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Eu Sou do Samba07/01/2021 | 10h51Atualizada em 07/01/2021 | 10h52

Liliane Pereira: baluartes celebram e relembram os 40 anos da Imperatriz

Colunista escreve nas edições de quinta-feira do Diário Gaúcho

Liliane Pereira: baluartes celebram e relembram os 40 anos da Imperatriz Omar Freitas/Agencia RBS
Liliane Pereira Foto: Omar Freitas / Agencia RBS

Na última terça-feira (5), a escola de samba Imperatriz Dona Leopoldina, de Porto Alegre, completou 40 anos. 

Entre os feitos da escola, que já foi campeã do Carnaval da Capital duas vezes, está a capacidade que tem em comum com outras agremiações: a de salvar vidas. Para vocês entenderem melhor o que quero dizer com isso, vou contar rapidamente a história de Tânia Maria da Silva Amaro, 69 anos. 

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Ela faz parte da escola há cerca de 35 anos e, entre outras funções, integrou a primeira formação do departamento feminino da escola. Embora a ligação familiar com a agremiação se dê desde a fundação, ela não costumava frequentar o local com assiduidade, em função dos cuidados com os filhos. Tânia é mãe de dois meninos e de uma menina. Um dos meninos, porém, morreu aos cinco anos, vítima de anemia falciforme. Alguns dias antes de falecer, Vitor Júnior pediu à mãe que fosse para a Imperatriz ajudar as crianças.

 PORTO ALEGRE, RS, BRASIL - 05.01.2020 - Grupo de baluartes da escola Imperatriz Dona Leopoldina se reúne no boteco Pedrini para comemorar os 40 anos da escola. Na imagem, Tânia Maria da Silva Amaro. (Foto: Isadora Neumann/Agencia RBS)Indexador: ISADORA NEUMANN<!-- NICAID(14684113) -->
Tânia, 69 anos: “A Imperatriz me salvou do sofrimento”Foto: Isadora Neumann / Agencia RBS

– Eu entendi que ele me pediu isso porque sabia que iria partir, e que essa seria uma forma de canalizar o meu sofrimento pela perda dele. Além de ser um meio de ajudar as crianças da comunidade. Desde então, passei os anos me dedicando aos projetos sociais da escola, realizados no bairro Rubem Berta (onde fica a quadra) – conta Tânia, que se emociona com as lembranças:

– Algo entre as crianças e eu sempre foi especial. Muitos se encantavam com meu colares e penduricalhos. Sempre gostei de me enfeitar. E percebi que, com as minhas roupas e o meu jeito de ser, conseguia passar alegria e conquistar a confiança delas. Hoje, muitos me apresentam seus filhos como se fossem meus netos, e isso não tem preço. A Imperatriz me salvou do sofrimento. Como diz o ditado da escola: sou feliz porque sou Imperatriz.

Explosão de alegria

Carmen Martin Lopes, de 75 anos, integra a agremiação desde a fundação. Ela, que já desempenhou diversas funções e, atualmente, é segunda secretária da diretoria executiva, relembra cenas marcantes:

– Entre os momentos inesquecíveis estão as duas conquistas do título de campeã do Carnaval de Porto Alegre. Mas a primeira vez foi muito marcante, pois estávamos vivendo um momento de grande superação. Nossa quadra havia sido quase totalmente destruída por um temporal. Quando vi os estragos, fiquei estarrecida, parecia não ter volta. Tudo o que tínhamos em termos financeiros teve que ser utilizado para a reconstrução da quadra. Precisamos fazer os ensaios no barracão,  longe da nossa comunidade. Mas, quando veio o resultado, em função de tudo o que passamos, nosso grito de alegria foi muito maior – relata Carmen.

Já Marisa Salazar, 62 anos, tem marcado na vida o fato de ter sido a primeira rainha da escola. Hoje, ela atua como conselheira. Marisa também teve o privilégio de ter visto a filha, Pamella Salazar, como primeira porta-estandarte da escola há alguns anos.

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Ajuda para a comemoração

Como forma de comemoração, André Nunes Santos, presidente da Imperatriz Dona Leopoldina, pede o apoio de empresários e simpatizantes para a realização de uma live comemorativa. 

Os recursos obtidos serão utilizados para ajudar a saldar despesas fixas da escola, que desde março de 2020 está impossibilitada de fazer seus eventos. 

E também para arrecadar alimentos que serão distribuídos para a população mais carente da comunidade.


 
 
 
 
 
 
 
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