Liliane Pereira conta como a Imperadores do Samba ajudou a moldar sua autoestima  - Notícias

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Eu Sou do Samba21/01/2021 | 05h00Atualizada em 21/01/2021 | 05h00

Liliane Pereira conta como a Imperadores do Samba ajudou a moldar sua autoestima 

"Na quadra eu me sentia bem, aceita e em casa", diz a colunista

Liliane Pereira conta como a Imperadores do Samba ajudou a moldar sua autoestima  Adriana Franciosi / Agencia RBS/Agencia RBS
A colunista Liliane Pereira em 2003, com a bandeira da Imperadores Foto: Adriana Franciosi / Agencia RBS / Agencia RBS

Não faço homenagens a todas as escolas de samba nas datas dos seus aniversários. O motivo é que não dou conta. Mas sobre aniversariante desta semana eu não teria como não falar, simplesmente porque é a escola do meu coração. A Imperadores do Samba completou 62 anos dia 19.

Nunca foi segredo pra ninguém que essa é a minha escola. Nem poderia ser diferente, já que foi lá que exerci minha veia carnavalesca ativamente por quase 20 anos. Na Vermelho e Branco eu fui da corte infantil, passei por todas as etapas como porta-bandeira – de mirim até ser a primeira – fui eleita rainha da escola e tive a honra de ser rainha da bateria, cercada de pessoas muito queridas em minha vida.

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Autoestima

Mas para muito além de qualquer cargo ou título, o maior presente que a Imperadores do Samba me deu foi o desenvolvimento da minha autoestima e do meu entendimento de quem eu era na sociedade.

É ainda doloroso admitir que, por estudar em um colégio onde eu era uma das únicas crianças negras, sofri muito por causa do preconceito racial. Entre as pessoas que me cercavam naquele educandário, a grande maioria me travava mal, com desdém e me fazendo acreditar que eu era feia e burra apenas por ter a pele escura.

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Esse é um assunto que precisaria de muitas linhas para ser abordado, mas o fato é que foi frequentando as escolas de samba, principalmente a Imperadores, que me encontrei e me aceitei como uma menina negra de cabelos crespos e pele escura. Lá, a maioria das pessoas tinha perfil físico igual ou muito parecido com o meu. Lá na Padre Cacique, onde fica a quadra, eu me sentia bem, aceita e em casa. De quebra, ainda aprendi a sambar, girar como porta-bandeira e ganhar ritmo. Sim, meu queridos, não nasci sabendo sambar nem rodopiar...

Convívio social

Bem, essa descrição é para reforçar a importância que uma instituição como essa tem na vida de tantas outras crianças e adultos. Como diz uma amigo carnavalesco com quem costumo conversar sobre esses assuntos, as escolas de samba fazem, há muito tempo, o papel de ajudar a estimular e desenvolver o convívio social.

O samba e o Carnaval vão muito além de música e samba no pé. Existe uma função humanitária e de identificação que faz muita diferença na vida de quem frequenta esses locais.

 
 
 
 
 
 
 
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