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Seu Problema é Nosso03/03/2021 | 10h58Atualizada em 03/03/2021 | 10h59

Na produção de pães, grupo de mulheres de ocupação de São Leopoldo encontra apoio e renda

A partir do interesse em fazer algo juntas, 11 mulheres se uniram no projeto Sonhos e Sabores e sonham com o crescimento do negócio

Na produção de pães, grupo de mulheres de ocupação de São Leopoldo encontra apoio e renda Lauro Alves / Agencia RBS/Agencia RBS
Grupo precisa de ajuda para expansão do projeto Foto: Lauro Alves / Agencia RBS / Agencia RBS

É entre conversas, risadas e histórias que mulheres da Ocupação Steigleder, no bairro Santos Dumont, em São Leopoldo, encontraram esperança de dias melhores enquanto produzem pães. O projeto Sonhos e Sabores, que começou em meio à pandemia, tem ajudado 11 mulheres, donas de casa, a obter uma renda. Mas, para além disso, de fazer parte de uma rede de apoio. 

Atendidas pela Rede Solidária São Léo – grupo de docentes da Unisinos e voluntários que auxilia famílias em situação de vulnerabilidade –, as moradoras da Steigleder se reuniam toda a semana para debater necessidades da comunidade no galpão da ocupação. A ideia da produção de pães surgiu do interesse em fazer algo juntas. 

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A ocupação Steigleder conta com cerca de 230 famílias que moram à beira do Rio dos Sinos e não possuem acesso a serviços básicos. Elas recebem apoio do Movimento Nacional de Luta por Moradia para desenvolvimento de projetos, regularização e acesso a direitos sociais. 

Conforme a professora de Serviço Social Marilene Maia, em agosto passado, as mulheres tiveram contato com uma história semelhante, de uma produção que iniciou pequena e, hoje, é cooperativa. Ela serviu como incentivo para o grupo começar.

"Líderes"

– Não é à toa o nome do projeto. Elas se reconheceram com condições diferentes, em meio às tensões, com o desejo de conseguirem, de fato, gerar renda e melhores condições de vida para as famílias e as comunidades. Elas discutem critérios, processos decisórios e avançaram muito no protagonismo, junto das secretarias e órgãos municipais. Hoje, elas são líderes – afirma a professora. 

Mas, antes de ser uma produção para a comercialização, os primeiros encontros foram para o preparo de pães para o consumo delas e dos familiares. A dona de casa Gislaine Garcia da Silva, 31 anos, recorda do encontro motivador:

– O projeto que inspirou a gente também começou entre mulheres. Na mesma semana da palestra, já fizemos os pães, mas não foi para vender. 

Além dela, integram o projeto as donas de casa Eunice Almeida, 21 anos, Dantara Macedo, 27 anos, Simone da Silva Vargas, 34 anos,  Janaína Silveira Lemes, 36 anos, Cristina Moura, 36 anos, Jaqueline dos Santos Rodrigues, 37 anos, Cleia Assunção de Freitas, 31 anos, Eva Gonçalves Diemer, 24 anos, Jade Talita Lemes, 19 anos, e Andressa Andriely Lemes, 13 anos.

A venda dos pães começou por meio da parceria com a Rede Solidária, que comprava 25 unidades para compor uma cesta de alimentos de produtores da região. O projeto também passou a receber encomendas e, hoje, a produção varia de 100 a 120 pães por encontro, sempre às sextas-feiras. 

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Os ingredientes, no início do projeto, eram fruto de doações. Mas o ritmo das entregas diminuiu ao longo da pandemia. Agora, o valor das vendas é dividido com os gastos da compra dos insumos – o que diminuiu o lucro de cada uma. Fornos, fôrmas e utensílios para a cozinha do galpão também foram doados por parceiros. 

Para incrementar essa iniciativa, voluntários da Unisinos criaram uma vaquinha online

– Nosso objetivo é comprar mais um forno e encher nosso estoque com farinhas e produtos que não estragam, além de adquirir utensílios – explica Eunice. 

Terapia e aprendizado

Uma é melhor na limpeza, outra no forno, outra em amassar o pão e assim por diante, na divisão das tarefas conforme as habilidades. Das 11 mulheres, às vezes, alguma falta por problemas de saúde ou compromisso, mas, mesmo assim, não deixa de ser contada na divisão dos lucros. 

Os encontros não servem apenas para a produção dos pães. Segundo algumas delas afirmam, é um momento de aprendizado. 

– Estar aqui ajuda a gente a aprender a ser como uma empresa. Aprender a conviver e respeitar. Sempre fazemos uma reunião para debater como podemos melhorar em vários aspectos do projeto. A gente descobriu em que cada uma é melhor. Também damos muitas risadas juntas – conta Eunice, bem-humorada. 

Segundo Marilene, o convívio entre elas tem muita importância para o fortalecimento de lideranças e o protagonismo feminino, além de discussões sobre questões alimentares e de saúde: 

– Juntas, elas descobriram novos horizontes e, mesmo sem experiência, identificaram o que querem buscar. Vislumbro muita potência no projeto. 

Integrante com as filhas Jade e Andressa, a dona de casa Janaína sonha com oportunidades para as jovens: 

– Temos o incentivo de participar em outros projetos que virão futuramente, assim que passar a pandemia. Fizemos curso com assistentes sociais. Temos auxílio não só na renda, mas nos estudos. 

Já para Gislaine, que antes trabalhava com reciclagem, o sonho é ver a iniciativa crescer:

– Um dia queremos ser uma padaria.

COMO AJUDAR

/// Os pães custam R$ 6. Para encomendas, entre em contato com Gislaine pelo telefone (51) 98954-8028 ou com Janaína, pelo (51) 98452-1820.

/// Conforme a professora Marilene, a produção depende da demanda, por isso, o projeto está aberto a parcerias. Comércios que tiverem interesse em vender os pães podem entrar em contato com as integrantes.

/// Doações de insumos e materiais para a produção, principalmente farinha, também são aceitos. 

/// É possível doar por meio da vaquinha para a ampliação da iniciativa.

/// Mais informações pelo e-mail redesolidaria.sl@gmail.com.

Produção: Caroline Tidra

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