Mulher com paralisia cerebral espera transferência para cirurgia "urgente" há 15 dias, em São Jerônimo - Notícias

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Seu Problema é Nosso10/07/2019 | 19h35Atualizada em 11/07/2019 | 16h28

Mulher com paralisia cerebral espera transferência para cirurgia "urgente" há 15 dias, em São Jerônimo

Sofrendo com dores devido a um prolapso anal, Loiraci Ferreira Viana está internada no Hospital de Caridade São Jerônimo


Hospital no qual Loiraci está não faz a cirurgia de que ela precisaFoto: Arquivo Pessoal / Leitor DG

 Correção: Loiraci aguarda cirurgia em São Jerônimo e não em General Câmara – município onde ela mora –, diferente do que esteve publicado no título da matéria, entre 19h35min de 10 de junho e 16h26min de 11 de junho. O texto já foi corrigido.

Internada há três semanas no Hospital de Caridade São Jerônimo (HSJ), em São Jerônimo, Loiraci Ferreira Viana, 51 anos, que sofre de paralisia cerebral desde que nasceu, aguarda há 15 dias por transferência para poder fazer uma cirurgia para prolapso anal. Caracterizado como urgente, o procedimento não é fornecido pelo HSJ.

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O problema que afeta Loiraci, que reside no município de General Câmara, a 90 quilômetros da Capital, se caracteriza pelo deslizamento da parte interna do reto, seção final do intestino delgado — que é um órgão do sistema digestivo, localizado acima do ânus — fazendo-o virar do avesso, para fora do corpo. Desse modo o revestimento retal fica visível, criando um volume, causando dores profundas e, até, sangramentos. 

— Ela geme de dor, está muito fraca, já tomou até morfina. Nós não sabemos mais o que fazer. Questionamos no hospital, e eles só dizem que tem que transferir pra Porto Alegre, que só lá há hospitais que fazem essa cirurgia — relata o assistente administrativo Roni Ferreira Viana, 57 anos, irmão de Loiraci.

Prioridade

Segundo requisição médica, a operação deve ser feita com urgência e foi solicitada em 25 de junho. O início do prolapso foi verificado quando uma cuidadora contratada pela família deparou-se com o problema ao trocar as fraldas de Loiraci — ela não fala, não se movimenta e depende de cuidados 24 horas por dia. Os três irmãos da paciente não residem em General Câmara. Roni mora em Canoas.

— Ela deveria ter prioridade, é especial e já é uma pessoa com certa idade. Nós estamos fazendo rodízio entre os irmãos para cuidar dela no hospital, já que nossos pais têm 86 anos e não podem estar com ela todo dia. Precisamos de uma solução — afirma Roni.

Reclamação

Sem ver outra saída e temendo pela vida da irmã, o auxiliar administrativo afirma que familiares chegaram a reclamar na ouvidoria da SES. Entretanto, a situação permaneceu a mesma:

— É só enrolação. "Não tem leito, tem que esperar". Todo dia a gente comenta entre nós, "vamos tirar ela à força do hospital", mas queremos acreditar que vão achar uma solução, que vão fazer a cirurgia. É muito difícil — desabafa Roni.

Não há previsão de transferência

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de General Câmara afirma que, segundo informações obtidas pela pasta junto ao Hospital de Caridade de São Jerônimo, "a paciente foi cadastrada na Central de Leitos do Estado no dia 25 de junho" e que "não foi transferida em razão da inexistência de vagas. A SES afirmou que a paciente foi cadastrada para leito de enfermaria adulto, de acordo com os registros no sistema de regulação, "em quadro clínico estável" o que não caracteriza urgência — diferente do que consta na requisição médica apresentada à reportagem pela família. 

A referência para atendimento da Loiraci está na cidade de Porto Alegre. A SMS da Capital informou que está buscando, desde o dia 26 de junho, hospitais para atender à paciente. No entanto, não há previsão de transferência para ela. A pasta explica que "Porto Alegre, por se tratar de um município que concentra casos mais graves, depende do fluxo de pacientes" e que há casos mais urgentes na frente da fila por cirurgias do mesmo tipo.

Produção: Ásafe Bueno 

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