Praias de Belém Novo e Lami estão livres de poluição e são opções para quem não pode se deslocar até o Litoral - Notícias

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Veraneio01/01/2020 | 20h57Atualizada em 01/01/2020 | 20h57

Praias de Belém Novo e Lami estão livres de poluição e são opções para quem não pode se deslocar até o Litoral

Alternativa de passeio que muitos moradores da Capital desconhecem

Praias de Belém Novo e Lami estão livres de poluição e são opções para quem não pode se deslocar até o Litoral Isadora Neumann/Agencia RBS
Posto 2 do Lami Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

Rose Rosa Perez e a família não se acanham em admitir: faltou dinheiro para salgar a pele no mar, nesta temporada de verão. Sem hesitar um minuto, trocaram o Litoral Norte pelas praias do Guaíba e não se arrependeram. No último dia de 2019, ela, irmãs e cunhados se instalaram numa pousada/bar no Lami, bairro no Extremo Sul de Porto Alegre. À frente deles, uma imensidão de água doce, entrecortada ao longe por morros verdejantes. Muita cerveja gelada, bife e batata frita deram certeza de que a alternativa foi ótima.

— E tu pensa que a gente dorme tarde? Nadica... Praia o dia inteiro, uma dormidinha e depois boteco até as 4h da madrugada — relata Rose, faceira que só vendo.

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O bar que ela frequenta na principal praia do Lami também oferece quartos para quem deseja se hospedar, a preços módicos. Está com lotação garantida nessa época do ano. A expectativa de Mateus Tomazi, um dos gerentes, era vender em cada dia deste feriado prolongado de fim de ano oito engradados de cerveja em garrafa e 20 fardos com 24 latas, também de cerveja.

— Mas o forte mesmo é o petisco. O pessoal belisca da manhã até madrugada — revela Tomazi, sorriso no rosto.

Tem muito porto-alegrense que não conhece, mas o Lami exibe uma estrutura comparável à do Litoral Norte, até melhor do que a maioria das praias de mar. Banheiro público limpo, com auxiliar de serviços gerais providenciando faxina toda hora? Tem. Guarda-vidas? Tem, dois de prontidão numa das guaritas, do amanhecer ao anoitecer. Churrasqueiras? Tem, várias, inclusive na sombra — que é pouca, um dos raros defeitos dessa praia ribeirinha. Bares? Vários. Supermercado que dá para ir a pé. E, agora, até pousada.

Essa boa infraestrutura, na realidade, pode ser encontrada não só no Lami, mas também no vizinho bairro Belém Novo, outro famoso pelos balneários.

A praia do Veludo, uma das principais de Belém Novo, tem tudo que o Lami oferece, com uma vantagem adicional: sombra, muita sombra. Toda a orla, ali, é plantada com árvores de grande porte. Abaixo delas, churrasqueiras em profusão, acimentadas, construídas pela prefeitura neste último verão.

O Veludo também conta com banheiros limpos (até papel higiênico tinha quando a reportagem circulou por lá, na terça-feira), chuveiro público, playground para crianças, mercados próximos e uma dupla de guarda-vidas, que permanece enquanto algum banhista estiver nas águas.

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— Felizmente as águas aqui são muito calmas, sem repuxo, dão pé até uma distância de 150 metros. Não tivemos um salvamento sequer neste verão — comemora o guarda-vidas Fábio Aguirrez, bombeiro que faz dupla com o guarda-vidas civil Leonardo Vieira no Veludo.

Perto deles, um trio de amigos assa uma carne à sombra e celebra a escolha para o feriadão de final de ano.

— É um paraíso. Uma vista espetacular, água propícia, churrasqueira por todo lado, tu não pagas nada para te divertir... E a poucos quilômetros do centro da Capital — descreve o jornalista e estudante de Arquitetura Fábio Berriel, enquanto serve coraçõezinhos de galinha aos convidados.

Amigo de Berriel, o corretor de imóveis Ricardo Xavier acrescenta, entusiasmado:

— Ideal para fugir do calor do concreto do Centro. Aqui tem banheiro, muita sombra e água limpa. Para que mais? — desafia.

