Paixão pela dança também pode ser profissão: conheça o trabalho dos instrutores - Notícias

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Piquetchê do DG25/03/2019 | 16h55Atualizada em 25/03/2019 | 16h55

Paixão pela dança também pode ser profissão: conheça o trabalho dos instrutores

Profissionais podem trabalhar em invernadas de CTGs ou oferecer cursos para os interessados

Paixão pela dança também pode ser profissão: conheça o trabalho dos instrutores Deivis Bueno/Divulgação
Emerson orienta invernadas artísticas pelo Estado Foto: Deivis Bueno / Divulgação

Emerson Ribeiro, de Gravataí, hoje com 44 anos, chegou a terminar o curso de Eletrotécnica, mas nunca exerceu a profissão. Quando formou-se, o tradicionalismo já fazia parte da sua vida. Em 1996, começou a trabalhar como instrutor de danças tradicionais no CTG Rancho da Saudade, em Cachoeirinha, no qual segue até hoje.  

– Iniciei no grupo juvenil e, pouco tempo depois, já era instrutor do grupo adulto – conta ele.

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Por atualmente ensaiar somente invernadas adultas, com pessoas entre os 15 e os 35 anos, em média, o trabalho de Emerson não é, exatamente, ensinar a dançar. Seus alunos pretendem, geralmente, aperfeiçoar os passos para competir em rodeios e festivais. 

– Trabalho a execução das coreografias, os passos e a interpretação artística, que envolve o cantar, a expressão corporal, a relação com o par... – diz. 

Com o Rancho, Emerson ensaia nas quintas-feiras e domingos. Nos outros dias, viaja pelo Rio Grande do Sul – e até por outros Estados, às vezes.

– Atualmente, tenho mais ou menos 200 alunos. Duas vezes por mês vou a Pelotas. Todas as terças, estou em Santa Maria. De lá, também a cada 15 dias, vou para Uruguaiana. Aos sábados, ensaio um CTG em Canoas. Tudo isso fora os trabalhos que realizo eventualmente em outras cidades – enumera Emerson.

Satisfação

A rotina, obviamente, é puxada: Emerson só tem folgas garantidas nas segundas-feiras. Mas a paixão pelas danças tradicionais faz o trabalho ser gratificante:

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– Geralmente, dentro de um CTG, o ambiente é familiar. As pessoas me acolhem, eu acabo criando vínculos. Chego a trabalhar cinco, sete anos com um grupo. Vê-los se apresentando dá uma sensação de satisfação. 

Por falar em apresentação, todos os grupos que ensaiam com Emerson têm um mesmo objetivo, o Encontro de Artes e Tradições Gaúchas (Enart), mais importante competição para invernadas tradicionalistas. Quando o grande dia chega, não tem jeito: o coração do instrutor precisa se dividir entre os alunos.

– É claro que existe competição e também profissionalismo. Mas, na hora do resultado, eu geralmente estou em um cantinho, assistindo. Eles são todos como filhos – conta.

Para fazer bonito em todos os bailes

Já o trabalho de Marcelo Mello de Borba, 42 anos, e da mulher dele, Luciana Soares da Silva, 41 anos, como instrutores de dança surgiu da participação deles em bailes por Porto Alegre, onde moram. 

Foto do casal de instrutores de dança Marcelo e Luciana, de Porto Alegre, para o Piquetchê de 22/3/2019
Luciana e Marcelo dão cursos de fandangoFoto: Karina Cabral / Divulgação

– Tínhamos um grupo de amigos que frequentava vários CTGs. Em 2011, começamos perceber que faltavam instrutores de dança. Decidimos, então, dar aulas – conta Marcelo.

Daí surgiu a Academia de Danças Gaúchas Laços de Amizade, que oferece cursos de fandango em dois módulos: básico e de aperfeiçoamento. São trabalhados nove ritmos de baile: vanera, bugio, milonga, chamamé, xote, rancheira, valsa, polonaise e contrapasso. Cada módulo dura entre dois e três meses e, ao final, a formatura ocorre com um baile. 

A academia não tem sede, então, os professores vão até clubes e CTGs. A ideia deu tão certo que o casal passou a não dar conta da demanda.

– Nós dois trabalhamos (Marcelo é representante comercial, e Luciana é assessora de saúde bucal). Dar aulas seis noites por semana estava puxado, então, treinamos outro casal, que trabalha desde 2017 – conta ele.

Inclusão

Marcelo e Luciana estimam que cerca de 3 mil pessoas já passaram pelos cursos. O que não faltam são boas histórias sobre o trabalho. A que mais marcou o instrutor, porém, é bem recente. Em janeiro, formou-se a primeira turma que incluía pessoas cegas.

– Um dos alunos me disse que fazer o curso foi como voltar à vida. Ele era uma pessoa de poucas amizades, e viu no grupo uma nova família. Isso não tem preço – finaliza Marcelo.

 
 
 
 
 
 
 
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