ajudam moradores de zonas periféricas por onde as linhas circulam Foto: Félix Zucco / Agencia RBS

– A gente faz o que pode por qualquer pessoa que esteja precisando.

É assim que a cobradora de ônibus Clair Flores de Souza, 46 anos, de Viamão, define o trabalho do grupo Sementinha do Bem, que existe há quatro anos. São 20 voluntários, entre cobradores, motoristas e fiscais de ônibus da Capital, da empresa Sudeste, que se unem para ajudar quem precisa – principalmente moradores de zonas periféricas por onde as linhas circulam.

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– A gente vê os problemas das comunidades. Com este trabalho, somos bem recebidos por onde passamos e enxergamos isso também como uma forma de nos aproximar dos passageiros – diz Clair.

Tudo começou quando a cobradora, que já havia participado de outras ações sociais antes de trabalhar no transporte público, soube que o irmão de uma conhecida precisava de fraldas geriátricas após um acidente. 

– Falei com o pessoal da linha em que eu trabalhava na época e conseguimos ajudar o rapaz com as fraldas e com várias outras coisas. Depois disso, pensei: por que não ampliar a solidariedade para outras linhas? – conta ela.

Desde então, o grupo promove em média duas ações por ano. Eles já visitaram asilos, promoveram festas em creches e ajudaram colegas ou passageiros que estavam passando por dificuldades.

Pelas crianças

A próxima empreitada está marcada para o dia 8 de dezembro: uma festa de Natal para 70 crianças de uma creche comunitária.

– Cada uma delas escreveu uma carta pedindo um presente. Conseguimos mobilizar outras pessoas e todas as cartas foram adotadas em menos de uma semana – diz Clair, orgulhosa.

No grupo há dois anos, o motorista André Luis Moreira, 39 anos, do bairro São José, na Capital, começou timidamente.

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– Pedi para ser incluído no grupo de WhatsApp onde as ações eram planejadas e nunca mais saí. Espero ajudar ainda mais – diz.

André está ansioso pela ação de dezembro, que será a terceira que ele participa. Principalmente por envolver crianças.

– Na minha infância, passei por muitas dificuldades. Ajudar os pequenos é uma oportunidade de fazer pelos outros o que ninguém fez por mim – revela ele, que completa:

– Para as crianças, gesto pequeno já é gigante. Não tem dinheiro que pague ver a felicidade deles.

Espírito de Natal

Além dos presentes, a festa vai ter comes, bebes e brinquedos, como cama elástica, para a gurizada aproveitar. Tudo garantido por meio de doações dos integrantes do Sementinha do Bem e com empresas parceiras após a divulgação pelas redes sociais. 

Os profissionais dividem as tarefas e cada um ajuda como pode, seja doando dinheiro ou seu tempo livre para providenciar o que for necessário. A Sudeste, que apoia o grupo, cede ônibus para transportar os voluntários e as doações no dia da festa. O motorista André resume o clima do grupo:

– Vai ser ainda mais especial por envolver o espírito do Natal. Se eu soubesse o quanto é gratificante, já teria participado antes. 

 
 
 
 
 
 
 
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