Por falta de médico no posto da Vila Timbaúva, menino fica um ano sem consulta   - Notícias

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Seu Problema é Nosso03/07/2019 | 09h26Atualizada em 03/07/2019 | 10h12

Por falta de médico no posto da Vila Timbaúva, menino fica um ano sem consulta  

Em todas as vezes que a mãe de Lorenzo, de um ano e seis meses, procurou a Unidade de Saúde, a resposta foi a mesma: "não tem médico hoje"

Por falta de médico no posto da Vila Timbaúva, menino fica um ano sem consulta   Tadeu Vilani/Agencia RBS
Unidade fica na Vila Timbaúva Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

A Constituição Federal de 1988 não deixa dúvidas: “A saúde é direito de todos e dever do Estado”. Mas, para o pequeno Lorenzo, de um ano e seis meses, e sua mãe, a empregada doméstica Marilete Gonçalves, 37 anos, a coisa não é bem assim. 

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Moradora da Vila Timbaúva, na zona norte de Porto Alegre, Marilete não consegue atendimento médico para o filho. Segundo ela, das cinco vezes em que procurou a Unidade de Saúde Timbaúva, em um período de aproximadamente um ano, a resposta foi sempre a mesma: “não tem médico hoje”. 

— Vou de madrugada para o posto, fico na fila e, quando abre, informam que não tem médico no dia. Mas como assim? Desde que ele nasceu não tem médico? Nunca consegui consulta para ele ali. Chego com meu filho chorando, com dor, e mandam a gente procurar o Hospital Conceição — conta a mãe. 

Pequeno Lorenzo com a mãe, MarileteFoto: LeitorDG / Arquivo Pessoal

Com otite — uma infecção no ouvido médio — e bronquite — que afeta o sistema respiratório —, Lorenzo tem crises frequentes, sobretudo durante o inverno. Sem conseguir atendimento no bairro, Marilete precisa levar o menino na emergência de hospitais: 

— Chego no hospital e dizem que ele precisa ser encaminhado pelo posto para consultar. Mas como, se nunca tem médico no posto? Tenho que esperar meu filho ficar mal, com 40°C de febre, para conseguir que ele seja atendido em uma emergência. 

“Enganada” 

A empregada doméstica conta que, por diversas vezes, se atrasou ou precisou faltar ao trabalho, pois teve que ir atrás de atendimento para o filho em outra região. Frente à situação, Marilete relata ter acionado mais de uma vez o Fala Porto Alegre, por meio do telefone 156, mas não obteve solução para o problema (a moradora não guardou o número dos protocolos). 

Sem conseguir consulta no posto da comunidade, ela se mostra inconformada:

— Me sinto desrespeitada e enganada, porque o serviço público é mal e porcamente prestado. A sensação que eu tenho é de que estão fingindo que tem um posto de saúde aqui, quando, na verdade, estamos esquecidos. Aqui (na Vila Timbaúva), os cuidados básicos não chegam. É um descaso geral. 

Desde ontem, um profissional a mais

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que a Unidade de Saúde Timbaúva conta com dois médicos de família em seu quadro. Sobre a frequente falta de profissionais relatada por Marilete, a pasta explicou que isso pode ocorrer por conta de eventuais casos de adoecimento ou alguma situação particular vivenciada pelos médicos. 

Segundo a SMS, um novo profissional passou ontem a integrar o quadro da US Timbaúva. Desse modo, a unidade passará a contar com três médicos. De acordo com a Secretaria, a normalização dos atendimentos é prioridade. 

Luta por novo posto foi registrada em abril 

Em 13 de abril, o Diário Gaúcho mostrou o drama dos moradores da Vila Timbaúva em relação à situação da Unidade de Saúde. Segundo a comunidade, o espaço é pequeno e não apropriado para atender a demanda — aproximadamente 10 mil pessoas dependem do posto de saúde. 

A falta de privacidade para as consultas e a longa espera por atendimentos, em razão da pouca disponibilidade de fichas, foram os principais problemas relatados. 

Questionada pela reportagem, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) afirmou que, assim como algumas outras unidades de saúde do município, a US Timbaúva é abrigada em um prédio que não foi construído para ser um serviço de saúde — ou seja, originalmente era um imóvel residencial. Segundo a SMS, a estrutura do local não comporta ampliação. 

Nesse sentido, a pasta afirma estar trabalhando para a construção de um novo prédio no terreno ao lado da atual estrutura, a fim de ter um espaço adequado para atendimento aos pacientes. Não foi informado prazo para que a nova unidade fique pronta.

Produção: Camila Bengo

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