Quer ajudar seu filho a ir melhor na escola? Estimule-o a brincar e praticar esportes - Notícias

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Pais e filhos10/01/2020 | 07h00Atualizada em 10/01/2020 | 11h49

Quer ajudar seu filho a ir melhor na escola? Estimule-o a brincar e praticar esportes

O incentivo ao movimento dos pequenos faz com que diferentes habilidades sejam desenvolvidas, impactando inclusive no desempenho escolar

Quer ajudar seu filho a ir melhor na escola? Estimule-o a brincar e praticar esportes famveldman/stock.adobe.com
Móbiles e bolas atraem a atenção dos bebês Foto: famveldman / stock.adobe.com
Cáren Cecília Baldo
Cáren Cecília Baldo

caren.baldo@diariogaucho.com.br

Você já pensou que incentivar seu filho a movimentar-se desde bebê pode torná-lo um adulto com melhor capacidade de pensar e agir em sociedade? Pesquisas mostram que as habilidades motoras desenvolvidas desde bem cedo são fundamentais para que desafios mais complexos – como a leitura e a matemática – sejam alcançados. E, com cada vez mais celulares nas mãos das crianças, é preciso redobrar a atenção: o desperdício dessas oportunidades pode limitar o potencial de uma pessoa, conforme o professor Rodrigo Flores Sartori, da Escola de Ciências da Saúde e da Vida da PUCRS. Ele é também doutor em Ciências do Movimento Humano e um dos pesquisadores que trabalha com esse tema no Rio Grande do Sul. 

Sartori explica que a importância do movimento no desenvolvimento infantil reside no fato de que a capacidade de aprender ocorre a partir da forma como o bebê se move e se relaciona com o mundo, utilizando-se do movimento. É a maneira como ele experimenta a sensação de frio ao manipular uma pedra de gelo, por exemplo, que vai condicioná-lo a entender aquela sensação e definir até que ponto aquilo faz bem ou não para ele, se é bom ou ruim. É sendo desafiado a engatinhar em uma superfície inclinada ou com degraus que vai percebendo que existem diferenças de esforço a serem aplicados, conforme o local onde ele está, e criando as suas estratégias para superar os desafios.

– Recentemente, produzimos um estudo que apontou que essa interação impacta nos processos de aprendizagem e em uma série de aspectos do desenvolvimento infantil. Especificamente, percebemos que existe uma relação entre o desempenho das habilidades motoras e funções cognitivas (de aquisição de conhecimento) importantes para o sucesso dos alunos na escola – comenta o professor.

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Assim, torna-se crucial estimular os pequenos a se mexerem – especialmente diante dos desafios impostos pelo avanço da tecnologia. É cada vez mais comum encontrarmos crianças hipnotizadas pelos seus celulares e tablets, o que acaba influenciando, junto a fatores como a falta de segurança nas ruas e a rotina corrida dos pais, na redução de atividade física e no sedentarismo dessa faixa etária. A preocupação é tão grande que, no ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou uma orientação restringindo o uso recreativo de telas (celulares, tablets e afins) para crianças menores de um ano de idade: elas não devem ser expostas a nenhuma tela, nessa idade. Para a Sociedade Brasileira de Pediatria, a recomendação é a mesma, porém, para crianças até dois anos de idade.

Em casa, em vez de deixar o bebê mexer no celular, que tal oferecer para ele uma bola ou um móbile? Ou brincar de mímica? O estímulo ao movimento em uma brincadeira ou jogo incentiva a criança a tomar decisões e planejar estratégias para aprender movimentos, por exemplo. Isso, explica Sartori, vai criando nela um potencial para aplicar formas de raciocínio parecidas em outras áreas, como a matemática. Ele complementa:

– Habilidades motoras finas, como recortar, brincar de bolinha de gude ou com massinhas de modelar, estão relacionadas positivamente com a escrita do nome, com as formas de expressão escrita e com a matemática. Tais atividades motoras podem fornecer às crianças oportunidade de praticar o mapeamento daquilo que veem para utilizar em ações como desenhar letras com marcadores, adaptar os movimentos ao giz de cera ou lápis, desenvolver a capacidade de contar objetos ou mesmo na habilidade de selecionar objetos em um conjunto.

Mother playfully swinging her little daughter in the airMãe brincando balançando sua filha no ar enquanto se divertem juntos em casaFonte: 295880665
Brincadeiras ajudam a desenvolver o conhecimento da criançaFoto: mavoimages / stock.adobe.com

Em um próximo passo, a partir do crescimento da criança, o incentivo a que ela pratique esportes também segue beneficiando sua capacidade de pensar – além, obviamente, de melhorar suas aptidões físicas. 

– Da mesma forma como ocorre em determinadas brincadeiras, no esporte, podemos ser desafiados com situações de tomada de decisão a partir da imprevisibilidade do jogo. Existe a necessidade, ainda, de um controle adaptativo para atender às novas demandas das diferentes situações que vivemos em cada situação de jogo. Nesse sentido, as características presentes no futebol, no tênis e no basquete, por exemplo, exigem que “descubramos o que fazer” por conta própria. Precisamos criar uma resposta diferente e tomar uma decisão diferente a cada momento do jogo. Essa capacidade leva à autonomia – define Sartori. 

Outra área bastante influenciada pela prática de esportes é a das relações entre colegas. Aprende-se a lidar com o outro, a trabalhar em equipe, a respeitar os limites alheios. E, para a criança, se o incentivo vier de casa, maiores são as chances de ela se beneficiar de todas os aspectos envolvidos nessa aprendizagem. 

– O papel da família e dos educadores é proporcionar um ambiente favorável a que a crianças se relacionem com outras crianças e com adultos e possam explorar materiais e atividades significativas para elas. E é preciso que o processo seja contínuo, e não ocasional. As crianças devem ser percebidas como os verdadeiros protagonistas da sua aprendizagem, na vivência ativa com outras pessoas e materiais, possibilitando, através do movimento, um mundo de descobertas pessoais – finaliza o professor.


 
 
 
 
 
 
 
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