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Empreendedorismo09/02/2021 | 06h00Atualizada em 09/02/2021 | 06h00

Reinvenção usando a cozinha de casa: a história de quem mudou de ramo na pandemia

O Sebrae dá dicas para cinco tendências no segmento de alimentação

Reinvenção usando a cozinha de casa: a história de quem mudou de ramo na pandemia Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Gisa, que atuava em salão de beleza, apostou na produção de refeições saudáveis Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Com o salão de beleza de portas abertas, mas movimentação baixa da clientela, a autônoma Gislaine Lopes Motti, 42 anos, se reinventou em seu próprio negócio. A ideia de ingressar no setor de alimentos começou em uma conversa descontraída com uma das frequentadoras do salão que Gisa, como é conhecida em Osório – cidade em que reside – administrava. 

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– Começamos a falar sobre reeducação alimentar, que eu faço na minha rotina. Mostrei para ela como montava meus pratos, bem coloridos, sendo metade dele com saladas e legumes e, a outra, com carboidrato e proteína, como a nutricionista ensinou. Ela me perguntou: “Tu não faz para mim? Eu trago um potinho todo dia”. Eu aceitei e, por uma semana, fiz o pote para ela – relembra o início do negócio, em outubro do ano passado. 

Segundo Gisa, após uma semana entregando a porção para a cliente do salão, ela decidiu ir em uma loja comprar as embalagens específicas: 

– Quando montei oficialmente a primeira marmita me apaixonei. Essa cliente mostrou para a filha, que também pediu e compartilhou na rede social. A partir daí se expandiu (o negócio). Depois que eu percebi que as pessoas começaram se interessar, procurei um curso para saber mais.

Devido à pandemia, Gisa, que atuava como cabeleireira e manicure, viu a renda mensal cair consideravelmente. O cenário foi mudando com a produção de comida e o retorno financeiro triplicou em relação ao atendimento no salão:

– Até chegar a pandemia, o salão sempre me sustentou. Mas depois, cerca de 80% da clientela parou de frequentar. Fui obrigada a me reinventar, mas tudo aconteceu naturalmente. 

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Cardápio leva ingredientes orgânicosFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Saudável

Um dos objetivos de Gisa é produzir uma refeição saudável para os clientes e, para isso, ela consulta nutricionistas para a montagem de pratos e lanches. Com feijão, legumes e verduras fornecidas pelo esposo, que é agricultor, as marmitas da Gisa levam ingredientes frescos e as porções são pesadas. 

– Tenho contato com uma nutricionista que dá ideias de pratos e eu também os crio. Sempre que tenho dúvidas, ela me ajuda. No meu último lançamento, que é o fit snack (lanche), tive o aval dela – detalha. 

Hoje, a empreendedora produz almoços diários  prontos para o consumo, combos de marmitas congeladas, saladas no pote, lanches fit e sucos naturais. Em pouco mais de quatro meses, Gisa comemora o crescimento da página no Instagram e projeta ampliar a produção:

– Meu maior retorno é saber que as pessoas estão comendo bem. Planejo fazer bolos, também fit. Quero que meu produto seja o verdadeiro saudável para um público que come bem, dentro de uma dieta. 

Segmento de alimentação está em alta

O setor de alimentos é essencial para a comunidade, um dos principais que movimentam a economia, mesmo com a crise do coronavírus. De olho nisso, o Sebrae listou uma série de opções que estão em alta. 

O segmento de alimentação para consumo em casa foi uma das atividades, dentro do universo das micro e pequenas empresas, que conseguiu atravessar a crise do coronavírus de forma um pouco menos apreensiva que outros setores. Apesar das medidas de isolamento social, os consumidores permaneceram comprando comidas prontas de diversas formas. Uma pesquisa do Sebrae sobre o impacto da pandemia, mostrou que o setor de alimentação foi o que mais inovou no período, com cerca de 53% dos negócios lançando algum produto ou serviço diferenciado. Nesse contexto, produzir congelados, marmitas e outros produtos na cozinha de casa, assim como Gisa, permanece sendo uma alternativa para quem quer começar a empreender em 2021.

Além da vasta diversidade de alimentos que podem ser produzidos e vendidos, esses modelos de negócios contam com vantagens tais como: menor custo na montagem da estrutura inicial, possibilidade de terceirizar a entrega por meio de aplicativos especializados, driblar o desemprego gerando renda e se formalizando como Microempreendedor Individual, entre outras. Para ajudar a montar um negócio usando a cozinha de casa, o Sebrae reuniu dicas para cinco tendências no segmento de alimentação. 

Sebrae lista cinco tendências no setor

/// Marmitas: a venda de refeições prontas é um clássico. O segmento apresenta grande flexibilidade para a chegada de novos empreendedores. Apesar da grande concorrência, os clientes sempre querem experimentar um tempero novo. A maioria dos consumidores situa-se em áreas que apresentam grande concentração de escritórios, lojas, consultórios e serviços públicos. As pessoas que recorrem a este serviço utilizam, como meio de pagamento, cupons de refeição (vale-refeição e vale-alimentação) fornecidos pelos empregadores.

/// Refeições congeladas: a praticidade de comprar o cardápio da semana inteira em pequenas porções variadas conquistou seu espaço no mercado, principalmente quando se trata de refeições mais saudáveis, focadas em pessoas que possuem restrições em relação a glúten, lactose ou buscam o uso de ingredientes orgânicos, por exemplo. As oportunidades são amplas e não se restringem ao público fitness. É importante uma análise sobre os nichos a serem explorados e a decisão sobre o público a ser atingido, geralmente composto por solteiros, casais jovens e pessoas que moram sozinhas. Desde comida light até massas e pizzas, a oferta de alimentos congelados precisa agradar o perfil da demanda local.

/// Bolos e tortas: uma casa de bolos e tortas é um tipo de negócio que está diretamente relacionado a momentos de alegria e prazer e comemorações, que podem ser traduzidos em sabores variados para atender ao gosto de cada cliente. Mesmo em tempos de pandemia, esse é um tipo de produto que não tem a sua procura interrompida. 

/// Pães, bolos ou massas artesanais: a preocupação com a saúde e o bem-estar tem feito com que as pessoas valorizem cada vez mais alimentos de produção caseira. Pães com fermentação natural, bolos clássicos no estilo que a vovó fazia, massas frescas com molhos produzidos a partir de ingredientes naturais são uma excelente pedida para pessoas que desejam fazer alimentos na cozinha de casa. Além de aproveitar receitas da família, você pode usar as redes sociais para mostrar a riqueza nos detalhes da preparação, encantando novos clientes e fidelizando aqueles que já experimentaram.

/// Churrasquinho: a jantinha já virou um clássico no cardápio dos brasileiros, principalmente na rotina de pessoas que moram sozinhas e tem uma rotina corrida. O espetinho acompanhado de arroz, feijão tropeiro, vinagrete e mandioca agrada a todos com opções variadas de carnes, frango e linguiças. Qualidade no atendimento e na escolha dos ingredientes serão um diferencial. Além do formato delivery, você pode trabalhar com retiradas. Nesse modelo em especial, é necessário que a casa disponha de um espaço para a churrasqueira

Produção: Caroline Tidra

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