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Seu Problema é Nosso30/03/2020 | 15h29Atualizada em 30/03/2020 | 15h42

Iniciativa direciona doações para famílias do Morro da Cruz, em Porto Alegre

A campanha organizada pelo Coletivo Autônomo Morro da Cruz e pela startup Moeda do Bem visa ajudar comunidades a passar pela crise causada com a pandemia de coronavírus

Iniciativa direciona doações para famílias do Morro da Cruz, em Porto Alegre HUBITTAT/Divulgação
Ação é organizada pela ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz e pela startup Moeda do Bem Foto: HUBITTAT / Divulgação

A solidariedade em meio à pandemia de coronavírus tem sido manifestada de diversas maneiras pelo mundo. O sentimento de contribuir para o bem do próximo supera a distância física, gerando união. Na zona leste de Porto Alegre, a ONG Coletivo Autônomo Morro da Cruz e a startup Moeda do Bem desenvolveram um mecanismo para ajudar as famílias do Morro da Cruz e vilas no entorno a passarem pela crise causada pela doença covid-19. 

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De acordo com os idealizadores da ação, devido às orientações para isolamento da população, a renda dessas famílias foi afetada pela interrupção de várias atividades e a impossibilidade de prestar certos tipos de serviços. 

— Com o uso da tecnologia e ferramentas de geoprocessamento, enviamos para as famílias, por meio do WhatsApp, uma mini entrevista sobre como o vírus atingiu a renda e quais eram as necessidades da casa. Desta forma, a plataforma recebeu as respostas e fizemos as análises do público que precisa de auxílio, já tendo a localização das famílias — explica o engenheiro civil e idealizador da Moeda do Bem Adriano Panazzolo, 54 anos. 

Comércios 

Na plataforma da Moeda do Bem, doadores podem contribuir com valores para a compra de alimentos, medicamentos, produtos de higiene pessoal e limpeza. A aquisição dos materiais para distribuição às famílias é uma das responsabilidades do Coletivo Autônomo, formado por voluntários que conhecem as comunidades. 

— Buscamos estabelecimentos no Morro da Cruz que pudessem disponibilizar as cestas básicas e produtos para a movimentação da economia local. Após, identificamos, por prioridade, as primeiras 20 famílias que receberam as doações. Organizamos de uma forma que elas mesmas buscassem nos comércios, com a ideia de direcionar sem criar tumulto e contato entre as pessoas — detalha Adriano. 

Segundo o engenheiro, antes da primeira entrega, que ocorreu na segundafeira passada, dia 23, eram cerca de 200 famílias cadastradas na pesquisa “Emergência Coronavírus”. Após a divulgação, o número subiu para 500 famílias. Atualmente, a pesquisa está fechada até que as famílias já cadastradas sejam atendidas. 

Outras comunidades entre beneficiadas 

Morador do Morro da Cruz e voluntário da ONG, Eduardo Rafael Santos, 31 anos, conta que a pesquisa das famílias tem atendido as comunidades da Vila São José, Vila Coreia e Campo da Tuca, entre outras vilas. Segundo ele, são cerca de 60 mil famílias que vivem na região, muitas em vulnerabilidade social. Além disso, inúmeras delas sobrevivem do trabalho informal, de “bicos”. 

Eduardo atua na organização das doaçõesFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

— Alguns estão se adaptando pela internet, fazendo entregas, mas barbearias estão fechadas e o pessoal não consegue mais trabalhar nos seus comércios. Está difícil para vender e, assim, para comprar o alimento. Há muitos relatos de pessoas que têm passado por necessidade, por isso, nossa missão é auxiliar essas famílias — explica. 

Eduardo é quem faz o contato direto com as pessoas e, por isso, destaca que toma todos os cuidados para que o vírus não seja disseminado, usando luvas e máscara: 

— Estou mais perto dos moradores. Então, acompanhei as entregas, e uma delas foi muito emocionante. As crianças trouxeram desenhos em agradecimento. Só depois que começamos a distribuir as cestas básicas que alguns moradores acreditaram na ação e fizeram o cadastro. Por isso, o número de famílias mais do que dobrou de um dia para outro. 

Conforme o voluntário, até sábado passado, foram entregues pelo menos 135 cestas básicas. 

Gratidão 

A família da dona de casa Andriele de Oliveira Farias, 25 anos, foi uma das atendidas. 

— Em meio ao caos provocado pelo vírus, é maravilhoso saber que existem pessoas empenhadas em possibilitar o básico que a humanidade precisa, que é o amor. O amor ao próximo, a preocupação e a compaixão. Que esse vírus desperte em todos a bondade que já existe nos envolvidos nessa ação. 

Família da dona de casa Andriele de Oliveira FariasFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Atender as famílias é o objetivo do mapeamento

O Coletivo Autônomo Morro da Cruz desenvolve diversos projetos com a comunidade. Segundo a presidente da ONG, a antropologa Lúcia Scalco, eles vão além das atividades no turno inverso ao da escola. Ela explica que a pesquisa usada para atender a emergência criada pela pandemia de coronavírus é dinâmica, e o projeto de mapeamento das famílias já era planejado, antes, para outros objetivos, além da distribuição de produtos essenciais. 

— Queremos levar informação, afeto, entretenimento e atendimento psicológico, entre outras ações. Em todo meu trabalho de 15 anos no Morro da Cruz, faço a escuta deles. Por meio dessa plataforma, queremos saber as demandas, seguir interagindo, tornar esse projeto um modelo para outros lugares — explica Lúcia. 

Segundo ela, o canal de comunicação a partir do cadastrado é uma das formas de se construir uma rede unindo quem pode ajudar e aqueles que precisam de ajuda: 

— Com essa base tecnológica, queremos fazer a tradução de informações, responder o que são fake news, dar auxílio médico, fazer essa conexão. Meu trabalho é essa ponte para que todos possam construir e aprender juntos, reconhecendo as potencialidades e o protagonismo das pessoas que vivem nas comunidades. 

A Moeda do Bem foi criada para conectar os doadores e com os projetos sociais da ONG. Segundo Adriano, seria uma forma de o doador fazer sua contribuição de uma forma fácil. 

— A startup nasceu com o intuito de usar a tecnologia para ajudar as comunidades. Começamos arrecadando recursos e atraindo estabelecimentos que beneficiassem os doadores — explica. 

Para a “Emergência Coronavírus”, Adriano afirma que a ação depende, apenas, da logística local para organização dos produtos e de mais doações: 

— É importante destacar que, com parceria e a tecnologia, podemos ajudar muitas famílias. 

Como ajudar

/// Para auxiliar no atendimento às necessidades emergenciais das famílias, acesse moedadobem.com.br

/// No site, acompanhe para onde está indo sua doação. 

/// Para obter mais informações, envie um e-mail para contato@moedadobem.com.br

Produção: Caroline Tidra

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