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Seu Problema é Nosso25/10/2019 | 11h15Atualizada em 25/10/2019 | 11h15

Falta de fraldas fornecidas pela rede pública afeta pessoas com deficiência

Há registro da falta do produtos para adultos nas Unidades de Saúde Santa Marta, Cruzeiro e IAPI

Falta de fraldas fornecidas pela rede pública afeta pessoas com deficiência Tadeu Vilani/Agencia RBS
Maria da Conceição deveria retirar 150 fraldas por mês para a filha Sheila Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Já faz tempo que fechar as contas ao fim do mês está mais difícil para quem depende da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), em Porto Alegre, para receber fraldas gratuitamente. Isso porque os produtos começaram a faltar nos postos de saúde que fazem a distribuição no município. Sem poder contar com o fornecimento via SUS, os usuários buscam doações e fazem malabarismo com o orçamento para comprar os itens. 

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Esse é o caso de Sheila da Costa Feijó, 27 anos, moradora do bairro Morro Santana, que sofre de atraso psicomotor e, por isso, tem direito a retirar, todos os meses, um lote de 150 fraldas de tamanho G adulto na Unidade de Saúde (US) Santa Marta, no centro da Capital. Contudo, de acordo com o pai de Sheila, o porteiro Valdecir Gonçalves, 50 anos, a falta dos produtos começou a fazer parte da realidade da família há cerca de três meses. 

— Em julho, fizemos a renovação do cadastro e, desde então, não conseguimos pegar nenhuma vez. Me sinto muito mal, porque estamos sem apoio. Enquanto isso, temos que comprar, porque ela precisa. Está fazendo muita falta, pois esse gasto está passando do nosso orçamento todo mês. Estamos deixando de comprar outras coisas básicas para conseguir garantir isso pra ela — relata o pai, afirmando que o produto já havia faltado antes, mas nunca por tanto tempo. 

Sem explicação 

Para a dona de casa Silvia Regina Meira, 57 anos, moradora do bairro Santa Tereza, a situação está ainda pior. Mãe de Evelyn Vieira Meira, 27 anos, que sofre de paralisia cerebral, desde maio, Silvia não consegue retirar o lote mensal de 150 fraldas tamanho M que a filha necessita na Unidade de Saúde (US) Moab Caldas, que integra o complexo conhecido como Postão da Cruzeiro. 

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Evelyn já ficou sem o produto por mais de seis vezes ao longo dos anos Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Contudo, essa não é a primeira vez que a dona de casa enfrenta o problema. Desde 2013, o DG já publicou seis matérias relatando a falta de fraldas para Evelyn na rede pública de saúde. A última reportagem foi publicada em 1º de agosto deste ano. À época, a SMS informou que a entrega dos produtos deveria ser regularizada durante o mês decorrente. Porém, isso não aconteceu. 

— Antes, quando saía a reportagem, a fralda aparecia. Mas, dessa vez, não adiantou. Quando saiu a matéria, recebi doações, mas já estão terminando. Agora, vou ter que pedir ajuda para amigos e familiares, porque não tenho condições de comprar. Tenho ligado para o Postão toda a semana, mas não adianta. Também estive na Secretaria de Saúde para reclamar, só que os atendentes não têm informações. Sinto falta de uma explicação melhor, porque é um direito dela. Quero saber o que está acontecendo e onde está indo parar o dinheiro das fraldas, porque é lei — desabafa Silvia. 

Tamanhos estão restritos

Na percepção de Silvia, que relata participar de “grupos de mães com filhos especiais” no Facebook, o problema parece ser geral, atingindo vários postos de saúde. Contudo, ela percebeu que alguns tamanhos começaram a faltar recentemente. 

— Tenho uma vizinha que retira no mesmo posto que eu, para a irmã, fraldas tamanho G, e não está conseguindo pegar há dois meses. A Evelyn, que usa tamanho M, já está há cinco meses sem receber — relata a dona de casa, que retira o material na US Moab Caldas. 

Valdecir, que faz a retirada para a filha, Sheila, na US Santa Marta, confirma a percepção. 

— Da última vez que liguei para o posto, falaram que só tinha o tamanho GG, mas ela usa G e não é permitido retirar de outro tamanho, tem que ser exatamente o que ela usa. Temos um conhecido que também retira fraldas, mas no Postão do IAPI e, quando falamos com ele, lá tinha todos os tamanhos. Aí, ligamos para a Secretaria de Saúde para saber se poderíamos retirar em outro posto, mas eles não deixam fazer isso — comenta o porteiro. 

Porém, de acordo com a SMS, há registro da falta de fraldas para adultos nas USs Santa Marta, Moab Caldas (Postão da Cruzeiro) e no IAPI. Além disso, o órgão informa que apenas os tamanhos P e M estariam indisponíveis. Entretanto, conforme Valdecir, as fraldas do tamanho G também estão em falta desde julho na US Santa Marta. 

Regularização em até duas semanas 

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre justifica que a falta de fraldas ocorre devido à impossibilidade de se fazer a compra dos produtos, uma vez que os primeiros dois pregões eletrônicos para a aquisição dos itens não tiveram empresas interessadas. 

Segundo o órgão, foram feitas “diversas tentativas de contratação emergencial”, afim de regularizar a situação, e, em 21 de outubro, “a última licitação emergencial foi concluída”. Desse modo, a pasta afirmou que os produtos chegarão nas USs a partir da próxima segunda-feira e, assim, a entrega para os pacientes deverá ser normalizada em até duas semanas. Já os estoques de fraldas infantis e adulto tamanho XG estão regulares. 

A SMS explica que até o ano passado, os produtos eram fornecidos diretamente pela Secretaria Estadual de Saúde (SES)

Produção: Camila Bengo 

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