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Seu Problema é Nosso08/08/2019 | 08h00Atualizada em 08/08/2019 | 08h00

Escadaria no bairro São José, na Capital, continua precária

O problema não foi resolvido, conforme prometido pela prefeitura em 9 de maio de 2019

Escadaria no bairro São José, na Capital, continua precária Félix Zucco / Agência RBS/Agência RBS
Passar pelos cerca de 20 metros de extensão da escadaria é um desafio Foto: Félix Zucco / Agência RBS / Agência RBS

— Estou desacreditado.

Assim se sente o policial militar reformado Carlos Augusto Lecano, 57 anos, morador do bairro São José, em Porto Alegre. Segundo ele, desde 2010 tem buscado por melhorias na escadaria que liga as ruas Vidal de Negreiros e São João junto à prefeitura. Contudo, apesar das inúmeras reclamações feitas, o morador nunca viu o problema ser resolvido completamente. 

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A estrutura, construída há cerca de 30 anos, está cada vez mais precária: há limo, degraus quebrados e lajes soltas, além da falta de corrimãos – de acordo com Carlos, o corrimão principal caiu, não foi recolocado e acabou sendo furtado do local – e da falta de iluminação pública – o morador relata que, dos quatro pontos de iluminação, apenas um funciona. 

— Há muito tempo estou brigando por isso. Lembro que meu primeiro protocolo com a prefeitura foi aberto no dia 4 de maio de 2010. Ao longo dos anos, com certeza já foram mais de 30 protocolos que abri, mas eles (a prefeitura) vêm, dão uma tapeada, e só. Porém, essa é uma obra que não pode ser feita assim, correndo. É uma escada que já tem mais de 30 anos, não vai ser um reparo de um dia que vai resolver todos os problemas que ela tem — recorda o morador.

Promessas

O Diário Gaúcho já relatou três vezes os problemas da escadaria. À época da última reportagem, publicada em 9 de maio deste ano, além dos danos estruturais, havia também um esgoto extravasado no local. 

Naquela ocasião, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (SMSUrb) havia se comprometido a realizar o conserto de duas caixas de esgoto cloacal, que estavam obstruídas, e providenciar os reparos na estrutura nas próximas semanas. Entretanto, de acordo com Carlos, apenas o problema do esgoto foi resolvido. 

— Não foi consertado nada na estrutura, nenhuma laje foi trocada e continuamos sem corrimão. Agora, temos mais lajes quebradas, pedras bambas, outras com limo. Está horrível, está um perigo — relata Carlos.

Cansaço

Delegado do Orçamento Participativo na comunidade, Carlos conta que também reivindicou melhorias na escadaria por este meio. No entanto, ele se mostra desmotivado com a falta de resolução para suas demandas e relata que parou de frequentar as reuniões, pois cansou de fazer solicitações e não receber retorno.

— Eu me sinto muito mal, pois percebo que a prefeitura tem investido mais nas zonas nobres da cidade, e deixado as comunidades esquecidas. Cumprimos com nossas obrigações, pagamos impostos, mas não temos retorno do poder público. Cansei de reivindicar, ir em reuniões, discutir, e não ver nada acontecer. A gente fala e fala, mas parece que não nos levam a sério, acham que estamos brincando. Enquanto isso, as pessoas continuam se machucando aqui — desabafa o morador. 

Missão quase impossível

Diante dos problemas, percorrer, pela escadaria, o trecho de aproximadamente 20 metros que liga as ruas São João e Vidal de Negreiros é uma missão quase impossível. Em alguns pontos, a altura chega a quatro metros. Sem corrimão para se apoiar, e tendo que enfrentar os desníveis, buracos e o limo ao pisar nos degraus, o trajeto se tornou uma aventura inevitável, mas que nenhum morador se agrada em vivenciar.

— Para acessar os fins da linha dos dois ônibus da região, necessitamos passar por ali. Para ir até a escola do bairro, para ir ao posto de saúde e para acessar os mercados, precisamos passar por ali também. Toda a passagem da comunidade depende dessa escadaria, não há como fugir — afirma Carlos.

Sem corrimão e com irregularidades, a descida se torna perigosaFoto: Félix Zucco / Agência RBS

Perigo

Segundo o morador, muitos vizinhos já caíram e se machucaram no trecho, inclusive ele. Carlos relembra da vez em que um morador precisou ser socorrido pelo Samu, após uma queda, e de quando uma antiga vizinha, já idosa, quebrou os dois braços ao cair na escadaria e, por conta do ocorrido, acabou por se mudar do bairro. 

— Minha maior preocupação é com os idosos e as pessoas que usam muletas. Desde a última reportagem (em maio), mais duas pessoas se machucaram. Eu me sinto impotente com essa situação — desabafa o morador.

À espera do nono neto, além dos dois bisnetos que já tem, revela o seu maior desejo:

— Quero ver os meus netos correndo na escadaria, sem perigo nenhum, quando vêm me visitar.

Conserto na próxima semana

A SMSUrb explicou que os reparos não foram concluídos, conforme informado à reportagem em 9 de maio, porque o Departamento de Conservação de Vias Urbanas (DCVU), responsável pelo serviço, era vinculado à Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (Smim) e, desde maio, está migrando para o quadro da SMSUrb. Desse modo, a pasta afirma que "está reavaliando as demandas pendentes, para reprogramação das ações necessárias".

De acordo com a SMSUrb, uma nova vistoria será feita no local na próxima semana, com "intervenções das equipes da DCVU na estrutura do pavimento". Quanto às demandas de iluminação pública, a pasta agendou diretamente com o morador Carlos Augusto uma visita com presença de técnico da área, a fim de verificar os problemas e programar o conserto. 

Produção: Camila Bengo 

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