Moradora de Viamão busca há cinco anos tratamento para ruptura de ligamento do joelho - Notícias

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Seu problema é nosso09/11/2018 | 09h43Atualizada em 09/11/2018 | 09h43

Moradora de Viamão busca há cinco anos tratamento para ruptura de ligamento do joelho

Desde 2013, Maria busca atendimento no Sus, sem conseguir resolver seu problema. Começou a jornada em Viamão, onde mora. Depois, passou por Alvorada, Canoas e, atualmente, faz acompanhamento em Porto Alegre

Moradora de Viamão busca há cinco anos tratamento para ruptura de ligamento do joelho Arquivo Pessoal / Leitor/DG/Leitor/DG
Atualmente, muletas e joelheiras são necessárias para Maria poder caminhar Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG / Leitor/DG

Incerteza. A palavra define o destino da diarista Maria de Lourdes Rodrigues de Almeida, 51 anos. Em auxílio-doença concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ela passa os dias em casa lidando com a dor causada pelo rompimento do ligamento cruzado posterior do seu joelho esquerdo. 

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Desde 2013, Maria busca atendimento na rede pública, sem conseguir resolver seu problema. Começou a jornada sendo tratada em Viamão, onde mora. Depois, passou por Alvorada, Canoas e, atualmente, faz acompanhamento médico em Porto Alegre, no Hospital de Clínicas (HCPA). Entretanto, ainda não sabe quando e se passará por uma cirurgia para corrigir o problema. 

— É tudo incerto, vou de um médico para o outro. De uma cidade para a outra. E não recebo nenhuma previsão de ser encaminhada para cirurgia — relata a moradora do bairro Passo do Vigário, em Viamão. 

Encaminhamentos 

Entre exames e consultas, Maria acumula uma pilha de papeis em casa. Nos diagnósticos conferidos por especialistas de diferentes clínicas, hospitais e municípios, a ruptura do ligamento é o diagnóstico padrão. Entretanto, mesmo com os laudos, novas consultas seguem sendo marcadas, principalmente em função da mudança de cidades. 

— Pouco tempo depois de ser encaminhada de Viamão para Alvorada, disseram que teria de seguir o tratamento em Canoas. Somente lá, encontraria os especialistas necessários para o meu caso, o que não aconteceu. Em Canoas, me mandaram retornar para o meu município de origem, e precisei pedir um novo encaminhamento no posto de saúde. Foi aí que me mandaram para Porto Alegre. E então, desde o começo deste ano, estou consultando no (Hospital de) Clínicas — recorda ela. 

Maria já foi atendida em Viamão (em cima, à esquerda), em Canoas (em cima, à direita), em Alvorada (embaixo, à esquerda), e, atualmente, faz tratamento no Hospital de Clínicas, em Porto Alegre (embaixo, à direita)Foto: Arquivo Pessoal / Leitor/DG

Especialistas

Para passar pela cirurgia, Maria conta que foi informada de que precisaria de laudos de um ortopedista especializado em joelho, um traumatologista, um reumatologista e um neurologista. 

O traumatologista a acompanha desde o início do ano no HCPA. A consulta mais recente foi em 10 de outubro. O atendimento com ortopedista já ocorreu, também no Clínicas. O próximo está marcado para a próxima quarta-feira, com um reumatologista, conforme conta. Somente o agendamento com o neurologista ainda não tem previsão. 

— Fui informada que, consulta com neurologista, só para o ano que vem — diz Maria. 

A espera dela se arrasta desde 2013 — quando começou a ser encaminhada de uma cidade para outra —, mas as dores incomodam a moradora de Viamão há pelo menos dez anos. Porém, foi só quando a rotina do trabalho como diarista começou a ser atrapalhada por tombos mais constantes que ela procurou ajuda. Logo, a dor no joelho afetou seu caminhar. 

Maria ainda acredita que a demora de uma ação mais efetiva do sistema público em tratar do seu caso piorou a situação. Com a evolução do problema no joelho nos últimos anos, a diarista precisou agregar à sua rotina o uso de muletas e joelheiras. 

— É horrível, não consigo mais caminhar sem as muletas. E, mesmo assim, ando de uma maneira torta, parece até que estou bêbada — desabafa Maria. 

Informações desencontradas e ainda sem previsão de realizar cirurgia 

Não é só Maria que acaba sendo encaminhada de uma cidade para outra em busca de respostas. O Diário foi informado que o último atendimento da diarista registrado no sistema da prefeitura de Viamão foi em março deste ano. 

Segundo a assessoria de imprensa do município, ela foi atendida por um ortopedista, no Hospital de Clínicas. O dado, desatualizado, é diferente dos agendamentos apresentados por Maria, que comprovam que ela já passou por várias consultas depois dessa data. 

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre, onde fica o HCPA, informou, em nota, "que pacientes de fora da Capital são regulados pela Central Estadual de Regulação" – órgão que faz parte da Secretaria Estadual da Saúde (SES- RS). Em comunicado, a SES-RS não se pronunciou sobre o caso. Apenas sugeriu que o jornal "procurasse a explicação diretamente com o Hospital de Clínicas".

Procurado, o hospital onde a diarista é atendida atualmente explicou que não pode passar informações sobre a situação da moradora de Viamão, pois isto "infringe o sigilo entre médico e paciente". A orientação do HCPA é que a própria paciente procure o hospital para se informar. 

Por fim, questionada sobre o motivo de não poder prestar o atendimento de Maria na cidade onde mora, a prefeitura de Viamão disse, em nota, que "não tem hospital de alta complexidade para atender a especialidade que a diarista necessita, e que estes encaminhamentos devem ser feitos através da SES- RS".

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