Local próprio para banho

Água limpa não é força de expressão. O relatório de balneabilidade da Secretaria do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams), que aponta quais locais próprios para banho na orla da Capital, informa que todos os locais das praias do Lami e Belém Novo, na Zona Sul, estão impolutos. O relatório é feito depois de cinco análises realizadas pelo Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae). As coletas e análises foram realizadas entre os períodos de 20 de novembro e 22 de dezembro.

A balneabilidade não vem de hoje, mas desde que a prefeitura colocou em funcionamento Estação de Tratamento de Esgotos no bairro Ipanema. Desse ponto do Guaíba em direção ao Sul, as águas ficaram aptas ao banho.

As avaliações científicas só confirmam algo que a população já intuía, tanto que há décadas Lami e Belém são procurados por multidões de veranistas.

Guarda-vidas são poucos para muitas praias

Não faltam praias lindas ao Guaíba, como constatou GaúchaZH ao longo da manhã do último dia de 2019. Apenas nos dois bairros com diagnóstico oficial de limpeza das águas, Belém Novo e Lami, foram visitados seis pontos. Desses, dois já citados, a praia central do Lami (em frente à Rua Luiz Vieira Bernardes) e a praia do Veludo (em Belém Novo) contam com guarda-vidas de dezembro a março.

Já os outros pontos visitados não possuem estrutura de guarda-vidas. As guaritas estão lá, mas vazias. A prioridade da Operação Verão, da Brigada Militar, tem sido fortalecer locais de maior concentração de populares durante o veraneio. Isso ocorre no Litoral Norte. Alguns balneários do Interior e da Capital contam com guarda-vidas, mas a maioria, não.

É o caso do Posto 3, no Lami, na Avenida Beira-Rio (a que margeia a orla do Guaíba, como o nome indica). Ao contrário da praia principal do bairro, cujo pecado é ter pouca sombra, o posto 3 é repleto de árvores e, por isso mesmo, muito frequentado por churrasqueiros de fim de semana. O pessoal também acampa, já que não há proibição.

Foi o que fez a dona de casa Mônica Brito dos Santos Martins, com um grupo de amigas do Morro da Polícia. Acampou desde o último fim de semana no Posto 3 do Lami e promete ficar lá até o outro fim de semana. Atravessou a cidade, acompanhada de filhos, para se molhar no Guaíba.

— Falta salva-vidas, mas a água aqui é serena. Dá para entrar centenas de metros, inclusive as crianças.

Perto dali, o professor Valmir Chiarello e a mulher dele, Zaira Vieira, assavam uma costela em fogo brando, numa sombra perto da água. O filho e uma amiguinha brincavam no Guaíba. Os pais notaram a falta de guarda-vidas, mas não consideram isso decisivo.

— Com sombra, comida barata, água calma, banheiro público limpo e playground, reclamar do quê? — sintetiza Chiarello, que saiu do Partenon para passar o dia lá.

Situação idêntica acontece em Belém Novo, nos postos 1 (Praça Comunal) e 2 (Praia do Leblon). Guaritas de guarda-vidas existem, mas eles estão apenas no posto 3 (Veludo). Os banhistas não reclamam.

— É tudo muito próximo e raso. As águas são tão calmas que o sujeito tem de fazer força para correr risco — diz o corretor Ricardo Xavier, que alternou banho entre os postos 2 e 3.

Confira os pontos analisados, todos com águas próprias para banho

Belém Novo

  • Posto 1 (Praça Comunal, em frente à garagem da empresa de ônibus)
  • Posto 2 (Praia do Leblon, Avenida Beira-Rio, em frente à Rua Antônio da Silva Só)
  • Posto 3 (Praia do Veludo, em frente à interseção das Avenidas Beira-Rio, Pinheiro Machado e Rua Antônio da Silva Só)

Lami

  • Posto 1 (acesso pela Rua Luiz Vieira Bernardes, em frente à segunda guarita de guarda-vidas) 
  • Posto 2 (acesso pela Rua Luiz Vieira Bernardes, em frente à primeira guarita de guarda-vidas) 
  • Posto 3 (Avenida Beira-Rio, em frente ao número 510)
 
 
 
 
 
 
 
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