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Abastecimento28/01/2020 | 09h41Atualizada em 28/01/2020 | 09h42

Bicas coletivas em cidades da Região Metropolitana não têm qualidade de água garantida

O líquido das fontes oferece pouca segurança, mas mesmo assim moradores seguem consumindo

Bicas coletivas em cidades da Região Metropolitana não têm qualidade de água garantida Fernando Gomes/Agencia RBS
Rubens enche as garrafas na Rua São Francisco, em Alvorada, há 20 anos Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

O período de calor intenso, de falta de água e reclamações frequentes a respeito da qualidade do serviço que chega às torneiras — em algumas cidades da Região Metropolitana, a água tem surgido com coloração e cheiro —, faz crescer o movimento nas bicas coletivas, espalhadas por bairros de vários municípios. Apesar da grande procura, muitos moradores consomem sem a certeza sobre a potabilidade.

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Mas, afinal, ela é segura? Em Porto Alegre, a Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde (CGVS) monitora mensalmente por meio de análise microbiológica a qualidade da água e garante que nenhuma das 12 bicas públicas da cidade são indicadas para consumo. 

— Em todos os levantamentos realizados sempre se há a presença de coliformes fecais ou escherichia coli (indicador microbiológico de contaminação fecal recente no meio ambiente), por isso, a água é contraindicada para uso. Recomendamos a da rede de abastecimento, que tem cloro e controle da qualidade — destaca Alex Lamas, gerente da unidade ambiental da CGVS. 

Em Alvorada, há pelo menos três bicas localizadas em áreas particulares, mas liberadas pelos proprietários para o público. Duas delas ficam no Bela Vista e uma no bairro Intersul. 

A prefeitura diz que não realiza o monitoramento desses pontos e que a averiguação costuma ser feita pela Corsan. A Corsan, no entanto, afirma que não distribui água gratuitamente em fontes públicas e o controle de qualidade dessas águas não é de responsabilidade da Companhia, que recomenda apenas o consumo de água tratada. 

Bela Vista 

Mas quem tem o hábito de usar a água das bicas não tem medo. O aposentado Rubens Geib, 56 anos, busca água na bica da Rua São Francisco, em Alvorada, há 20 anos. Costume que ele repete, em média, a cada 10 dias. 

— Se é boa? Olha, eu tomo ela há 20 anos e estou aqui, vivo — brinca. 

Geib diz que a água dali parece mais pura e suave do que a da torneira. Enquanto a da rede de abastecimento, que ele também consome, muitas vezes aparece com cheiro. 

— Minha filha estava ingerindo a água da rede e teve problemas estomacais. Começou a beber essas e melhorou — completa. 

Cano leva o líquido até a rua

A Bica do Bela Vista ou a Bica da Igreja, como também já foi chamada por estar localizada em frente a uma igreja, está aberta ao público há 50 anos. Ela fica na calçada da casa onde a vertente foi encontrada. Natanael Valentin, 33 anos, mora com a família na residência e conta que foi a sua sogra, já falecida, que a descobriu. 

— Um dia ela estava cavando no terreno, e começou a verter. E, vendo que a água era boa, resolveu dividir com a comunidade. No início, as pessoas entravam no pátio para pegar, mas depois foram colocados esses canos até a rua — diz. 

Há dias em que a fila se estende por boa parte da rua. O tempo de espera chega a levar até três horas. 

 ALVORADA- RS- BRASIL- 23/01/2020- Alvorada município da região têm fontes de água onde as pessoas pegam água gratuitamente. Rua São Francisco, Bela Vista, Natanael Valentim, proprietário da casa, mostra de onde vem a água.  FOTO FERNANDO GOMES/ZERO HORA.<!-- NICAID(14396237) -->
Vertente está no terreno da família de NatanaelFoto: Fernando Gomes / Agencia RBS

Aproveitando o vaivém do público, os donos montaram um negócio, o Quiosque da Bica, na entrada de casa, onde vendem cucas e açaí. Uma página no Facebook também foi criada a fi m de informar o público sobre movimentação, já que a bica também atrai pessoas de outras cidades. 

Contaminação 

Na rua detrás da Bica Bela Vista, na Rua Jovelino de Souza, também há outro ponto concorrido. Quando a fi la de uma está grande, os moradores correm para outra. O professor Donato Pfluck, 60 anos, mora no bairro Americana e busca água nesta bica há 10 anos, toda semana. 

— Tem dias que a água de casa não estava dando nem para tomar banho, então, busco aqui. Pelo que sei, é própria para consumo — disse. 

Em Canoas e Novo Hamburgo, moradores também fazem uso das fontes públicas. Mas as prefeituras não indicam a prática. De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (SMMA) de Canoas, estas nascentes são características de olhos d’água que não são comuns na região. As nascentes são, na maior parte, oriundas de lençol freático aflorante estão sujeitas à contaminação. 

Garantia de fiscalização

O A Corsan afirma que entre as economias (unidades de consumo), há a categoria “bica pública”, que se refere especificamente aos pontos coletivos de tomada de água concedidos mediante solicitação do município. Trata- se de um ponto de água (normalmente uma torneira) conectado ao sistema de abastecimento da Corsan e geralmente instalado em áreas sem redes de distribuição. Nesse tipo de bica, cabe à prefeitura pagar o consumo à Corsan e a água segue os padrões de potabilidade exigidos pela legislação. Em Alvorada, Gravataí e Guaíba há pontos como estes: 

ALVORADA
/// Ana Axelrud, 1382
/// Cecilia Meireles, 151
/// Cedro, 1.358
/// Cedero, 1.670
/// Tom Jobim, 182
/// Tupi, 351 

GRAVATAÍ
/// Abelardo Barbosa, 272
/// Bernardino Timoteo da Fonseca, 1.037
/// Coronel Fonseca, 936
/// Custódio dos Santos, 50
/// Delfino Cunha, 96
/// Espindola, 168
/// Felipe Matte, 814
/// São Borja, 100 

GUAÍBA
/// Bloco 195, 203, setor A, número 1
/// Santa Catarina, 259
/// São Geraldo Ermo, 1343

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