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Bicharada23/12/2021 | 10h40Atualizada em 23/12/2021 | 10h40

Animais com deficiência aguardam a chance de terem novos lares

Protetora explica que as limitações físicas não impedem que os bichinhos tenham uma vida normal

Animais com deficiência aguardam a chance de terem novos lares Félix Zucco / Agencia RBS/Agencia RBS
Pretinha, que é cadeirante, foi resgatada há três anos Foto: Félix Zucco / Agencia RBS / Agencia RBS

Após serem resgatados por protetores, animais costumam ser acolhidos em lares temporário, enquanto aguardam a chegada de quem queira adotá-los. Porém, para alguns deles, a espera pode ser longa. É o caso dos animais com deficiência, que, em razão do preconceito ou da preocupação dos tutores em não saber como lidar, costumam levar anos para encontrar um dono. 

Pretinha é paraplégica: não consegue mover suas patas traseiras. Há três anos, foi resgatada pelo AuQueMia, um grupo de protetores que atua em Porto Alegre e na Região Metropolitana. A auxiliar de serviços gerais Adriana Medeiros, 51 anos, é uma das fundadoras. Ela conta que estava no trabalho quando viu uma publicação no Facebook falando sobre Pretinha. O antigo tutor buscava alguém para adotá-la. Dizia que, por ela ter limitações para caminhar, caso não encontrasse um adotante, iria sacrificá-la. De imediato, Adriana mobilizou seu grupo para fazer o resgate do cão.  

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A protetora diz que, decidida em não deixar que fizessem eutanásia no animal apenas por não poder caminhar, acolheu Pretinha. Após o resgate, descobriu que estava prenha. Foi necessário interná-la em uma clínica veterinária por duas semanas, até ser feita a cesariana. Dos três filhotes, um faleceu e dois foram adotados. 

Adaptação

A cadelinha recebeu a doação de uma cadeira de rodas e, desde o seu resgate, aguarda um novo lar. Hoje, está no bairro Stella Maris, em Alvorada, onde mora Adriana. Ela diz que o recomendado para animais cadeirantes é ficar até quatro horas por dia na cadeira. Mais tempo do que isso pode causar desconforto. Mesmo fora do aparelho, Pretinha consegue se locomover com suas duas patas da frente. Ela utiliza fraldas e uma proteção para não se machucar, já que seu corpo fica em contato direto com o chão. 

Além de Pretinha, Adriana mantém outros dois cães com deficiência em casa. Ratinho, que foi resgatado há quatro anos, tem sequelas da cinomose – uma de suas patas dianteiras ficou atrofiada. Já Rex, depois de ser atropelado, passou a ter andar medular, condição que o faz caminhar “de forma mais robotizada”, comenta a protetora. Apesar das limitações e da necessidade de atenção específica, a depender do caso, Adriana comenta que os animais com deficiência conseguem ter vidas normais. Ela defende que é preciso partir dos tutores o esforço em se adaptar a eles. 

– A deficiência não os impede de terem uma família, de se acostumarem com uma nova família. Sempre que pegamos um bichinho, independentemente da idade ou condição dele, temos que passar pela adaptação, para conhecer o animal e entender os cuidados que eles demandam ou não. As pessoas deveriam adotar os bichos por suas personalidades e não por suas características físicas – comenta a protetora.

“A deficiência não o impede de viver”

Com 17 pessoas no projeto, o AuQueMia acompanha as famílias que adotam os animais por eles resgatados. Antes de a adoção ser confirmada, os tutores passam por avaliação para ver se têm condições de manter o bichinho. A medida serve para garantir a segurança dos pets. 

Alecrim é um deles. O cão foi abandonado já idoso. Quando o grupo resgatou o animal, tinha um problema em uma das patas, estava a saúde prejudicada e precisou ser internado por 11 dias. Chegou a ter infecção generalizada. Se recuperou, mas foi preciso amputar sua pata. E foi através das redes sociais que conheceu sua atual tutora. 

A técnica de enfermagem Lucia Janson, 71 anos, do bairro Menino Deus, na Capital, viu na página do projeto no Facebook que Alecrim nunca encontrava uma nova família. 

– Me indignei e disse “Vou pegar esse cachorrinho pra mim”. A deficiência não o impede de viver. Chegou mais quietinho, mas agora está ficando muito esperto. Ele é super importante para mim. Um amor de cachorrinho – se declara a tutora, que está com o cão há três meses.

ALVORADA, RS, BRASIL - 20.12.2021 - Dificuldade dos animais com deficiência, acolhidos por protetores, para conseguirem novos lares. Na imagem, Adriana, protetora de Alvorada que tem três cães deficientes em sua casa: a Pretinha, que é cadeirante; o Rex, com dificuldades de locomoção e o Ratinho, com uma perna amputada. (Foto: Félix Zucco/Agencia RBS)<!-- NICAID(14972444) -->
PretinhaFoto: Félix Zucco / Agencia RBS

Idade: três anos
Porte: pequeno
Localização: Alvorada
Faz tratamento de saúde? Não, mas é cadeirante
Castrada? Sim
Para adotar, entre em contato: WhatsApp (51) 99886-3679

Rex , mix Pitt bull, aproximadamente 8 anos, castrado e com vacinas em dia.Não faz uso de medicação, tem andar medular por razão de um atropelamento.Adoção somente pelo whatsapp 51 998863679.<!-- NICAID(14973495) -->
RexFoto: Arquivo Pessoal / Arquivo Pessoal

Idade: oito anos
Porte: médio
Localização: Alvorada
Faz tratamento de saúde? Não, mas tem andar medular
Castrado? Sim
Para adotar, entre em contato: WhatsApp (51) 99886-3679

RatinhoFoto: ResourceSpace / ResourceSpace

Idade: quatro anos
Porte: médio
Localização: Alvorada
Faz tratamento de saúde? Não, mas tem uma pata atrofiada
Castrado? Sim
Para adotar, entre em contato: WhatsApp (51) 99886-3679

Produção: Émerson Santos 


 
 
 
 
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