Com uma ajudinha do DG: casal de Esteio se reencontra após 40 anos - Notícias

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Onde Anda Você10/01/2020 | 10h35Atualizada em 10/01/2020 | 11h44

Com uma ajudinha do DG: casal de Esteio se reencontra após 40 anos

Depois de décadas separados, Mariazinha e Jorge se reencontraram por meio das seções "Falando de Amor" e "Onde Anda Você", do Diário Gaúcho

 

 ESTEIO, RS, BRASIL - 08.01.2020 - Depois de décadas separados, casal se encontra por meio da seção Falando de Amor. Mariazinha e Jorge namoraram na infância, em Esteio. Cada um viveu sua vida até que dia 8 de agosto de 2014, Mariazinha procurou Jorge por meio da seção Falando de Amor. No dia 11, saiu a novamente a busca na seção Onde Anda Você. Dois dias depois, 14, eles se reencontraram. Foi uma espera de 40 anos. Agora, estão casados há cinco anos. (Foto: Isadora Neumann/Agencia RBS)
O amor do casal foi paciente e esperou durante anosFoto: Isadora Neumann / Agencia RBS

Quem nunca ouviu a famosa frase de que o primeiro amor a gente não esquece? A cuidadora de idosos Maria Fagundes Benvenuto, 64 anos, e o técnico em enfermagem aposentado Jorge Garcia Pacheco, 68 anos, são prova disso. 

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E o dia 9 de janeiro marca cinco anos dessa união que começou muito tempo antes. Em meados de 1965, Mariazinha e Jorge, ainda crianças, começaram a namorar. Com inocência, a primeira troca de olhares aconteceu na Praça da Bíblia, em Esteio — cidade que o casal vive atualmente. Por cinco anos, eles viveram um amor proibido, que crescia nas idas e vindas da escola — momento em que Jorge acompanhava a jovem Maria para casa. 

— Faz 55 anos que o vi na pracinha, e me lembro até hoje do jeito como me olhou e de como olhei para ele. Ele sabe até o vestidinho que eu estava — conta Mariazinha e, para provar, Jorge descreve as cores da roupa que a amada usava. 

Afastados 

Contudo, a distância separou o casal. Com 17 anos, Jorge mudou-se para Porto Alegre e, aos 18, para São Paulo, onde trabalhava como apontador em uma empreiteira. Segundo Mariazinha, a mãe dela não a deixou ir com Jorge por causa do cabelo comprido dele: 

— Naquela época, se pensava que quem tinha cabelo comprido era malandro. Minha mãe não o aceitava. 

Após quatro anos em São Paulo, Jorge voltou a Esteio procurando por Mariazinha, que tinha completado a maioridade no dia 2 de janeiro de 1974. 

— Eu vim buscá- la. Ninguém poderia impedir. Só que, quando cheguei, ela estava casada havia três meses, e grávida — conta o apaixonado. 

— Ele sumiu por anos, como eu iria saber que voltaria? Naquela época não tinha telefone. Mas, mesmo assim, queria me levar. Não fui — completa a cuidadora. 

Jorge voltou para São Paulo, mas nunca se casou. No decorrer dos anos, ele teve um casal de filhos. Já em Esteio, Maria foi casada até 2010, quando seu esposo faleceu. 

— Casei, fui feliz, tive quatro filhos, mas todos sabiam da história de amor que vivi. Não sabíamos um do outro até 2014, quando o procurei — detalha Mariazinha. 

Com uma ajudinha do DG

Segundo Maria, depois do casamento do caçula, ela começou a sentir-se sozinha. Em 2014, lendo o Diário Gaúcho, viu a coluna Falando de Amor — que não existe mais, mas era um espaço para leitores manifestarem seus sentimentos à pessoa amada. Ela decidiu escrever. No texto publicado em 8 de agosto de 2014, Maria dizia que era “a última esperança de encontrar um grande amor do passado”. No entanto, Jorge não deu sinal de vida. 

Dois dias depois, Maria, persistente, recorreu à seção Onde Anda Você — espaço para os leitores procurarem familiares, amigos e amores. Na segunda tentativa, ela descreveu o endereço onde Jorge morou na Capital e também falou do bairro onde morava em Esteio — à época da procura, ele estava em Guaíba. 

— Minha mãe que leu no Diário Gaúcho. Me falou da primeira publicação, mas pensei que não fosse eu. Quando saiu a segunda vez, com os endereços, foi aí que me liguei que era eu, sim — relembra Jorge, destacando que sua mãe, Iracema Garcia Pacheco, 89 anos, teve colaboração para que esse encontro acontecesse. 

Maria chorou ao ouvir Jorge 

Jorge ligou para a redação do Diário e passou seu telefone. À época, os números não eram publicados no jornal. Desta forma, a equipe da redação passou o contato dele para Maria. 

— Liguei e enlouqueci. Me senti com 15 anos quando o ouvi perguntar: “É tu, Mariazinha?”. Comecei a chorar — conta a apaixonada. 

O encontro do casal teria que ser em um lugar especial. 

— Dois dias após a ligação, nos encontramos no mesmo lugar onde nos conhecemos, na pracinha. Ele me trouxe bombons e um cachorrinho de pelúcia. Quando se aproximou, me deu um beijo. Que vergonha! — descreve Mariazinha. 

— Ela não queria dormir porque achava que era um sonho. Então, desde a ligação até o encontro, passou limpando a casa e não dormiu — diz Jorge. 

Meses após, em 9 de janeiro de 2015, Jorge e Mariazinha começaram a morar juntos — data oficial para o início do casamento. 

Visão de cigana manteve a esperança dos apaixonados 

Mesmo em caminhos totalmente distantes, Maria e Jorge tinham esperanças. 

— Tinha certeza de que iria achá- lo. Na pracinha, uma vez, quando tinha 11 anos, uma cigana, após me abordar, falou do meu futuro — revela Maria. 

Segundo a idosa, a vidente disse que ela se casaria com uma pessoa de longe (o esposo falecido era de outro Estado) e que teria quatro filhos com ele, mas, só quando estivesse velha, iria viver com o amor de sua vida. Por causa da previsão, Maria mantinha seu amor guardado até o reencontro com Jorge. 

Celebração

O casal faz tudo junto. Segundo Jorge, até para ir na padaria, não saem sem o outro. 

— Gostamos de bailinho, de praia e não nos largamos — afirma. 

O casal também não deixa de comprar o Diário Gaúcho e faz todas as coleções do Junte & Ganhe.  A celebração do amor de Mariazinha e Jorge será amanhã, em casa, para familiares e amigos. 

— Vamos fazer uma festinha para celebrar os cinco anos juntos, mas digo para ela que vamos celebrar os 25 também  — destaca Jorge, projetando os próximos 20 anos ao lado da amada. 

Produção: Caroline Tidra

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