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BRIQUE DO DG25/03/2021 | 12h26Atualizada em 25/03/2021 | 12h26

Projeto do governo estadual vai dar suporte para mulheres empreendedoras

Iniciativa terá um olhar específico para empresárias que atuem nas periferias

Projeto do governo estadual vai dar suporte para mulheres empreendedoras Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
Vendedora desde a adolescência, Ariane sente falta de capacitações. Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

As trajetórias de Ariane Sales Farias, 28 anos, e Kelly Amaro, 44 anos, encontram muitos pontos em comum. Além de serem moradoras de regiões periféricas da Capital e mães chefes de família, também compartilham a experiência de quem, desde cedo, precisou encontrar formas de complementar a renda. Hoje, são empreendedoras que buscam aperfeiçoar suas marcas e produtos. E, para ajudar mulheres como elas a se prepararem para as mudanças do mercado de trabalho, a Secretaria Estadual de Trabalho e Assistência Social (Stas) lançou um projeto que pretende capacitar mulheres empreendedoras.

Kelly, moradora do bairro Restinga, é dona da loja de confecção By Kelly Modas. Por anos trabalhou no comércio, passando por diversas empresas. Onde quer que fosse o trabalho, uma coisa não mudava: ela sempre carregava consigo algum produto para vender. E assim seguiu por muitos anos, até decidir investir em seu próprio negócio, uma loja inaugurada em 2013. 

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– Hoje eu sou empreendedora, é a palavra da moda. Mas, há 20 anos, já era sacoleira. Nunca saí de casa com menos de três sacolas nas costas. Agora, sou empresária – conta Kelly. 

Três anos após a inauguração, ela decidiu fazer um curso de corte e costura. Com isso, transformou sua loja em um espaço de confecção e, hoje, trabalha com a própria marca. 

Foco em vender

Quem também se entende como sacoleira, quando fala dos seus primeiros passos no empreendedorismo é Ariane Sales Farias. Proprietária da loja Espaço Feminino, no bairro Partenon, Ariane tem contato com o nicho de vendas desde a adolescência. Ela relembra que, ao ver a mãe trabalhar com venda de lingeries, seguiu o mesmo caminho. Quando atuava em empregos formais, também fazia das vendas sua renda extra: 

– Em 2015, eu abri a empresa, mas comecei com o MEI (Microempreendedor Individual), de porta em porta, indo na casa das clientes. Era sacoleira.

Segundo dados divulgados em 2020 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 70% das empresas fundadas no país fecham suas portas em menos de dez anos de atividade. Esse número demonstra a necessidade que as empreendedoras têm de lidar com cenários adversos para manter seus negócios vivos. 

Em 2019, para inaugurar sua loja física, Ariane fez empréstimos e compras com cartões de crédito, pois não tinha dinheiro para investir. Alugou um espaço em frente à sua casa e dedicou os primeiros ganhos para pagar as dívidas. Porém, meses depois, veio a pandemia.

– Eu consegui pagar todos os empréstimos, mas, agora, que seria para eu estar lucrando, vendendo mesmo, temos a pandemia. Então, está bem difícil – relata Ariane.  

Kelly Amaro empreeende desde antes de essa palvra se tornar conhecida. <!-- NICAID(14741904) -->
Para Kelly, falta divulgação das oportunidades de capacitação.Foto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Kelly, que desde outubro de 2019 luta contra um câncer, conta que a chegada da covid-19 trouxe desafios ainda maiores. Em março do ano passado, ela se preparava para lançar sua nova coleção de roupas, o que não ocorreu devido à pandemia. Ela fala que, “como as pessoas não vão comprar roupas bonitas para ficar em  casa”, em um primeiro momento, ficou sem trabalho. Mas, com a necessidade de gerar renda para o sustento da família, passou a confeccionar e vender máscaras. Seu novo produto fez tanto sucesso que o comércio da região e até mesmo um hospital fizeram encomendas. 

Capacitação 

Das vendas que Kelly faz hoje, por volta de 50% acontecem por meio das redes sociais. A pandemia não mudou apenas seu principal produto, mas também a forma de se relacionar com clientes. Sobre sua rotina, fala que “é uma superação atrás dá outra”, e vê a importância de capacitar-se para lidar com essas mudanças. No entanto, sente falta de espaços para se aperfeiçoar.  

– A gente sabe que têm (capacitações), mas não sabe onde encontrar. Acho que a divulgação não chega onde tem que chegar – pontua. 

Já Ariane encontra dificuldades em relação ao trabalho mediado pelas redes sociais. 

– Hoje, as vendas são pela internet, precisa de muita técnica. Eu vejo vídeos, vou lendo, mas sinto muita falta de um curso para saber o fazer correto. 

Seis meses com acompanhamento de especialistas

Foi pensando no perfil de mulheres como Kelly e Ariane que a STAS lançou a capacitação Mulheres Empreendedoras. A formação oferece 1,5 mil vagas para cursos com temas como elaboração e desenvolvimento de planos de negócio, finanças, inovação marketing e e-commerce. Além disso, durante seis meses, as participantes terão o acompanhamento de profissionais para auxiliar na aplicação em seus negócios dos conhecimentos que desenvolveram ao longo da formação. 

O programa já está com as inscrições abertas, mas ainda não tem data para início das aulas. A secretária de Trabalho e Assistência Social, Regina Becker, explica que foram recebidas muitas inscrições já nos primeiros dias de divulgação. 

A secretária afirma que, diante da insegurança do período que o país enfrenta, se faz importante olhar para as novas mídias digitais como ferramentas que podem fortalecer os negócios de mulheres, fazendo com que gerem renda e, assim, novos postos de trabalho.  

– Nosso objetivo é poder oferecer capacitação para essas mulheres, orientação. 

Como se inscrever

 /// As inscrições para o curso devem ser feitas por meio do link bit.ly/curso-empreendedoras.

/// Pra quem? Mulheres que desejam aprender sobre como empreender.

/// Quando? Início a ser confirmado.

/// Onde? Os encontros e atividades são promovidos de forma remota.

Produção: Émerson Santos

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