Manoel Soares e a consciência branca  - Notícias

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Papo Reto20/11/2021 | 05h00Atualizada em 20/11/2021 | 05h00

Manoel Soares e a consciência branca 

Colunista escreve no Diário Gaúcho aos sábados. 

Manoel Soares e a consciência branca  Manoel Soares / Arquivo Pessoal/Arquivo Pessoal
"Em meu trabalho, tento dar às gerações novas referências" Foto: Manoel Soares / Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Neste dia super importante para a população negra (20 de novembro), quero falar com a população branca. Ter consciência do que é ser negro é o grande objetivo dessa data. Não falamos de situações de violência e racismo somente, mas também das coisas legais que poderíamos fazer e que, às vezes, não temos chance. Você, que é branco e lê esse texto, já pensou que talvez nunca tenha ido a um médico negro? 

Talvez, você me diga que não olha a cor do médico, mas sim se ele pode te curar, no que concordo. Se a cor não importa, por que ele não pode ser negro, então? Este é só um exemplo. Para nós, negros, é horrível chegar nos lugares e não ter uma pessoa que se pareça com a gente. 

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Quando criança, assistir televisão era algo que me dava uma tristeza profunda, pois quase não via pessoas parecidas comigo. Hoje, com meu trabalho, tento dar às novas gerações outras referências. As pessoas brancas precisam ter consciência negra, consciência de que precisam mudar esse mundo que, por vezes, ainda trata os negros como pessoas menores. 

Eu iria mais longe ao dizer que a consciência branca também é importante, pois se existem excluídos, existem privilegiados, e os brancos, mesmo quando são tão pobres como os negros, ainda assim conseguem mais oportunidades. Um jovem loiro da periferia, de terno, “parece que mora no bairro Moinhos de Vento”, um jovem negro que mora no Moinhos de Vento, mesmo de terno dirão que “o lugar dele é na Restinga”. A discriminação pela pele é um câncer. Que as consciências negras e brancas façam parte de nosso repertório mental.

 
 
 
 
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