Com dívida de R$ 115 milhões, prefeitura de Canoas assume Hospital Nossa Senhora das Graças - Notícias

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Saúde em crise04/11/2020 | 20h35Atualizada em 04/11/2020 | 20h35

Com dívida de R$ 115 milhões, prefeitura de Canoas assume Hospital Nossa Senhora das Graças

Intervenção tem prazo de 180 dias e objetivo de manter aberto a emergência, que correu risco de fechar

Com dívida de R$ 115 milhões, prefeitura de Canoas assume Hospital Nossa Senhora das Graças Tadeu Vilani/Agencia RBS
Com 80% dos atendimentos via SUS, o Hospital Nossa Senhora das Graças atende em Canoas há 58 anos Foto: Tadeu Vilani / Agencia RBS

Referência em tratamento de câncer pelo Sistema Único de Saúde (SUS) na Região Metropolitana, o Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG) está sob intervenção da prefeitura de Canoas. A Secretaria Municipal da Saúde decidiu assumir o controle da instituição para manter o atendimento à população após ser comunicada sobre o risco de fechamento da emergência e do agravamento da crise financeira.

Segundo o secretário municipal de Saúde, Fernando Ritter, a antiga gestão, feita pela Associação Beneficente São Miguel (ABSM) por um ano e oito meses, relatou que a pandemia e a suspensão de cirurgias eletivas pioraram a já difícil situação das contas. 

— Nomeamos a secretaria adjunta da Saúde para fazer a intervenção e colocamos servidores públicos, que estão neste momento dentro do hospital equalizando os processos. Estamos não só garantindo a manutenção da emergência, mas vamos fazer mudanças para ampliar o atendimento e reativar leitos que foram desativados — garante Ritter.

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O plano do município é permanecer por seis meses (180 dias) na gestão do hospital. 

Com 80% dos atendimentos via SUS, o HNSG atende em Canoas há 58 anos e possui habilitação para média e alta complexidade em neurologia e traumatologia. É referência na cidade e região em oncologia e oftalmologia, e concentra 30 leitos de unidade de terapia intensiva (UTI).

— Não podemos abrir mão do hospital. O objetivo era não fazer durante o período eleitoral, mas a possibilidade de suspensão da emergência nos obrigou a adiantar esse processo — prossegue Ritter.

Preocupação de trabalhadores, a prefeitura ainda assegura que manterá em dia o pagamento de funcionários, fornecedores e médicos.

Hospital em dívidas

Melissa Fuhrmeister, diretora administrativo-financeira da gestão ligada à Associação Beneficente São Miguel, revela que o hospital possui mais de R$ 115 milhões em dívidas e que algumas "se estendem há mais de 50 anos". Só com a Caixa Econômica Federal são R$ 22 milhões.

Ela afirma que a última gestão vinha atingindo bons resultados na recuperação da saúde financeira da instituição, mas a pandemia agravou de vez a crise:

— Chegou ao ponto que teria ou que fechar a emergência, ou todo o hospital, porque não tinha mais receita para pagar. Sem cirurgia eletiva que fazíamos por convênios, o dinheiro não entra.

A ABSM ainda produziu um relatório, de 300 páginas, no qual detalha os problemas e as soluções encontradas na instituição. O grupo também manifestou que não estava interessado em continuar no comando do hospital após os 180 dias de intervenção da prefeitura.

"Mesmo com todas as evidências de uma gestão transparente, modernizada, enxuta e voltada ao aspecto da humanização e qualificação dos serviços, a direção da ABSM, embora honrada com o pedido do município para que a mesma efetuasse a transição no hospital durante a requisição, manifestou o não interesse, por razões internas devido a desgastes contratuais sofridos durante a gestão e que ferem a filosofia de atuação e modelo de gestão aplicados pela ABSM", consta em trecho da nota.

Contas em aberto

A prefeitura de Canoas explica que irá fazer um levantamento de todas as dívidas existentes no hospital. Dos mais de R$ 115 milhões, devem ser pagos de forma prioritária aqueles que impedem o bom funcionamento da instituição. O restante, permanecerá em aberto, sob responsabilidade da mantenedora, que é a Associação Beneficente Canoas (ABC).

GZH entrou em contato para o presidente da ABC, Osório Biazus. O empresário atendeu a primeira ligação e disse que a situação "está com a prefeitura". Logo em seguida, o telefonema caiu. A reportagem tentou refazer, mas não obteve retorno.

 
 
 
 
 
 
 
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