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Criatividade 03/01/2022 | 05h00Atualizada em 03/01/2022 | 05h00

Jovens de comunidades da Zona Leste criam estampas para coleção de roupas

Produtos são vendidos por uma rede de lojas e parte do valor das vendas é revertido em ações para no bairro Bom Jesus

Jovens de comunidades da Zona Leste criam estampas para coleção de roupas André Ávila / Agencia RBS/Agencia RBS
Henrique e Luiza fizeram grafites pensando nas peças Foto: André Ávila / Agencia RBS / Agencia RBS

Foi em uma disciplina na faculdade de Pedagogia que a arte-educadora Luiza de Souza Câmara, de 22 anos, se reencontrou com a pintura. Desde criança ela gosta de desenhar e colorir, mas não olhava este talento como uma profissão. Foi a partir dessa atividade desenvolvida academicamente em 2017 que a menina deu o ponta pé inicial em sua vida artística. 

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— Meus colegas começaram a fazer encomendas e eu comecei a divulgar nas redes sociais. Não parei desde então — relembra.

A Luiza de 18 anos não imaginava o que estava por vir. Moradora do bairro Jardim Carvalho, neste ano foi convidada pela Agência Compromisso — instituição que promove a empregabilidade de pessoas da periferia — a participar de um concurso de estamparia para as lojas Youcom. A loja, que tem como público-alvo jovens e que possui mais de 100 unidades espalhadas pelo Brasil, faz parte da Lojas Renner S.A.

O projeto foi desenvolvido para promover workshops sobre estamparia a seis artistas independentes do bairro Bom Jesus, conhecido como Bonja, e bairros próximos, na Capital. Por fim, os artistas foram desafiados a fazer um grafite pensando em uma estampa para os produtos da Youcom, com a pergunta norteadora sobre o impacto da arte na vida deles. 

— Foram disponibilizados sprays e duas cartolinas brancas para que a gente fizesse o desenho — conta Luiza, que foi uma das vencedoras do concurso. 

Também foram selecionados Dimitri Oliveira e Henrique Lopes.

Grafitti

Com o trio de artistas formado, a Youcom mostrou todo o processo de design, adaptação nas peças, entre outras etapas que fazem parte da criação de um produto. Uma coleção com as estampas criadas pelos artistas, com duas peças, foi lançada em abril. As estrelas da coleção intitulada “Grafitti”, fizeram até mesmo as fotos oficiais que ilustram os produtos no site.

Segundo a gerente sênior de estilo da loja Bárbara Barreira, os consumidores se sentiram encantados com as peças, que geraram muito sucesso.

– Até mesmo os clientes que não conheciam a ação por trás das roupas compravam porque gostaram da estampa – conta. 

Dimitri Sousa de Oliveira, artista que morava na Bonja<!-- NICAID(14981035) -->
Dimitri também foi vencedor no concurso de estamparia Foto: Youcom / Divulgação

Após todos os produtos se esgotarem, a loja decidiu convidar os mesmos artistas para uma segunda coleção. Desta vez, a coleção – que já está disponível no site oficial da loja e na loja física do shopping Iguatemi – conta com seis peças, incluindo camiseta, moletom, boné.

O artista Dimitri, que era morador da Bonja, afirma que é uma honra estar levando o nome da comunidade a um cenário nacional:

– Tem muito potencial dentro das comunidades de Porto Alegre. Este trabalho é consequência do nosso talento – declara. 

Verba de volta na comunidade

Por meio do Instituto Lojas Renner – órgão da empresa que desenvolve trabalhos com fins sociais – parte do valor das vendas destes produtos desenvolvidos em parceria com os três artistas é revertido em ações para a Bonja. Luiza contou que participou de um dos projetos. Na oportunidade, foram entregues cestas básicas às famílias do bairro da Capital.

Preconceito enfrentado

Ao ser questionada sobre o preconceito no meio artístico – principalmente no grafite – Luiza diz que já passou por muitas situações que “as mulheres estão acostumadas a passar”. 

– Os meninos se sentem superior, te invalidam e querem te ensinar o que tu já sabe fazer – relata.

No processo de criação das estampas do concurso, ela afirmou não ter acontecido esse tipo de comentário: 

– Eles foram muito legais, trabalhamos em conjunto, sempre com muito respeito.

Por ser a única mulher a participar do processo seletivo, ela comentou que busca incentivar outras meninas a entrar nesse meio, sem se sentirem intimidadas. 

Luiza desenvolve oficinas de grafite e outras técnicas em escolas e destaca, com entusiasmo, que, na última ação, a maioria das crianças eram meninas.

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