Na produção de doces, tia dos docinhos enfrentou a crise e mudou a forma de vender seus quitutes - Notícias

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Brique do DG24/05/2021 | 14h59Atualizada em 24/05/2021 | 18h34

Na produção de doces, tia dos docinhos enfrentou a crise e mudou a forma de vender seus quitutes

Maria das Dores, 55 anos, há 15 anos vende trufas e brigadeiros nas saídas dos restaurantes universitários da UFRGS. Com a pandemia, ela precisou se reinventar após a suspensão das aulas presenciais na instituição.

Na produção de doces, tia dos docinhos enfrentou a crise e mudou a forma de vender seus quitutes Lauro Alves / Agencia RBS/Agencia RBS
Aguinelo (E), Maria e o filho Vitor trabalham juntos. Foto: Lauro Alves / Agencia RBS / Agencia RBS

Docinhos como trufas de chocolate, brigadeiros e beijinhos são a especialidade de Maria das Dores Almeida, 55 anos, conhecida como “Tia dos Docinhos”. Há 15 anos, a doceira vende seus quitutes nas saídas dos restaurantes universitários (RU) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), na Capital, mas ela precisou se reinventar quando passou por uma situação financeira complicada, após a suspensão das aulas presenciais na instituição, no início da pandemia. 

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O início

Há 20 anos, Maria trabalha ao lado do marido, Aguinelo Bolzan Rodrigues, 60 anos, com doces que, inicialmente, eram vendidos nos locais de trabalho de seus filhos.  Então, familiares de Maria deram a sugestão para vender os docinhos no horário do almoço dos estudantes. De lá para cá, a produção se tornou elemento chave da família há mais de 15 anos. 

– Minha irmã vendia trufas e me deu a ideia de fazer os doces. Quando vim morar em Porto Alegre (ela vivia em Montenegro), meus familiares que trabalham na UFRGS me disseram “ por que tu não vem vender os doces aqui na UFRGS?”.  Comecei, daí, a vender, no RU do Campus do Vale – relata. 

PORTO ALEGRE, RS, BRASIL,  19/05/2021-Há 15 anos, Maria das Dores Almeida, conhecida pelos estudantes e professores da UFRGS como Tia dos Docinhos, vende seus brigadeiros e seus beijinhos nas portas dos restaurantes universitários. Com a chegada da pandemia e a falta de aulas presenciais na Universidade, a doceira precisou se reiventar para manter o sustento em casa   Foto:  Lauro Alves  / Agencia RBS<!-- NICAID(14787367) -->
As vendas começam às 11h30, horário de almoço dos estudantes e vão até às 14h.Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

Segundo a doceira, a rotina começava cedo, e toda família ajudava: após o expediente dos filhos Igor, 20 anos, Vitor, 22 anos, Tiago, 19 anos, Luisa, 16 anos, e da nora Andressa, 24 anos, eram realizadas compras de insumos para a produção dos quitutes e, pela manhã, cada membro da família ficava encarregado de preparar um sabor de trufa. Tudo feito em equipe e com muito amor, para ser vendido aos alunos. 

– Para fazer os docinhos, meu marido tinha uma panela para cada recheio, e todo mundo ficava encarregado de fazer dez sabores, cada um. Vendíamos entre 11h30min e 14h, que era o horário de almoço dos alunos. Meu marido ficava no RU da parte de baixo e minha nora e eu no RU de cima. Todos me ajudam – destaca. 

A pandemia

Com a pandemia, Maria revelou que sentiu medo em não poder vender seus docinhos na universidade, já que ela estava sem aulas presenciais. Como alternativa, a família optou por abrir encomendas e reinventar seu negócio temporariamente. 

Antes da quarentena, Maria das Dores vendia, em média, 400 docinhos por dia, mas, agora, com o distanciamento social dos estudantes, a família consegue vender apenas 10 unidades por dia na universidade, já que setores de pesquisa da instituição estão trabalhando presencialmente. Com a crise gerada, a doceira perdeu sua fonte de renda. Apesar de divulgar por Facebook as encomendas dos docinhos, a procura não superou as vendas realizadas na UFRGS. Foi então que ela buscou uma alternativa de pedir ajuda aos estudantes por meio de sua página, para que as pessoas pudessem fazer encomendas. 

