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Para todos os gostos24/09/2021 | 19h37Atualizada em 26/09/2021 | 14h59

Crianças escolhem armações de óculos fornecidos por iniciativa da Capital

O programa Porto Olhar Alegre, da Secretaria Municipal de Saúde, oferece os óculos gratuitamente para crianças e adolescente por meio de recursos federais do Programa Saúde na Escola

Crianças escolhem armações de óculos fornecidos por iniciativa da Capital André Ávila / Agencia RBS/Agencia RBS
Eduardo Francisco Barbosa de Oliveira, oito anos, foi beneficiado pelo programa Porto Olhar Alegre Foto: André Ávila / Agencia RBS / Agencia RBS

Vestido todo de vermelho – exceto pela máscara azul –, Eduardo Francisco Barbosa de Oliveira, oito anos, não poderia optar por outra cor na hora de escolher a armação do primeiro óculos. A justifica para a preferência, segundo a mãe, a dona de casa Evelyn Rodrigues Barbosa, 34 anos, é porque ele é colorado. 

Eduardo e outras 50 crianças e adolescentes, de diferentes bairros de Porto Alegre, estiveram no Centro de Saúde Santa Marta, na tarde desta sexta-feira (24), para fazer a escolha da armação para as lentes. Na sala, vários modelos coloridos estavam expostos para os olhos atentos – que, hoje, precisam do auxílio do acessório. A iniciativa integra o programa Porto Olhar Alegre, da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). 

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A suspeita de que o filho precisaria usar óculos veio por meio da escola, como recorda Evelyn. Assim como ela, outras mães e responsáveis relataram a mesma situação: dificuldade em enxergar as lições do quadro, na sala de aula. Com o retorno do modo presencial nas escolas, o problema de visão veio à tona.  

– Na função da pandemia, sem o colégio, a gente deixa passar despercebido alguns sintomas. Esse ano, quando retornaram as aulas presenciais, a professora notou que ele fazia um certo esforço para enxergar o quadro e pediu para eu ter esse controle em casa. Ele começou a ter dores de cabeça e procurei fazer o encaminhamento – conta a mãe, que reside com a família no bairro Mario Quintana. 

Posto de saúde

O Porto Olhar Alegre fornece óculos para crianças e adolescentes com até 17 anos a partir de recursos federais do Programa Saúde na Escola (PSE). Conforme Ingrid Machado, integrante da área técnica do PSE, a iniciativa tem o objetivo social de fazer com que o público nesta faixa etária tenha o óculos, independentemente da renda, mas as que acabam mais acessando o serviço são aquelas que usam o SUS. 

Para ter acesso ao programa, Ingrid explica que há três formas, mas em todas se deve procurar a unidade de saúde de referência no bairro:

– Pode ser indo até lá para se informar. Se já tem a receita do óculos, é preciso pedir o encaminhamento para o programa. Se ainda precisa ser feito o exame, a consulta com o oftalmologista é encaminhada e, se for necessário, será enviado para o programa. E também tem o Saúde na Escola, em que profissionais vão até as escolas e fazem o teste nas crianças. Se for constatada a dificuldade, é enviado um bilhete para os pais para que levem o aluno até a unidade de saúde.   

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Azul e amarelo

Com um sorriso simpático, a aluna do 4º ano do Ensino Fundamental Sofia Brunelli, nove anos, ficou feliz em saber que precisa usar óculos. Do bairro Tristeza, ela também enfrentava dificuldades em enxergar o quadro. A professora notou que a menina apertava os olhos na tentativa de identificar as letras. A escolha do modelo colorido foi acompanhada pela avó, Olga Roza. 

– Azul e amarelo – respondeu sobre a cor da armação. 

A ação desta sexta-feira foi a terceira prova de armações do ano e os óculos escolhidos poderão ser retirados em 30 dias. Nas duas primeiras, que ocorreram em abril e julho, 35 crianças foram contempladas. Segundo Ingrid, não existe fila de espera, todas as crianças podem ser beneficiadas pelo programa. 

Maior exposição às telas

No caso da estudante do 1º ano Ensino Médio Luisy Grossi Silva, 17 anos, moradora do bairro Partenon, a dificuldade foi notada no uso constante do celular. Ela acompanha as aulas on-line e ainda não voltou presencialmente para a escola. Devido a dores de cabeça frequentes, Luisy foi levada ao especialista. Apesar do problema na visão, a estudante ficou feliz com o novo acessório:

– Queria muito usar óculos, fui toda feliz na consulta. Acho bonito no rosto das pessoas. 

Segundo pesquisa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, realizada em abril e junho, sete em cada 10 médicos oftalmologistas identificaram progressão da miopia em crianças durante a pandemia de covid-19.

– Em Porto Alegre, a saúde ocular está entre as ações prioritárias do PSE este ano devido à maior exposição das crianças às telas – afirma Ingrid. 

A iniciativa funciona por meio de licitação realizada anualmente. Julio Schwider, representante da ótica que irá confeccionar as lentes e óculos com modelos e tamanhos variados, destacou que um dos casos que esteve na prova das armações é simbólico para o sucesso do programa: 

– Uma da crianças chegou com um grau bem acentuado, próximo de quatro, de miopia total. Ela não usava óculos antes e com certeza tinha uma dificuldade de entendimento. É emblemático casos assim para o programa. 

Restinga também tem ação

No Centro Social Padre Pedro Leonardi (CSPPL), na Restinga Velha, um grupo de voluntários realizou testes de visão em crianças e adolescentes, além de doar lentes e armações. A ação Optometria Legal atendeu, na semana passada, 45 meninos e meninas, entre seis e 17 anos.

– Eu percebi a necessidade destas crianças e adolescentes de enxergarem a vida mais colorida. Encontramos, aqui, educandos com baixa qualidade visual que não conseguem interpretar cores, por exemplo – afirma Lisiane Oliveira da Silveira, técnica em Optometria e idealizadora da ação. 

Para o mutirão, ela reuniu colegas para as avaliações e empresas dispostas a doarem armações e lentes. A Optometria trabalha fora do globo ocular e foca no sentido da visão, corrigindo miopias, hipermetropias, astigmatismos, defeitos da visão. 

– Muitos dos nossos educandos acabam desistindo das atividades e do colégio porque têm dificuldade de aprendizagem, grande parte provocada por alguma deficiência na visão. Por isso, essa ação significa muito para as crianças e as famílias – avalia Claudionir Ceron, diretor do Centro Social Pe. Pedro Leonardi. 

Casos mais graves de baixa visão ou que necessitam de intervenção cirúrgica, como catarata, por exemplo, serão encaminhados pelo Centro Social para especialistas que também farão atendimentos gratuitos. A Ação Optometria Legal terá uma nova edição para atender adultos credenciados ao Restaurante Popular da instituição.

Para saber mais e apoiar a ação, entre contato pelo telefone (51) 98410-5400 ou pelo e-mail contato@csppl.org.br.

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