Mesmo sem ensaiar juntos, integrantes de banda marcial de Viamão ganham campeonato nacional online - Notícias

Versão mobile

 
 

Superação 27/08/2020 | 05h00Atualizada em 27/08/2020 | 05h00

Mesmo sem ensaiar juntos, integrantes de banda marcial de Viamão ganham campeonato nacional online

Jovens de diversas escolas do município foram campeões em quatro categorias do evento.

Mesmo sem ensaiar juntos, integrantes de banda marcial de Viamão ganham campeonato nacional online Isadora Neumann/Agencia RBS
Monique integra o grupo desde 2017 Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

A pandemia do coronavírus não foi desculpa para a turma de uma banda marcial de Viamão deixar de lado uma competição nacional. Mesmo sem ensaiar juntos desde que o distanciamento social virou uma rotina, em março, o grupo abraçou o convite para um campeonato online e acabou levando quatro troféus de primeiro lugar para casa – foram quatro categorias vencidas entre as seis do evento.

Formada por alunos de diversas escolas do município da Região Metropolitana, a Banda Comunitária Viamão (BCV) surgiu em 2016. O pontapé inicial foi na Escola Municipal de Ensino Fundamental Alberto Santos Dumont, uma das cinco instituições municipais onde o professor Éwerton Souza, 24 anos, dá aulas de música. Com a banda marcial formada lá, a ideia era participar de competições, mas isso não foi autorizado. Então, para representar o município, Éwerton montou a BCV com jovens de várias instituições, mas sem ligação direta com alguma escola específica.

– A prefeitura não permitiu que participássemos como escola, então, os próprios pais nos incentivaram a fazer a banda de maneira independente. Nas primeiras competições, usamos os instrumentos emprestados da escola. Depois, fomos conseguindo os nossos – recorda Éwerton.

Leia mais
Banda comunitária de Viamão busca apoio para a compra de novos figurinos
Professor ajuda a manter viva a tradição das bandas marciais em Viamão
Conheça a banda com instrumentos de lata de Itapuã

Com a popularidade da banda, mais pais procuraram a turma para matricular os filhos. E esse empenho logo resultou em ações como a venda de rifas, que tiveram seus valores revertidos para a compra dos instrumentos próprios da banda comunitária. Hoje, conforme Éwerton, são 48 membros integrando a BCV, com jovens de várias regiões de Viamão e alguns até da Capital. 

No início de 2020, com a retomada dos ensaios, até um espaço foi alugado no bairro Índio Jari, sede da banda, para comportar todos. Porém, a diversão mesmo era quando os ensaios ocorriam na praça do bairro, em frente ao local alugado. Só que a pandemia do coronavírus mudou todo este cenário. Com o distanciamento social e a necessidade de se prevenir do coronavírus, os encontros foram suspensos. 

Banda Comunitária Viamão (BCV) junto ao professor Éwerton Souza
Turma pronta para a competição Foto: Éwerton Souza / Arquivo Pessoal

Em casa desde o primeiro trimestre, a turma não tinha muitas atividades para realizar além de pequenos treinos para não perder o compasso com seus instrumentos. Porém, há pouco mais de um mês, os alunos foram surpreendidos quando o professor Éwerton veio com uma proposta diferente: participar uma competição online.

– Como já participamos de diversos eventos, quando há alguma iniciativa, acabamos sendo convidados. Foi o que aconteceu neste caso. O campeonato foi organizado por uma associação de Santa Catarina – explica Éwerton.

Ensaios individuais e gravação em casa de participante

O 1º Campeonato Brasileiro Virtual de Bandas e Fanfarras foi feito de forma totalmente a distância. De cada cidade, as bandas enviaram os vídeos correspondentes às categorias participantes. E por meio dessas gravações, os trabalhos foram avaliados. Quem organizou a competição foi a Associação de Bandas Marciais e Fanfarras do Estado de Santa Catarina (Abanfaesc). No total, o evento teve seis categorias competitivas. A BCV venceu em quatro.

O desafio maior para os jovens foi ensaiar separadamente. Cada um na sua casa, eles recebiam as lições do professor e se preparavam para o dia da gravação. Na data, inclusive, não foram todos os membros da banda que compareceram. Apenas 10 alunos se encontraram para registrar a apresentação competitiva.

– Usamos máscaras, mas também respeitamos o distanciamento para as gravações. Foi tudo feito com muita segurança – explica o professor.

A gravação ocorreu na casa de uma das alunas da banda, a estudante Monique Fonseca, 16 anos. Integrante da BCV desde 2017, Monique conheceu o projeto por meio das aulas de música que Éwerton ministrava na sua escola. Hoje, ela toca escaleta, lira e pratos. Para a jovem, a participação foi um momento de fazer algo diferente em meio à rotina do isolamento:

– Achei bem legal. No momento que estamos passando, é difícil achar coisas diferentes para fazer. Participar foi uma ótima oportunidade, vencer em várias categorias foi ainda melhor.

 
 
 
 
 
 
 
Diário Gaúcho
Busca