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Pandemia19/03/2021 | 05h00Atualizada em 19/03/2021 | 05h00

Março se torna mês com mais mortes por covid-19 na Região Metropolitana

Dados do Ministério da Saúde mostram que somente Canoas e São Leopoldo ainda não superaram suas maiores marcas. Entretanto, isso deve ocorrer nos próximos dias

Março se torna mês com mais mortes por covid-19 na Região Metropolitana Divulgação / Arquivo Hospital de Campanha/Prefeitura de Gravataí/Arquivo Hospital de Campanha/Prefeitura de Gravataí
Em Gravataí, hospital de campanha é mantido desde o ano passado para enfrentar a doença Foto: Divulgação / Arquivo Hospital de Campanha/Prefeitura de Gravataí / Arquivo Hospital de Campanha/Prefeitura de Gravataí

O período que marca primeiro ano da pandemia no Brasil será lembrado por recordes infelizes. Em 15 dias, março já é o mês com mais mortes por covid-19 no Rio Grande do Sul. E a situação pode ser notada voltando o olhar para 12 das cidades que compõem a Região Metropolitana, incluindo Porto Alegre. Conforme dados do Ministério da Saúde, somente os municípios de Canoas e São Leopoldo ainda não haviam superado seu mês com maior números de mortes até o dia 16 de março. Nas outras 10 cidades, mesmo com o mês ainda pela metade, os óbitos já somam mais do que em todos os outros meses desde o início da pandemia. 

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Em números gerais, este já é pior momento da pandemia em toda região. Até o dia 16, foram 1.166 óbitos, marca bem superior ao pior mês até então, que era agosto do ano passado, quando o coronavírus matou 801 pessoas nas 12 cidades da Região Metropolitana.

Na Capital, a pior marca havia sido atingida em agosto, com 353 mortes pelo coronavírus. Entretanto, a cidade já soma 452 óbitos neste mês, só até o dia 16 de março. Em Alvorada, o número de mortes neste mês é de 97. Até então, o mês mais letal da pandemia na cidade foi agosto, com 49 óbitos. Em Gravataí, por exemplo, o período com maior número de óbitos havia sido em julho, com 48 mortes. Agora, conforme o Ministério da Saúde, já são 103, mais do que o dobro em relação ao recorde anterior.

Gravataí

Secretário de saúde em Gravataí, Régis Fonseca, confirma que o cenário é de um enfrentamento muito mais complicado do que nos outros picos que a pandemia teve. Segundo ele, os níveis de ocupação nunca foram tão altos. Além disso, como o sistema colapsa em vários municípios, falta regulação estadual para transferir pacientes entre cidades. 

O secretário recorda que, com o arrefecimento da pandemia durante o final de 2020, a cidade até pensou em desativar os leitos de campanha que funcionam junto ao Hospital Dom João Becker. Entretanto, mesmo sem apoio federal ou estadual para 2021, a estrutura foi mantida, ao custo de R$ 1,5 milhão mensais. Agora, são 150 leitos em uso somente para covid-19, sendo 20 de UTI — o dobro do que a cidade tinha antes da pandemia.

— O maior problema dessa pandemia é que nada é previsível. A curva ascende rápido demais, como ocorreu agora. Por isso, decidimos manter a retaguarda neste ano. E olhando o cenário que se formou agora, nos parece a decisão certa — pontua Régis. 

O secretário é muito cauteloso ao avaliar como a segunda metade de março vai funcionar. Desde uma sequência no alto número de óbitos ou uma diminuição dos casos, ele acredita que não é o melhor no momento para tentar prever, mas sim, combater no dia dia. Além das estruturas no Dom João Becker e do próprio hospital, prontos-atendimentos e o encaminhamento por meio da rede básica.

— Mesmo com essa saturação da ocupação dos leitos, não deixamos ninguém sem atendimento na cidade. Passar por um médico, ter exames, ser testado, receber medicações, ninguém vai deixar de ter isso, é o nosso compromisso — garante o secretário de saúde de Gravataí.

Outras cidades

Nos dois locais que ainda não atingiram quebraram a marca de maior número de mortes neste mês, a diferença é mínima. Com isso, Canoas e São Leopoldo também devem ter o mês como o mais fatal desde o início da pandemia. Em Canoas, o recorde foi no mês passado, com 101 mortes registradas. Entretanto, até esta terça-feira (16), já haviam sido registradas 96 mortes por covid-19, cinco a menos do que em fevereiro deste ano. Em São Leopoldo, 53 mortes fizeram de agosto o mês com mais óbitos. A marca deve ser quebrada nos próximos dias, pois até o dia 16 deste mês, já foram 49 falecimentos — quatro a menos do que a maior marca registrada no município.

Nas outras cidades onde março de 2021 já é o pior mês em relação às mortes por covid-19, os números variam, olhando para os dados do Ministério da Saúde até 16 de março deste ano. Cachoeirinha soma 57 óbitos neste mês, a pior marca era a das 29 mortes registradas em agosto. Eldorado do Sul soma 14 falecimentos, um a mais do que o recorde anterior, também em agosto. Em Esteio, fevereiro de 2021 vinha como a pior marca, com 30 vítimas da doença. Número que já foi superado nesta primeira quinzena de março, com 39 mortes registradas.

Indicador é o último a reduzir

O infectologista Alexandre Zavascki explica que ainda não é possível fazer previsão de quando haverá redução na curva de mortes, uma vez que este é o último indicador a arrefecer.

— O que estamos vendo de mortes é o resultado de um sistema hospitalar colapsado. E isso vai continuar aumentando. Temos ainda uma carga muito grande de doentes nos hospitais e outros chegando. A mortalidade sempre cai por último. Primeiro vai cair o número de casos, depois os números de hospitalizações e, enfim, de mortos — destaca Zavascki.

O infectologista também avalia que, se governo do Estado e prefeituras seguirem utilizando o mesmo sistema, o Rio Grande do Sul seguirá registrando números elevados de óbitos.

— Do ponto de vista biológico, o que seria preciso, nesta situação, é uma restrição muito mais severa, por de quatro a seis semanas, para realmente "esmagar" essa curva de mortes — projeta Zavascki.

 
 
 
 
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