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Seu Problema é Nosso28/02/2020 | 10h10Atualizada em 28/02/2020 | 10h10

Em Canoas, irregularidades no transporte escolar afetam alunos com deficiências

Segundo as mães dos estudantes, o problema consiste na falta de melhorias e manutenção dos veículos

Em Canoas, irregularidades no transporte escolar afetam alunos com deficiências Tadeu Vilani/Agencia RBS
Desde 2019, Mariana (D) e Zenilda enfrentam instabilidade no serviço Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Ter o transporte escolar municipal deveria facilitar a rotina de alunos especiais, mas, em Canoas, o serviço tem gerado transtorno para pais e responsáveis. Mães de alunos relataram problemas como a irregularidade na prestação do serviço devido à falta de manutenção dos veículos. 

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Em junho de 2019, o Diário Gaúcho mostrou a situação da cozinheira aposentada Zenilda Pinheiro da Silva, 64 anos, moradora do bairro Mathias Velho e mãe da estudante Mariana Pinheiro da Silva, 14 anos, que possui deficiência intelectual. À época, a adolescente, que estuda na Escola Estadual Especial Brigadeiro Ney Gomes da Silva, no Centro, e frequenta a Apae, estava sem o transporte havia mais de uma semana. 

Sem condições 

Neste ano, desde que as aulas recomeçaram, Mariana foi poucas vezes. Novamente, o motivo é a falta do transporte, que não passou todos os dias para buscá-la. 

— Hoje (quarta-feira), não teve transporte. Passaram-se quase três meses (recesso escolar), e não arrumaram esses problemas de manutenção. Agora, começaram as aulas e temos, de novo, as mesmas incomodações — conta a aposentada. 

Segundo ela, a irregularidade do transporte é referente aos dois horários que a menina precisa —  um para escola, outro para a Apae. 

—  Eu teria que pegar muitos ônibus por dia para levar e buscar a Mariana. Meu marido e eu não temos condições para fazer isso. Não temos carro — explica a aposentada. 

Zenilda conta que já fez contato com a Secretaria de Educação, mas não lhe informaram uma definição sobre a situação. 

Manutenção precária e ausência de monitores 

A dona de casa Tatiana Ávila Machado, 41 anos, tem duas filhas, Sindy Machado, 15 anos, e Sandy Machado, 20 anos, que também passam por dificuldades com o transporte para a escola. 

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Tatiana (D) com as filhas Sindy e SandyFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

— O veículo está sempre estragado ou precisando de manutenção. No momento, elas estão sendo levadas para a escola por uma van improvisada, pois o ônibus que fazia a rota tem acessibilidade para cadeirantes. Nós, mães, nos solidarizamos com os pais de crianças que usam cadeiras de rodas. 

Sindy e Sandy são atendidas pela Apae, contudo, segundo Tatiana, o transporte que vai para a instituição não passou em nem um dia deste ano: 

— É muito complicado, pois não temos condições de ir para lá e para cá. Além delas, minha irmã precisa desse ônibus que vai para a Apae. 

Tatiana destaca que o principal problema consiste na falta de melhorias: 

— Ônibus estragados, manutenção precária, em modo geral, em todos os ônibus da prefeitura que atendem as meninas. Além disso, faltam os monitores para cuidar e auxiliar os alunos, porque tem uns que exigem uma ajuda maior, e os pais não podem ir juntos. Tem monitor apenas no ônibus com acessibilidade para cadeirantes. 

Mãe do estudante Douglas Rosa dos Santos, 20 anos, a dona de casa Senilda de Fátima da Rosa, 51 anos, lamenta a frequência com que o fi lho não vai à escola: 

— Ele se agita quando fica em casa, pois gosta de ir ao colégio. Ano passado, foi uma luta ter esse transporte. Às vezes, tenho que levar de ônibus circular, mas é uma situação muito chata — relata Senilda. 

Prefeitura não responde 

Procurada na quarta-feira passada, a prefeitura de Canoas, por meio da Secretaria de Educação, não quis se manifestar sobre as irregularidades e a falta de melhorias. 

Conforme previsto pela Lei Municipal 4206, o transporte escolar para alunos hipossuficientes (quem não possui recursos sufi cientes para o próprio sustento) com deficiência é garantido pelo Programa de Transporte Escolar Gratuito do município. Além disso, é reforçado pela Lei Federal de Inclusão da Pessoa com Deficiência, segundo a qual veículos coletivos devem ser acessíveis, para garantir o seu uso por todas as pessoas. 

Produção: Caroline Tidra

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