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Transporte público 26/09/2021 | 20h50Atualizada em 26/09/2021 | 20h50

Cobradores, subsídio, empresas públicas: compare o modelo de ônibus de Porto Alegre com o de outras capitais

Câmara de Vereadores aprovou recentemente mudanças polêmicas como extinção de cobradores e desestatização da Carris

Cobradores, subsídio, empresas públicas: compare o modelo de ônibus de Porto Alegre com o de outras capitais Mateus Bruxel/Agencia RBS
Capital busca novo modelo de transporte público para frear crise no sistema Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS

As mudanças no transporte público aprovadas neste mês na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, apesar de polêmicas, deixam o sistema de ônibus do município em um cenário semelhante ao de outras cidades brasileiras de mesmo porte. 

Uma comparação com outras três capitais com população equivalente, envolvendo pontos como a existência de linhas operadas por empresas públicas e de cobradores, indica que os gaúchos seguem o exemplo de outros locais.

Os projetos aceitos pelos vereadores permitiram a desestatização da Carris e a extinção progressiva dos cobradores. Os modelos em localidades como Curitiba, Goiânia e Recife, todas na faixa entre 1,4 milhão e 1,9 milhão de moradores, apresentam várias diferenças entre si. Mas, com exceção de Porto Alegre, por exemplo, apenas Goiânia conta com uma empresa pública responsável por transportar passageiros. Outras mantêm apenas órgãos destinados a gerenciar as operações. 

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Já em relação à presença de profissionais voltados especificamente à cobrança de passageiros, o mais comum é um sistema misto em que os funcionários convivem com a bilhetagem eletrônica. Mas os goianos já aboliram a figura do cobrador.

Outro item que chama a atenção é o valor do bilhete: Porto Alegre apresenta o preço mais caro da passagem. Curitiba e Goiânia, porém, ainda não fizeram reajustes este ano. Um dos traços mais comuns entre essas capitais é o aporte de dinheiro público para apoiar o sistema de transporte – somente Goiânia, em resposta a questionário enviado por GZH às prefeituras, informou não injetar recursos nas linhas de ônibus, mesmo durante a pandemia.

Em geral, as principais cidades brasileiras buscam saídas para problemas como financiamento do sistema e perda de passageiros ao longo dos últimos anos. Veja, a seguir, um resumo do modelo de transporte em algumas capitais.

Modelos de transporte

Há uma empresa estatal de ônibus operando?
/// Curitiba - 
Não. Apenas a Urbanização de Curitiba (Urbs), que gerencia o transporte coletivo.
/// Goiânia - Sim. A Empresa Metrobus S/A, criada em 1997.
/// Porto Alegre  - Sim, a Carris, cuja desestatização foi aprovada pela Câmara de Vereadores.
/// Recife - Não. Somente o gerenciamento do sistema é feito por um órgão do governo estadual, o consórcio Grande Recife, responsável pela gestão do transporte em 14 municípios incluído a capital pernambucana. A prefeitura de Recife administra algumas linhas auxiliares de micro-ônibus.

Totalmente pública ou tem participação privada?
/// Curitiba - 
A Urbs é uma empresa de economia mista. As empresas de ônibus são privadas.
/// Goiânia  - Sociedade de economia mista que conta com o Estado de Goiás como principal acionista, com participação de 99%.
/// Porto Alegre - Sociedade mista com controle acionário da prefeitura de Porto Alegre.
/// Recife - O órgão de gerenciamento é público, mas as empresas que operam as linhas são privadas.

O sistema conta com cobradores, tem bilhetagem eletrônica ou ambos?
/// Curitiba - 
Sistema misto. Atualmente, 65% das passagens são pagas com bilhetagem eletrônica.
/// Goiânia - Cobrança totalmente automatizada por meio de um sistema de bilhetagem eletrônica conhecido como Sitpass. Terminais e plataformas contam com totens para recarga dos cartões. Está em implantação um novo sistema que permitirá mais formas de pagamento e opções tecnológicas.
/// Porto Alegre - Bilhetagem eletrônica e cobradores, cuja extinção progressiva foi aprovada pela Câmara.
/// Recife - Sistema misto. Algumas linhas contam com a atuação de cobradores mais a bilhetagem eletrônica e outras apenas com a bilhetagem eletrônica.

Há subsídio público para reduzir o valor da passagem?
/// Curitiba - 
Foi criado um auxílio para apoiar o setor durante a pandemia e, em 17 de setembro, uma proposta de prorrogação desse auxílio foi enviada ao Legislativo. O projeto deverá ser votado na semana que vem.
/// Goiânia - Não.
/// Porto Alegre - Há uma isenção de Imposto Sobre Serviços (ISS) que representa R$ 0,15 no valor da tarifa. Em razão da pandemia, foi feito ainda um aporte especial que, somente neste ano, somou R$ 18 milhões conforme a EPTC.
/// Recife - Sim. Em 2021, até o momento, o aporte do governo estadual às operadoras foi de R$ 83,8 milhões.

Valor da passagem
/// Curitiba - 
R$ 4,50 (desde 2019)
/// Goiânia - R$ 4,30 (desde 2019)
/// Porto Alegre - R$ 4,80 (reajustado em julho)
/// Recife - Há diferentes valores, mas o utilizado por mais de 80% da população é de R$ 3,75 (último reajuste em 2021).

Média de passageiros transportados  
/// Curitiba - 430 mil em dias úteis (antes da pandemia eram 754 mil).
/// Goiânia - Cerca de 316 mil ao dia em setembro.
/// Porto Alegre - 493 mil por dia útil (dado de agosto).
/// Recife - 735 mil em toda a Região Metropolitana (não apenas Recife). 

População (2021)
/// Curitiba - 1.963.726
/// Goiânia - 1.555.626
/// Porto Alegre - 1.492.530
/// Recife - 1.661.017

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