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Piquetchê do DG11/02/2019 | 08h00Atualizada em 11/02/2019 | 08h00

Conheça o guasqueiro: profissional que produz artigos em couro

Ofício é antigo no Rio Grande do Sul, mas pouco difundido

Conheça o guasqueiro: profissional que produz artigos em couro Mateus Bruxel/Agencia RBS
Fabricio trabalha 14 horas por dia na fábrica que mantém em casa Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

De mãos muito habilidosas e olhar extremamente detalhista nasce uma importante profissão que, apesar de muito antiga, é pouco difundida no Rio Grande do Sul: o guasqueiro. Você já ouviu falar? Sabe o que ele faz? Guasqueiro vem da palavra “guasca”, que é uma tira ou correia de couro cru usada para produzir peças para equitação, encilhas e indumentária gaúcha. Um trabalho artesanal, meticuloso, que Fabricio Ferreira dos Passos, 42 anos, conhece muito bem. 

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Fabricio aprendeu o ofício aos 11 anos com o padastro Ilmarino, hoje aposentado. Lembra que, na época, queria ganhar um cavalo, mas não tinha condições de comprar.

— Então meu padastro me disse que, talvez, eu não poderia ter o cavalo. Mas que eu poderia ter uma profissão, e começou a me ensinar — recorda.

Desde então, apesar de se aventurar em outras áreas, como a criação de cães, nunca quis deixar de lado a técnica, à qual se dedica há 31 anos. 

O guasqueiro conta que trabalha de domingo a domingo, 14 horas por dia, produzindo bainhas de faca, rédeas, cabrestos, maneias, travessões, selas, chaveiros, cintos e muito mais em uma pequena sala da propriedade em que vive na Estrada do Cantagalo, em Viamão.

Conseguiu aperfeiçoar o método com a prática de anos e a ajuda de outros profissionais. O que produz, atualmente, é vendido para todo Brasil pelo Facebook, diretamente para empresas ou com a ajuda de vendedores terceirizados.

 VIAMÃO, RS, BRASIL, 05-02-2019: O guasqueiro Fabrício Ferreira dos Passos, 42 anos, durante a produção de bainhas para faca na propriedade onde mora, em Viamão. Ele trabalha há 31 anos como guasqueiro e concede entrevista sobre a profissão. (Foto: Mateus Bruxel / Agência RBS)
As bainhas de faca são os produtos mais vendidosFoto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

Preservar é preciso

Para não deixar a arte morrer, Fabricio ensinou a esposa Elisangela, 32, e os filhos Natasha, 13, Cristian, 10, e Evelyn, oito, a produção de alguns artigos. Costuma dar cursos quando é convidado e promover outros.

— Vejo que a falta de interesse na profissão se deve ao avanço tecnológico. Quem costuma procurar mais pelos cursos mora no interior do Estado, mas não, necessariamente, são pessoas que querem trabalhar com isso. Alguns querem aprender por hobby — define.

Preservar a atividade e defender a tradição gaúcha é o grande desejo de Fabricio. Pensamento compartilhado por muitos que admiram esses profissionais.

— Existe uma demanda por produtos artesanais, porque são diferenciados. É um trabalho que exige aprimoramento, complexidade e precisa ser valorizado. Oferecer ao cliente uma faca artesanal com uma bainha feita à mão, por exemplo, faz a diferença para o consumidor — destaca Cristiano D’ Ávila, proprietário de uma cutelaria em Tapes, interior do Estado, e cliente de Fabricio.

Passo a passo

Tudo começa com o preparo do couro, que precisa ser removido do animal, esticado, seco e amaciado. No verão, com clima favorável, leva até dois dias para tê-lo em condições. Mas no inverno, esse prazo pode chegar a até 15 dias. 

Daí, do pedaço de matéria-prima, surgem peças com as mais diversas finalidades, que precisam ser cortadas, moldadas, furadas e costuradas. O ofício é bem artesanal, mas se apoia também na tecnologia.

— Se eu vender todas as minhas máquinas hoje, não tem problema, faço tudo manualmente. Mas elas me dão mais conforto e agilidade — revela.

A principal diferença entre o trabalho do guasqueiro e do feito em um curtume, por exemplo, está na origem da matéria-prima e no processo de produção.

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