PORTO ALEGRE, RS, BRASIL,  19/05/2021-Há 15 anos, Maria das Dores Almeida, conhecida pelos estudantes e professores da UFRGS como Tia dos Docinhos, vende seus brigadeiros e seus beijinhos nas portas dos restaurantes universitários. Com a chegada da pandemia e a falta de aulas presenciais na Universidade, a doceira precisou se reiventar para manter o sustento em casa   Foto:  Lauro Alves  / Agencia RBS<!-- NICAID(14787365) -->
Todos os docinhos são produzidos com muito amor. Foto: Lauro Alves / Agencia RBS

– Nunca imaginei que ia passar por isso. Esse ano tivemos que mudar. Como eu estava recebendo poucas encomendas, eu fui me deitar para descansar e não conseguia dormir, porque eu não sabia o que eu ia fazer. Eu pedi pra Deus me ajudar, me dar uma luz. Aí veio a ideia de escrever em um papel o que eu queria dizer ao pessoal. Eu nem pensava em pedir ajuda, mas sim que as pessoas fizessem encomendas – desabafa. 

Após o pedido de ajuda na rede social, a doceira recebeu inúmeras ajudas de alunos da universidade que compravam seus docinhos. Um grupo de estudantes mulheres chamado “Program.ada – Mulheres na Computação”, ao ver a situação da tia, realizou uma vaquinha online para ajudar Maria a se reerguer. 

– Ficamos sabendo da publicação da tia pedindo ajuda e encomendas e ficamos sentidas, ainda mais sabendo que as vendas dela caíram demais na pandemia. Então, logo veio a ideia de uma vaquinha. Conversamos com ela pra ver se ela autorizava e, com o sim, já demos um jeito de organizar – é o que aponta a estudante Maria Flávia Barrajo Tondo, 23 anos integrante do projeto. 

O valor inicial da vaquinha era de R$ 2,2 mil. No entanto, foram tantas doações que a arrecadação chegou em R$ 14 mil. 

– Cada vez que eu falo, me emociono. Nunca imaginei que teria essa vaquinha, essa amizade ou que o pessoal gostasse tanto assim do meu trabalho. Foi muito gratificante – desabafa. 

Sugestões de estudantes para os sabores 

A tia dos doces relembra que a conversa com os estudantes foi fundamental na produção de brigadeiros e trufas. Ela revelou que muitos sabores vieram de sugestões de alunos e professores. Um dos mais pedidos das encomendas e pelos estudantes são os brigadeiros de creme de avelã com leite em pó e o de chocolate com morango. 

– O creme de avelã com leite em pó faz sucesso. Vendia, em média, 150 doces por dia. Tiveram doces que eu fiz que saíram de sugestões dos estudantes. Conversando com eles, eu inventava novos sabores. Teve uma moça que foi em uma festa e guardou um docinho com chocolate e morango para eu experimentar e vender. Comecei a fazer. Muitos me deram ideia e deu muito certo. 

DICAS PARA EMPREENDER 

Com o objetivo de ajudar pessoas que pretendem começar no ramo de doces, o Diário Gaúcho separou algumas dicas. 

/// Use ingredientes de qualidade: experimente cada quitute e avalie. Não tenha vergonha e convide pessoas próximas a experimentar as sobremesas. Vale, também, vender os doces, inicialmente, por um preço menor, apenas para colher opiniões dos clientes. 

/// Faça uma boa apresentação: invista no visual dos doces, na forma, embalagem, cores. A primeira impressão dos clientes será no visual dos docinhos. 

/// Crie um diferencial: foque no público atendido e aposte em sabores de doces diferenciados. 

/// Seja visto: faça as pessoas notarem o seu produto. Venda seus doces a familiares próximos, amigos. Ofereça amostras grátis para seus clientes. 

/// Use a internet a seu favor: as redes sociais são meios que facilitam você a divulgar o seu negócio. 

Invista na produção de conteúdo com fotos dos doces, divulgue em grupos de Facebook e WhatsApp seus docinhos. 

Isso potencializa a venda de seus doces.
* Fonte: Sebrae 

PARA COMPRAR

Os doces e as trufas são vendidas sob encomenda pelo Facebook e WhatsApp da tia dos doces. Maria das Dores segue produzindo suas iguarias, ao lado dafamília. 

/// Encomendas de brigadeiros, trufas e beijinhos podem ser feitas através do link: facebook.com/tiadocinhosmaria, ou pelo Instagram @tia_ dos_ docinhos_ e_ trufas.

Produção: Vitória Fagundes 


 
 
 
 
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