Há mais de um ano, morador de Canoas sofre com a demora para cirurgia  - Notícias

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Seu Problema é Nosso17/07/2019 | 09h23Atualizada em 17/07/2019 | 09h23

Há mais de um ano, morador de Canoas sofre com a demora para cirurgia 

O mecânico aposentado João Antonio Hanna Aires, 65 anos, já realizou todos os exames necessários para o procedimento, mas ainda não há previsão

Há mais de um ano, morador de Canoas sofre com a demora para cirurgia  LeitorDG / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
O aposentado sofre com dores no abdômen Foto: LeitorDG / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

— Só falta apelar pra santo — afirma o mecânico aposentado João Antonio Hanna Aires, 65 anos, morador do bairro Fátima, em Canoas. O leitor aguarda há um ano para fazer uma cirurgia devido a uma hérnia abdominal, que, segundo ele, deveria ser realizada no Hospital Universitário de Canoas (HU). O problema consiste no escape de parte de um órgão por um orifício ou musculatura enfraquecida, podendo ser causada de forma acidental ou natural. 

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No caso de João, o quadro iniciou após uma cirurgia para apendicite, feita há cerca de dois anos. Há um ano, o volume vem crescendo perto do local da operação, causando dores e prejudicando a rotina do aposentado. João acredita que a origem do problema seja a má regeneração da musculatura de sua barriga após a cirurgia de apendicite. 

Auxílio 

A solicitação para fazer a cirurgia foi dada no HU em abril de 2018, conforme documentos que João guarda. Na impossibilidade de seguir trabalhando, ele solicitou auxílio-doença. No entanto, o benefício foi negado após uma perícia. Depois, ele tentou aposentar-se por tempo de contribuição — o que deu certo. Porém, o valor recebido, cerca de um salário mínimo, segundo João, não é suficiente para suas despesas. 

A situação obriga o aposentado a fazer bicos como taxista para complementar sua renda, mesmo tendo que lidar, diariamente, com as dores. Medicamentos são a única opção para conseguir vencer a rotina de trabalho. 

— Já fiz todos os exames necessários (para a cirurgia). Fui até a Secretaria Municipal de Saúde, procurei a ouvidoria. Tem que ter jogo de cintura: vou aqui, vou ali, já apelei para tudo o que tu possa imaginar, só falta apelar pra santo. Mas nada de ser chamado — relata. 

Piora 

João conta que, quando tem qualquer outro problema de saúde, por mais simples que seja, como um resfriado, sua situação fica pior. Isso porque até uma tosse o faz sentir fores fortes. No entanto, não consegue parar de trabalhar. 

— Não era para eu estar trabalhando, porque prejudica ainda mais. Uma hora isso vai piorar até não ter mais volta. Mas preciso do serviço para sobreviver, mesmo piorando — relata. 

Segundo os mais recentes dados da Secretaria de Previdência do Ministério da Economia, no período de janeiro a dezembro de 2017, hérnias de diferentes tipos na região abdominal foram responsáveis pelo afastamento de mais de 81 mil pessoas do trabalho, no Brasil. 

Prefeitura de Canoas não se manifesta sobre o caso

Desde dezembro de 2018, após a saída do Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp), o Hospital Universitário é administrado pela prefeitura de Canoas. A reportagem enviou uma série de questionamentos para a administração municipal: os motivos para a demora, a previsão para atendimento, o número de pessoas na fila para este tipo de cirurgia e se o tempo de espera está relacionado com os recentes problemas enfrentados pela cidade na área da saúde. 

No entanto, por meio de nota, a assessoria limitou-se a dizer que “a prefeitura de Canoas não vai se manifestar sobre esse caso”.

Produção: Ásafe Bueno

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