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Imunização infantil07/02/2022 | 20h58Atualizada em 07/02/2022 | 20h58

No ritmo atual, RS só deve concluir em agosto a vacinação de crianças de cinco a 11 anos com a primeira dose

Análise foi feita com base em dados divulgados pela SES e checada por matemático da UFRGS

No ritmo atual, RS só deve concluir em agosto a vacinação de crianças de cinco a 11 anos com a primeira dose Ronaldo Bernardi / Agencia RBS/Agencia RBS
Em 20 dias, Estado vacinou 89 mil crianças de um público total de 964 mil, o que equivale a 9,3% dessa faixa etária Foto: Ronaldo Bernardi / Agencia RBS / Agencia RBS

A imunização de crianças contra a covid-19 avança no Rio Grande do Sul, mas há margem para melhorias. Se a campanha para a primeira dose continuar no ritmo atual, em que 9,3% do público entre cinco e 11 anos foram vacinados em 20 dias (dados correspondentes ao período que vai de 19 de janeiro até a manhã desta segunda-feira, 7 de fevereiro), é possível estimar que só por volta do dia 22 de agosto é que 100% das crianças dessa faixa etária poderão estar vacinadas. 

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A campanha de vacinação passou a incluir a população entre cinco e 11 anos no dia 19 de janeiro e, desde então, 89.337 doses já foram aplicadas nesse público alvo. O levantamento é da Secretaria Estadual da Saúde (SES), que estima que o grupo contenha 964 mil pessoas. O intervalo entre doses praticado no Estado é de 28 dias para a CoronaVac e de oito semanas para a Pfizer, de forma que, no momento, as crianças ainda não estão aptas a receber a segunda aplicação. 

A meta que o governo estadual busca, no caso do combate ao coronavírus, é alcançar ao menos 90% da população entre cinco e 11 anos, já que a imunização não é obrigatória, pondera Ana Costa, secretária-adjunta de Saúde do Estado. O entendimento da secretária é de que a campanha deve ser acelerada, mas há que ser considerado o fato de que algumas informações sobre o número de vacinados podem não terem sido computadas ainda. 

Segundo ela, um dos motivos para isso é que o SIPNI — Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações, onde são depositados os dados da vacinação — esteve fora do ar em janeiro por conta de um ataque hacker ao Ministério da Saúde. O Estado trabalha para atualizar os números, ao mesmo tempo em que pede que os municípios coloquem em dia seus registros recentes. As prefeituras também receberam, na última semana, um regramento para organizarem campanhas extramuros — ação em que a vacina é oferecida em diferentes pontos das cidades, e não só nas unidades de saúde.  

— Apesar de termos aproximadamente esses 9% referidos de vacinados, acreditamos que ainda há problemas com registros. Já pedimos ao Cosems (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Rio Grande do Sul) que reforce junto aos municípios o compromisso da digitação dos dados da vacinação porque, como tivemos muitas contaminações pelo coronavírus nas últimas semanas, acreditamos que o registro acabou não sendo a prioridade do momento. Isso, junto com o estímulo à vacinação extramuros, pode ajudar a termos números melhores do que os que estamos enxergando — afirma a secretária.  

A pasta da Saúde já esperava que a campanha infantil fosse mais lenta que a dos adultos, já que envolve um esforço de convencimento e acolhimento das que têm medo da vacina, além de uma atenção maior às dúvidas dos pais. Ainda assim, entende que é necessário reforçar o incentivo à vacinação, já que o problema da falta de doses — fator que segurou o avanço da campanha de vacinação dos adultos — não parece ser o caso para a imunização dos pequenos. De acordo com a SES, com a nova remessa que será distribuída aos municípios nesta semana, o Estado já terá entregue 80% das ampolas necessárias para concluir a vacinação do grupo com a primeira dose.   

—Não há uma ideia de que faltem vacinas. Temos um número muito considerável de vacinas já distribuídas e também chegaram novas doses pediátricas da Pfizer, além das doses de CoronaVac que já estão disponíveis. Falta de vacina não é um problema de nível estadual, embora possa ser um problema pontual em alguns municípios, mas que é resolvido rápido pois as remessas estão chegando com regularidade — explica Ana Costa. 

O professor do Departamento de Matemática Pura e Aplicada da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Álvaro Krüger Ramos, que tem trabalhado com dados relativos à pandemia nos últimos dois anos e revisou as estimativas apontadas nesta reportagem, pondera que pode haver uma tendência de desaceleração no ritmo da campanha, já que os pais mais interessados em vacinar seus filhos costumam fazê-lo no início da campanha, aumentando a demanda inicial. 

Vacinação na Capital  

Já em Porto Alegre, cerca de 30 mil primeiras doses já foram aplicadas em crianças com idades entre cinco e 11 anos, considerando dados do período de 19 de janeiro a 5 de fevereiro. Isso quer dizer que 25,3% do público alvo estimado, que é de 118.158 crianças, já recebeu a primeira aplicação contra a covid-19. Neste ritmo, é possível estimar que a Capital chegaria a 100% por volta do dia 30 de março. De acordo com o secretário adjunto da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Richard Dias, o ritmo da vacinação está de acordo com a expectativa da pasta, mas ainda há espaço para melhorias:

— A gente já esperava que, pela particularidade da vacinação em crianças, principalmente por terem que estar com um responsável, o que limita em função do horário que os pais estão livres, haveria uma diferença de ritmo com relação à vacinação adulta. Mas a nossa expectativa está sendo suprida e a questão do número de doses não é um problema. Temos um bom quantitativo tanto de CoronaVac como de Pfizer. 

A SMS notou um aumento na procura pela vacinação infantil na última semana. Isso ocorre porque a campanha, que desde janeiro foi aos poucos abrangendo cada faixa etária do grupo, já chegou no ponto em que todos indivíduos entre cinco e 11 anos, com ou sem comorbidades, podem buscar os postos de saúde. Para as próximas semanas, a pasta deve intensificar ações de divulgação da vacinação e tentar ampliar o número de unidades envolvidas na campanha. 

— A ação número um é ampliar ao máximo possível a vacinação na cidade, para além das 16 unidades que já vacinam. Também vamos manter a vacinação aos sábados, como já temos feito, e estudamos ampliar para os domingos. Sentimos que a adesão é muito boa nos finais de semana por causa da disponibilidade dos pais. Mas temos que ir com calma, pois essas ampliações geram toda uma mobilização e reorganização das equipes — afirma Dias.

A Secretaria Municipal da Saúde ressalta que os dados de vacinação informados para esta reportagem diferem dos que constam atualmente no vacinômetro da prefeitura da Capital, página online que contabiliza os dados da vacinação, e afirma: "os números são maiores em relação ao vacinômetro pois, no início da campanha, não havia campo no sistema do Ministério da Saúde para o registro das doses. As gerências faziam os registros de forma manual em planilhas. Posteriormente, esses números serão atualizados no vacinômetro".

Dados nacionais

Um levantamento feito pela Globonews junto a secretarias estaduais da Saúde de todo o país aponta que 18,8% das crianças de cinco a 11 anos receberam a primeira dose do imunizante contra a covid-19. São pouco mais de 3,7 milhões de imunizados, de um total de cerca de 20 milhões pessoas nessa faixa etária. São Paulo é o Estado que mais vacinou, com 48%, enquanto a Paraíba ocupa o último lugar, com apenas 1,8%. Nesse levantamento, que não inclui dados de seis unidades da Federação, o Rio Grande do Sul aparece com índice de 8%, na 14ª posição. 

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