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Seu Problema é Nosso02/12/2021 | 15h01Atualizada em 03/12/2021 | 10h53

Projeto desenvolvido em escola da zona norte de Porto Alegre une geração de renda e educação ambiental

A proposta é envolver a comunidade escolar em ações que auxiliam na preservação do meio ambiente

Projeto desenvolvido em escola da zona norte de Porto Alegre une geração de renda e educação ambiental André Ávila / Agencia RBS/Agencia RBS
Foto: André Ávila / Agencia RBS / Agencia RBS

Transformar o lixo em fonte de renda e em produtos que possam ser utilizados pelos moradores de sua região. Estes são alguns dos objetivos que guiam o trabalho ambiental desenvolvido pela comunidade da Escola Liberato Salzano Vieira da Cunha, no bairro Sarandi, zona norte da Capital. Alinhados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, que estipula metas para os países combaterem problemas como pobreza e mudanças climáticas, a escola tem desenvolvido ações que buscam diminuir os impactos ambientais causados pelos resíduos descartados na escola e em sua região. 

Já faz parte da rotina dos alunos estudarem temas relacionados ao ambiente. Em todas as disciplinas, professores procuram inserir em suas discussões a importância da preservação do planeta e formas de se agir para minimizar os danos causados à natureza.

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– Somos uma escola de educação básica que vai desde a educação infantil até o pós médio, e sempre tivemos a preocupação de levar para a comunidade questões importantes para a harmonia do convívio social. E a questão ambiental é uma pauta constante, em todos os níveis de ensino – comenta a supervisora da escola Angélica Kafrouni, 61 anos, ao explicar que já faz alguns anos que este tema é uma preocupação entre os docentes do colégio.

Reciclar 

Uma das práticas que realizam há mais tempo é o cultivo de alimentos orgânicos. No colégio, possuem uma estufa onde os alunos, professores e demais funcionários cuidam de diversas plantas e temperos.  A ideia é que, através do trato com a terra, aprendam a também lidar melhor com a natureza. 

Após a pandemia, a escola pretende abrir o espaço também a moradores da região, para que contribuam com cuidados com o espaço. 

Foi justamente pensando na maior integração da comunidade com as ações da escola que surgiram outras iniciativas relacionadas ao meio ambiente. Angélica conta que, neste ano, decidiram lançar um plano de ações que prevê o desenvolvimento de atividades que buscam corresponder a alguns dos ODS (mais detalhes no quadro abaixo). O foco principal será encontrar formas de reaproveitar resíduos orgânicos e recicláveis que são gerados na escola ou em casa. 

Em uma das etapas, os estudantes recolhem plásticos, papéis e papelão e levam para a sala de aula. Lá, aprendem a transformar esses produtos em artesanato e outros objetos utilizados na própria escola, como árvores de Natal feitas com garrafas pet ou suportes de plantas para serem utilizados em hortas.

Também foram incluídas na ação as funcionárias que atuam no refeitório do colégio. Sabendo que, no local, há sobras de alimentos, decidiram construir uma composteira para produzir adubo. O composto pode ser utilizado na estufa da escola ou pela própria comunidade.

“O que jogam fora, a gente transforma em trabalho” 

A diretora da escola, Izabel Brum Abianna, 51 anos, explica que há um desejo de se fazer uma maior integração dos moradores com as práticas ambientais que são desenvolvidas na escola. Devido à pandemia, a circulação dos pais foi limitada. Mas ela comenta que, para um futuro próximo, projeta o lançamento de oficinas abertas à comunidade que irão ensinar formas de transformar os materiais recicláveis em produtos que possam ser vendidos. Com isso, querem criar uma nova possibilidade de geração de renda.

Para aprimorar suas ações, a escola busca doações para promover uma formação que será ministrada aos alunos do Ensino para Jovens e Adultos (EJA). Nela, eles aprenderão a construir máquinas trituradoras e indutoras, equipamentos utilizados na transformação do plástico. 

Izabel relata ainda que, ao redor da escola, há vizinhos que trabalham como catadores. A ideia é que, tendo as máquinas, também possam disponibilizá-las para eles.

Uma das participantes dos projetos é Mônica Vieira, 35 anos, aluna do 6° ano do EJA. Ela voltou para a escola há dois meses e tem participado das oficinas de artesanato. Desempregada, acredita que a prática de reaproveitar os resíduos pode se tornar uma importante fonte de renda para ela e outros moradores de seu bairro. Por isso, se engaja na causa e aguarda ansiosa pelos equipamentos de reciclagem.

– Eu gosto de fazer coisas de arte. E é o que a gente faz. O que jogam foram, a gente transforma em trabalho. Estamos ajudando o meio ambiente, tirando lixo da rua e ainda podemos ganhar dinheiro fazendo isso – diz Mônica.

Entenda melhor e ajude

Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS)
/// Os ODS são recomendações criadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em parceria com diversos países – dentre eles, o Brasil – que buscam acabar com problemas globais como a pobreza e as mudanças climáticas. Para isso, foram estipulados 17 objetivos.
/// São neles que a Escola Liberato se baseia para construir seus projetos, relacionados aos ODS: Educação de qualidade, energia limpa e acessível, cidades e comunidades sustentáveis, consumo e produção responsável e parcerias e meios de implementação. Para conferir a lista com todas as ações recomendadas pela ONU, acesse brasil.un.org.

Como apoiar a escola
/// Para investir na formação que irá ensinar os alunos a fabricarem e manusearem as máquinas trituradoras e indutoras de plásticos, a escola precisa de R$ 12,5 mil. Mais informações sobre como ajudar: (51) 99188-3450.

Produção: Émerson Santos


 
 
 
 
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