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Bicharada15/10/2021 | 16h21Atualizada em 15/10/2021 | 16h21

Vizinhos acolhem cães que aguardam novas famílias 

Jorge, antigo tutor dos bichinhos, faleceu no ano passado 

Vizinhos acolhem cães que aguardam novas famílias  Ronaldo Bernardi / Agencia RBS/Agencia RBS
Patrícia tem se dedicado diariamente aos animais Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS / Agencia RBS

Falecido em 2020, Jorge Almeida foi um morador do bairro Humaitá, na Capital, que por anos trabalhou como reciclador. Ele e sua esposa andavam pela região recolhendo materiais recicláveis que garantiam a renda da família. Ao longo do trabalho, foram também encontrando no caminho cães abandonados e passaram a acolhê- los. A questão é que, na medida em que o tempo passou, a quantidade desses animais que ocupavam a residência do casal também foi aumentando. 

Eles se tornaram acumuladores, situação em que uma pessoa acumula um grande número de animais sem ter condições adequadas para mantê- los. Após o falecimento da esposa, e tendo perdido contato com todos os filhos, Jorge ficou sozinho. Já com idade avançada, não conseguia dar a atenção devida aos cães. Então, foi uma vizinha, a dona de casa Patrícia Espelocin, 48 anos, que decidiu ajudar. 

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Patrícia conta que teve o primeiro contato com Jorge em 2019. Ao vê- lo sair para trabalhar, o abordou e perguntou sobre os animais. Sendo uma apaixonada por bichos, ofereceu- se para ajudar a cuidar deles. Na época, eram 22. 

– Fomos às redes sociais pedir ajuda para a castração das cadelinhas. E começou uma saga de levar para castrar e depois trazer para minha casa, para o pós- operatório. Deu trabalho, mas conseguimos – comenta. 

Adoecimento

Com o tempo, além dos animais, a dona de casa e sua família passou a também dar suporte para Jorge. É que, poucos meses depois de ter começado a acompanhá- lo, perceberam que ele enfrentava sérios problemas de saúde. Após alguns exames, saiu o diagnóstico de que estava com câncer pulmonar. Ele ficou hospitalizado por um tempo e voltou para casa em cadeira de rodas. 

Após procurarem, sem sucesso, por familiares de Jorge nas redes sociais, contando até mesmo com a ajuda da Polícia Civil, seguiram dando assistência ao reciclador que, segundo Patrícia, era uma pessoa querida pela comunidade. Ela fala que, com seu adoecimento, outra vizinha também se propôs a ajudar nos cuidados de Jorge. Em seus últimos meses de vida, foram os amigos que estiveram com ele. Foi somente após sua morte que conseguiram falar com uma de suas filhas, que havia perdido contato com o pai havia muitos anos e não sabia onde ele morava. 

Em busca de novos lares

Desde o dia em que conheceu Jorge e seus cães, Patrícia tornou- os parte de sua rotina e da sua família. Foram muitos os gastos que tiveram com os animais, pois, além da castração e da compra de remédios, os bichinhos precisaram de idas frequentes ao veterinário. A dona de casa ainda paga algumas dívidas geradas pelas despesas com ração e outros produtos. Apesar disso, não se arrepende dos esforços que fez até hoje para cuidar dos bichos. 

Com a ajuda de protetores, Patrícia conseguiu adotantes para alguns deles, mas outros cães ainda aguardam novos lares. Daiane Pedroso, do grupo Vila dos Peludos, é uma das voluntárias que têm ajudado nessa busca. Por atuar há 12 anos no bairro, ela já conhecia Jorge – há alguns anos, se ofereceu para ajudá- lo, mas na época ele não aceitou. Dos 11 animais que restaram, dois estão com Patrícia e nove seguem na casa onde o reciclador morava, mas o local não é apropriado para eles. 

– É um ambiente estressante, minúsculo para os cachorros. Quando chega alguém, eles querem disputar atenção daquela pessoa e, ali, começam a brigar. Como quando a Patrícia vai servir a comida. Então, agora a gente está nesta campanha de adoção – explica Daiane. 

Para conhecer os animais disponíveis para adoção, entre em contato pelo telefone (51) 99863-5454 ou Instagram @viladospeludos.

Produção: Émerson Santos

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