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Seu Problema é Nosso15/04/2022 | 10h30

Família cria vaquinha para adquirir medicação negada pelo Estado

Rosimari precisa de duas doses mensais de fármaco que custa $ 6 mil

Família cria vaquinha para adquirir medicação negada pelo Estado Reprodução / Reprodução/Reprodução
Rosimari faz tratamento para curar câncer Foto: Reprodução / Reprodução / Reprodução

As dores abdominais que a dona de casa Rosimari Marques da Silva, 37 anos, começou a sentir em março de 2020 só foram explicadas um ano depois: ela foi diagnosticada com câncer no intestino. Em abril de 2021, uma tomografia mostrou que o tumor já havia atingido outros órgãos como ovários, fígado, baço e peritônio. 

Hoje, Rosimari faz quimioterapia no Hospital de Clínicas de Porto Alegre para tentar diminuir as lesões no fígado e no baço.  Para que o tratamento apresente melhores resultados ela precisa utilizar duas doses mensais do medicamento bevacizumabe que custa cerca de R$ 6 mil cada ampola. O caldeireiro de manutenção Leandro de Farias Souza, 38 anos, esposo de Rosimari, conta que eles já solicitaram o fornecimento da medicação duas vezes ao governo do Estado. Mas os pedidos foram negados. 

Diante das negativas, a família precisa de auxílio jurídico para solicitar o fornecimento da medicação ao governo federal. Como o remédio não é oferecido pelo SUS, Rosimari e o esposo tentam arrecadar dinheiro para a compra do fármaco.

– Estou fazendo tudo que está ao meu alcance para conseguir a medicação que ela precisa mas, por enquanto, está tudo muito difícil – afirma Leandro.

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Controle

De acordo com o médico oncologista e professor da Unisinos Henrique Träsel a droga é uma importante aliada para inibir o crescimento do tumor. Assim, se utilizada associada à quimioterapia, ela pode ajudar a controlar a doença.

– No setor privado este remédio costuma ser uma alternativa bastante utilizada. Infelizmente, ele não é disponibilizado pelo SUS – explica o médico.

Para realizar tarefas domésticas consideradas simples, como lavar louça, Rosimari enfrenta muitas dificuldades. Por isso, ela e o esposo optaram por se mudar do bairro Petrópolis, em Porto Alegre, para Canoas. Assim, conseguem ficar mais próximos da família. Atualmente, atividades cotidianas como levar os filhos Maria, quatro anos, e Henrique, oito anos, para escola são compartilhadas com parentes. 

– Pra mim está sendo muito difícil. Mas, sigo lutando com o apoio de quem eu amo – confessa Rosimari. 

Alto custo

As condições financeiras da família também ficaram comprometidas desde a descoberta do tumor. Ao contabilizar os custos de cartão de crédito, empréstimos e limite de banco, o caldeireiro de manutenção afirma ter uma dívida de quase R$ 70 mil reais. 

Rosimari que trabalhava como garçonete em uma pizzaria precisou se afastar do emprego para seguir com o tratamento. A dona de casa conta que, ainda que tenha acesso ao auxílio-doença, o valor não é suficiente para arcar com a compra do remédio. Por isso, além da vaquinha online amigos da família criaram uma rifa em que está sendo sorteada uma bicicleta. Todo o valor arrecadado será utilizado para a compra da medicação.

– Nós estamos enfrentando um momento muito difícil. Mas não podemos nos queixar da nossa rede de apoio. Temos pessoas muito boas ao nosso lado – conta Leandro.

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Ajude

/// Para contribuir financeiramente com a vaquinha clique aqui ou entre em contato com Leandro pelo WhatsApp (51) 99418-1266.

Informações pendentes

/// A reportagem entrou em contato com a 5ª Vara Federal de Porto Alegre, no dia 13 de abril, para pedir informações sobre o motivo da medicação ter sido negada duas vezes pela Justiça. Mas, conforme informações obtidas pelo WhatsApp da 5ª Vara Federal, a Justiça Federal “possui um feriado de quarta a sexta-feira, conforme art. 62, II, da Lei 5.010/66”. Por isso, o questionamento será encaminhado na próxima segunda-feira, 18 de abril, para a Seção de Comunicação Social responsável pelo relacionamento institucional com a imprensa.

Produção: Kênia Fialho

 
 
 
 
 
 
 
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