Educandário São João Batista faz campanha para não fechar as portas, na zona sul de Porto Alegre - Notícias

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Seu Problema é Nosso11/12/2018 | 10h42Atualizada em 11/12/2018 | 10h42

Educandário São João Batista faz campanha para não fechar as portas, na zona sul de Porto Alegre

No momento, 180 crianças de 13 municípios do Rio Grande do Sul têm atendimento médico, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia, todas promovidas de graça para aquelas famílias que possuem renda até três salários mínimos

Educandário São João Batista faz campanha para não fechar as portas, na zona sul de Porto Alegre Júlio Cordeiro / Agencia RBS/Agencia RBS
Renan Souza Soares, dois anos e sete meses, está no Educandário há um ano Foto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS / Agencia RBS

— Nos 80 anos do Educandário, ano que vem, pretendemos estar de portas abertas e, para isso, precisamos de todo tipo de ajuda.

A frase, que emociona quem conhece o trabalho do Educandário São João Batista, localizado no bairro Ipanema, na zona sul de Porto Alegre, é da presidente de entidade, Eveline Streck. Há 12 anos, ela vem lutando para que a instituição filantrópica continue atendendo crianças e adolescentes com deficiências físicas. 

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No momento, 180 crianças de 13 municípios do Rio Grande do Sul têm atendimento médico, fisioterapia, fonoaudiologia e terapia, todas promovidas de graça para aquelas famílias que possuem renda até três salários mínimos (R$ 2.862). E funciona também, no local, uma escola que atende 34 crianças entre primeira e quarta série do Ensino Fundamental. 

As crianças atendidas ficam na instituição até os 21 anos. Além dos atendimentos médicos, há ainda a sala de Atividade da Vida Diária, em que as crianças aprendem tarefas que podem parecer simples, mas são um grande avanço para a vida deles.

Eveline tem esperança de que as portas do Educandário não se fechemFoto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

— Nos 21 anos já é um adulto, então tem mais liberdade. E, com isso, pode aprender a colocar uma fronha no travesseiro, arrumar a cama, pegar uma faca e descascar uma fruta — conta Eveline.

O Educandário é mantido com doações de pessoas físicas e jurídicas, além de trabalho voluntário. E, para continuar, precisa de apoio da sociedade. 

Verba

Para pagar os 38 funcionários e as despesas, como luz e água, a instituição precisa de R$ 100 mil por mês. A presidente do Educandário relata que o Conselho Municipal de Assistência Social de Porto Alegre tem convênio PCD (Pessoas com Deficiência), com recursos do Fundo Municipal de Assistência Social, com o pagamento de R$ 10.101,98 para 22 metas (crianças atendidas). Já o Fundo Nacional de Assistência Social, pela Ação ContinuadaPPD (Pessoas com Deficiência), tem pagamento do valor de R$ 4.650 para 80 metas.

— Eu não ganho nada para dirigir a casa. A gente se doa. Quem ganha são os funcionários — conta Eveline.

Fisioterapeuta trabalha com estimulação precoceFoto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Além dos funcionários e a diretoria, voluntários ajudam a manter a casa. Entre eles, estão as mães das crianças e adolescentes que são atendidos pelo Educandário.

Jornada dupla no Educandário

Leonardo Zomer, 12 anos, que sofre de Distrofia de Duchenne — distúrbio hereditário de fraqueza muscular progressiva, que ocorre geralmente em meninos —, está no Educandário desde 2013. Com os pais, Jaqueline Palácios, 37 anos, e José Emílio Zomer, 41 anos, o menino sai de Cachoeirinha de manhã cedo para ter atendimento na instituição. Enquanto o horário não chega, pais e filho ajudam a casa.

Jaqueline, José e Leonardo aguardam pelo atendimentoFoto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

— Todo o atendimento que tem é aqui, e ele gosta. Enquanto está aqui, nós aproveitamos e separamos as tampinhas, que são vendidas. O valor é revertido para as crianças — diz a mãe.

O pai de Leonardo conta que o Educandário se transformou em um lar para a família:

— Estávamos quase com depressão. Ficar só em casa, tu acabas prejudicando não só o teu filho, mas todo mundo.

"Aqui, a gente se sente em casa"

Mãe do pequeno Renan Souza Soares, dois anos e sete meses, a técnica de enfermagem Débora Rosângela Couto de Souza, 36 anos, leva o filho para fazer estimulação precoce no Educandário há mais de um ano. O bebê nasceu com mielomeningocele, uma malformação congênita da coluna vertebral da criança em que as meninges, a medula e as raízes nervosas estão expostas. 

Débora enxerga no Educandário uma forma de melhorar o futuro de RenanFoto: Júlio Cordeiro / Agencia RBS

Com a fisioterapeuta Juliana Cristofari, o menino dá risadas e caminha pelos corredores da instituição.

— Aqui, eles trabalham com a criança até os 21 anos. Então tu alcança um objetivo e vai para o próximo. Isso é importante para ele, que ele vai crescer aqui e não irá parar de evoluir. Aqui, a gente se sente em casa — relata Débora.

Como ajudar

Doação na vaquinha online.

Depósito bancário no Banrisul (agência 0085, conta corrente 06.031.666.0-6, CNPJ 92967702/0001-67) ou na Caixa (agência 0958, operação 003 e conta corrente 4662, pelo mesmo CNPJ). 

Doação de roupas, móveis, alimentos perecíveis, alimentos não perecíveis, brinquedos, entre outros, na instituição, localizada na Rua Tenente-Coronel Mario Doernte, 200, bairro Ipanema, em Porto Alegre.

Junte tampinhas de garrafas pet e entregue no Educandário. Elas são vendidas, e o valor é revertido para as crianças e adolescentes com deficiência.

Seja um voluntário. Ligue para (51) 3246-5655 e agende um horário para visita.

Produção: Eduarda Endler

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