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Sapucaia do Sul03/02/2021 | 11h22Atualizada em 03/02/2021 | 16h16

Do auxílio emergencial para o açaí: a história de quem usou o benefício para empreender

Claudionor Santos usou metade das parcelas para comprar um carrinho e hoje vende seu produto no centro de Sapucaia do Sul

Do auxílio emergencial para o açaí: a história de quem usou o benefício para empreender Caroline Tidra / Agencia RBS/Agencia RBS
Econômico e estratégico Foto: Caroline Tidra / Agencia RBS / Agencia RBS

Em um momento difícil para a economia do país e para muitos brasileiros, Claudionor Santos, 47 anos, de Sapucaia do Sul, conseguiu empreender e, hoje, afirma que sua história é de superação. Ele estava desempregado havia dois anos e viu a sua situação financeira piorar com a chegada da pandemia

Em meados de abril do ano passado, Claudionor obteve o auxílio emergencial do governo. Com os R$ 600 mensais, ele se virava para pagar as contas, suprir algumas necessidades e guardar metade do valor para o futuro próximo. 

— Eu pensava: "Esse auxílio vai terminar, e se eu não conseguir trabalho? Então, tenho que guardar um pouco desse dinheiro para planejar alguma coisa. Ou para procurar emprego e ter como pagar passagens e currículos ou para comprar alguma coisa para vender". Foi quando eu tive a ideia do carrinho de açaí. Investi metade de todas as parcelas do meu auxílio emergencial no meu negócio — relembra sobre a estratégia que adotou na hora de separar o valor. 

Metalúrgico por mais de 20 anos, ele ficou sem trabalho em 2018. Para ter alguma renda, nas temporadas de verão, viajava para o Litoral em busca de oportunidades. 

— Trabalhei como garçom, vendedor ambulante de churrasquinho e de açaí. Foi lá na praia que eu aprendi — conta Claudionor. 

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Carrinho

O empreendedor explica que, antes de aplicar o investimento, pesquisou sobre marcas do produto e sobre o carrinho:  

— Eu dei uma entrada no carrinho e fui pagando a cada parcela que entrava do auxílio. Depositava na conta da empresa e, quando quitei, me entregaram ele. Eu que desenhei os detalhes, como a mesinha de apoio e os suportes. Mas só o carrinho não me adiantava, tive que comprar a placas (usadas para gelar), as garrinhas, o banner e os complementos. Todos os materiais, eu pagava direto com o aplicativo do Caixa Tem.

Além de usar o valor à vista, Claudionor negociou um desconto com o fornecedor do açaí para ter o produto na sua inauguração.  

— No dia 21 de novembro, quando estacionei o carrinho todo montado, sem um real no bolso nem mais nada das parcelas para receber, fiz cerca de R$ 400. Vendi as duas caixas de açaí que eu tinha. No outro dia, gastei para repor o produto. Depois disso, comecei a ver que o negócio tinha dado certo — conta Claudionor. 

Obedecendo os protocolos de segurança contra o coronavírus, o vendedor fica estacionado, durante as tardes, no calçadão de Sapucaia do Sul, na região central e próximo à estação do trensurb, um lugar que ele considera estratégico. 

— É um ponto onde circula muita gente, e tem comércio. Já fiz uma clientela aqui — diz Claudionor, enquanto atende duas novas clientes. 

Fonte de inspiração para outras pessoas

A história de Claudionor do Açaí ganhou cerca de 500 compartilhamentos no Facebook. 

— A gente sabe que essa pandemia atingiu a todos, os grandes e os pequenos. Às vezes, as pessoas têm um recurso, mesmo que pouquinho. Mas, daqui a pouco, dá para começar algo pequeno, em casa, uma produção própria, e multiplicar aquela renda. Eu comecei com R$ 300 por mês do meu auxílio e, hoje, para mim, se tornou um negócio de sucesso — explica.

O empreendedor não pensa em parar tão cedo e quer que sua vitória inspire outros empreendedores a conquistar espaço no mercado: 

— O açaí me abriu portas e, agora, tiro meu sustento daqui. Meu sonho é crescer e até ter uma loja física ou mais carrinhos de açaí.

Produção: Caroline Tidra

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