Coronavírus reduz total de vagas em albergues, e prefeitura amplia abrigos 24h para moradores de rua na Capital - Notícias

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Assistência social13/05/2020 | 20h51Atualizada em 13/05/2020 | 20h51

Coronavírus reduz total de vagas em albergues, e prefeitura amplia abrigos 24h para moradores de rua na Capital

Locais tiveram de adaptar suas instalações e, com isso, capacidade foi duramente afetada

Coronavírus reduz total de vagas em albergues, e prefeitura amplia abrigos 24h para moradores de rua na Capital Instituto Espírita Dias da Cruz / Divulgação/Divulgação
Instituto Espírita Dias da Cruz é rígido nas regras e exige que todos os usuários tomem banho ao acessar os dormitórios Foto: Instituto Espírita Dias da Cruz / Divulgação / Divulgação

A obrigatoriedade de distanciamento entre as camas — exigência dos órgãos de saúde para evitar a disseminação do coronavírus — reduziu o total de vagas ofertadas a pessoas em situação de rua nos albergues de Porto Alegre. Desde o mês de abril, os locais tiveram de adaptar suas instalações e, com  isso, a capacidade foi duramente afetada. 

Com dois pontos de pernoite vinculados à Fundação de Assistência Social e Cidadania (Fasc), o município passou a oferta 99 leitos. Antes da pandemia, esse número era de 385, uma diminuição de 75%.

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Rígido nas regras de convivência, o Instituto Espírita Dias da Cruz (Avenida Azenha, 366) exige que todos os usuários tomem banho ao acessar os dormitórios. Frequentadores com sinais de embriaguez ou alterações pelo uso de drogas também são barrados. Com a pandemia de coronavírus, outros cuidados foram adicionados: há medição da temperatura no portão de entrada, oferta de álcool gel e de máscaras de proteção facial. De acordo com o presidente da instituição, Éder Geraldo Cardoso, as ações preventivas são bem aceitas por quem busca o espaço para passar a noite. 

— São pessoas que estão preocupadas em não se contaminar e aqui sempre tiveram de seguir as nossas regras. A gente fala que, se um se contaminar, todos serão prejudicados, com o fechamento da instituição — reforça o gestor da casa de acolhimento. 

O Dias da Cruz atende, hoje, cerca de 50 homens e mulheres, pouco mais da metade de sua capacidade. Parte dos beliches foi interditada, com apenas uma das camas disponível. Não há, segundo o presidente, demanda represada de pessoas na rua. 

— Creio que o medo de contaminação tenha reduzido a procura. A gente ajeita aqui e ali e atende os que nos procuram — complementa.

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Segundo a presidente da Fasc, Vera Ponzio, todos os locais estão com espaço mínimo de 1,5 metro entre os leitos. 

— Estamos seguindo as recomendações e redobrando os cuidados com a limpeza — reforça. 

Na Zona Norte, o antigo albergue Monsenhor Felipe Diehl passou a se chamar abrigo Renascer. Com a mudança, o local passou a oferecer em torno de 80 leitos de acolhimento dia e noite, sem necessidade de a pessoa atendida deixar a instituição logo após o café da manhã. 

A troca modificou a paisagem em frente à casa, na praça dos Navegantes, no bairro de mesmo nome: às 6h30min desta quarta-feira (13), apenas funcionários foram vistos deixando o local, na troca de turno. Os internos seguiam dormindo.

O rearranjo das vagas aumentou a oferta de abrigos 24 horas no município: hoje, 395 pessoas podem ser atendidas nos 10 locais públicos ou que têm parceria com a prefeitura. Nesses abrigos, há assistentes sociais, auxílio médico e alimentação. No início do ano, eram 238 nessa modalidade.

O fechamento dos galpões de reciclagem, atividade principal de boa parte das pessoas que perambulam pelas ruas da cidade, é, atualmente, uma das medidas mais impactos impostas pelas restrições do Executivo. 

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— Não tenho onde vender minhas coisas — reclama o carrinheiro Gelson da Silva, 61 anos. 

Somados, os albergues e abrigos disponibilizam 494 vagas, uma redução de 20,5% no número de leitos se comparado ao primeiro trimestre de 2020. 

 
 
 
 
 
 
 
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