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Seu Problema é Nosso10/03/2020 | 12h29Atualizada em 10/03/2020 | 12h29

No bairro Sarandi, posto de saúde está sem médico há cerca de um mês

Unidade da zona norte de Porto Alegre deveria atender a comunidade da Vila Esperança Cordeiro

No bairro Sarandi, posto de saúde está sem médico há cerca de um mês Isadora Neumann/Agencia RBS
Na semana passada, cartazes alertavam pacientes Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

Há, pelo menos, um mês, a comunidade da Vila Esperança Cordeiro, no bairro Sarandi, tem pensado duas vezes antes de ficar doente. Isso porque, desde então, a Unidade de Saúde (US) Esperança Cordeiro está sem médicos para atender a população.  

De acordo com moradores da região, o posto chegou a ficar quase um mês sem prestar nenhum tipo de serviço, sem funcionários sequer para entregar remédios. Na entrada, um encarregado avisava a quem procurava a unidade que não haveria atendimento.

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Segundo relatos, na semana passada, algumas atividades foram retomadas – como a distribuição de medicamentos. Porém, para quem precisa passar por um médico, a situação continua difícil. Esse é o caso da empregada doméstica aposentada Sueli Schardosim, 59 anos, que tinha consulta marcada para o dia 26 de fevereiro e não conseguiu atendimento. Ela, que sofre com diabetes e hipertensão, faz uso de medicamentos controlados e está há cerca de 20 dias sem tomar os remédios, pois ainda não conseguiu renovar a receita. 

– Não me ligaram nem para desmarcar, ninguém avisou nada. Por acaso, encontrei uma agente de saúde na rua e ela me disse que nem adiantaria eu ir, porque não tinha médico – conta a aposentada.

Distância

Mesmo assim, Sueli foi até o posto para esclarecer a situação, sendo orientada a buscar o atendimento em horário ampliado oferecido pela US Ramos, localizada no bairro Santa Rosa de Lima (em março do ano passado, a unidade passou a atender até as 22h). 

Porém, a solução apresentada está longe de resolver os problemas dos usuários da US Esperança Cordeiro. Distante cerca de quatro quilômetros do posto de origem, a população tem de pegar dois ônibus para chegar à nova unidade. A pé, a caminhada leva de 40 minutos a uma hora.

– Mandaram ir nesse outro posto, mas precisamos pegar dois ônibus. Eu mesma nem sei como se faz para chegar lá. Além disso, temos que ir para o atendimento da noite. Aí, teremos que voltar de ônibus, à noite, de um lugar desconhecido. Me sinto insegura – desabafa Sueli, que vai esperar o salário cair na conta para, então, ter condições de chamar um motorista de aplicativo para levá-la à US Ramos. Enquanto isso, continuará sem tomar os remédios de que necessita. 

A comerciária Kellen Tatiana Stregue, 33 anos, é mais uma usuária que se vê prejudicada pela situação. Em dezembro, ela consultou na Esperança Cordeiro, quando lhe foram solicitados exames. Com os resultados em mãos, deveria retornar para consulta no início de janeiro. 

Impasse

Pega de surpresa pela informação de que o posto estaria fechado, conta que, apesar de o atendimento não ser exemplar, a comunidade nunca havia enfrentado um impasse dessa proporção:

– O posto sempre teve seus problemas. Por exemplo, quando o médico sai de férias, a gente fica sem ninguém, sempre foi assim. Mas, na medida do possível, ele funcionava. Agora, quando a gente chega lá, só dizem que não tem previsão e, formalmente, não fomos comunicados de nada.

Boato de fechamento

Inaugurada há cerca de dez anos, a US Esperança Cordeiro aproximou o serviço de saúde da comunidade da vila de mesmo nome – que, antes, era atendida no bairro Passo das Pedras. Kellen recorda-se da inauguração e conta que foi uma tranquilidade passar a consultar perto de casa. Mas, desde a interrupção dos atendimentos, o boato que corre pelas ruas da região é de que a unidade deve fechar em definitivo. 

Sem receber nenhuma explicação contundente sobre a situação, a comunidade se vê de mãos atadas.

– Nos sentimos negligenciados, pois olha quantas famílias dependem desse posto e estão sem atendimento. Não sei se é só o nosso ou se são vários nessa situação, mas sinto falta de saber o que está acontecendo. Deveríamos receber uma satisfação – opina. 

Para Sueli, o boato é motivo de tristeza:

– Todos estão comentando que não terá mais posto aqui na vila. Me sinto triste e preocupada, porque gostaria de ter uma certeza. Precisamos saber se vamos continuar aqui ou se irá fechar. 

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - 05.03.2020 - Unidade de saúde sem médico. (Foto: Isadora Neumann/Agencia RBS)Indexador: ISADORA NEUMANN
Comunidade se sente desassistidaFoto: Isadora Neumann / Agencia RBS

Atendimento será retomado amanhã

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, a US Esperança Cordeiro está sem médico desde o dia 6 de fevereiro, quando o profissional que atendia a unidade solicitou seu desligamento. A pasta confirmou que o posto esteve fechado por 10 dias, de 13 a 26 de fevereiro, pois ficou sem outros profissionais de nível superior (enfermeiras e dentista). Atualmente, a unidade permanece sem atendimento médico e odontológico. Demais serviços, como distribuição de medicamentos, vacinação, consultas de enfermagem e testes rápidos estão sendo ofertados no local. 

Orientação

Para quem necessitar consultar com um médico no mesmo dia, no caso de quadros clínicos agudos, a orientação é procurar as unidades de saúde Costa e Silva (Dante Ângelo Pila, 373 – Rubem Berta) e Santa Fé (Professor Álvaro Barcelos, 520 – Rubem Berta). Já para casos eletivos, a SMS orienta que os usuários busquem o atendimento em horário ampliado na US Ramos (esquina das ruas K e C, s/n – Vila Nova Santa Rosa, Rubem Berta).

A expectativa é de que os atendimentos na US Esperança Cordeiro sejam retomados amanhã, com a chegada das equipes contratadas pelo Instituto de Cardiologia, em substituição ao IMESF. De acordo com a pasta, outras 16 unidades também estão sem médicos. Como principais motivos estão o fim do contrato com o programa Mais Médicos, desligamentos e férias de profissionais.

Quanto ao boato sobre o possível fechamento da US Esperança Cordeiro, a secretaria informou que não há nenhuma tratativa nesse sentido.

Produção: Camila Bengo

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