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Explica Aí 14/04/2022 | 05h00Atualizada em 14/04/2022 | 05h00

O Diário Gaúcho te ajuda a entender o que a guerra entre Rússia e Ucrânia tem a ver com o nosso bolso

Conflito no Leste Europeu tem reflexos na economia mundial

O Diário Gaúcho te ajuda a entender o que a guerra entre Rússia e Ucrânia tem a ver com o nosso bolso ALEXANDER NEMENOV / AFP/AFP
Quanto mais a guerra demorar, maiores serão as consequências econômicas Foto: ALEXANDER NEMENOV / AFP / AFP

O ataque da Rússia à Ucrânia, em 24 de fevereiro, surpreendeu muita gente na época, apesar dos movimentos das tropas russas na região. Agora, a guerra no Leste Europeu caminha para quase dois meses, o que espalha efeitos negativos pelo mundo inteiro, com “surpresa” na inflação no Brasil e a mais alta já registrada nos Estados Unidos desde 1981. A jornalista Marta Sfredo, colunista de economia de GZH, ajuda a explicar a situação.

Por que a guerra aumenta a inflação?
Por três efeitos. Primeiro, porque ninguém sabe quanto tempo o conflito vai durar e, portanto, quanto tempo vai levar para o comércio internacional voltar ao normal. Isso faz com que muitas empresas tentem antecipar compras, o que aumenta a procura e faz preços subirem. Segundo, porque a guerra afeta diretamente vários produtos. Rússia e Ucrânia têm grandes plantações de trigo e milho, dois alimentos essenciais tanto para as pessoas quanto para produzir rações para os animais. Com expectativa de que pode haver falta desses dois grãos, os preços sobem no mundo todo. A Rússia ainda concentra a produção de fertilizantes, usados para que os cultivos rendam mais. Como os portos russos foram bloqueados, há dificuldade para que esses adubos saiam de lá, por isso todas as opções ficam mais caras, o que aumenta os custos na agricultura. Terceiro, existe o efeito indireto de medidas tomadas por outros países para tentar forçar a Rússia a desistir dos ataques, as sanções econômicas.

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O que são essas sanções?
Foram adotados vários tipos de punições, usadas para tentar dificultar o funcionamento da economia russa, que já enfrenta os pesados gastos com a guerra, mas que acabam respingando no resto do mundo. Foram até apreendidos iates do tamanho de uma quadra de bilionários russos que ajudam a sustentar o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Isso faz com que menos dinheiro circule no mundo. Mas as sanções que mais afetam os outros países são as que impedem compra de produtos russos. Especialmente nos casos em que a produção mundial depende mais da Rússia, como o petróleo, os preços dispararam.

Isso afeta todo o mundo?
Sim, praticamente todos os países sofrem, do Brasil aos Estados Unidos, passando pela China. Mas alguns sentem mais do que em outros. Nos EUA, por exemplo, no dia 12 de abril foi divulgada inflação acumulada em 12 meses de 8,5%, a mais alta desde 1981. No Brasil, a inflação de março chegou a 1,62%, a maior para esse mês desde 1994, antes mesmo da implantação do Plano Real, que domou a hiperinflação no Brasil. Em 12 meses, atinge 11,3%. Além da diferença dos índices, a situação geral entre os países faz muita diferença: nos EUA, a inflação sobe, mas a economia está acelerada e a taxa de desemprego está baixíssima (3,6%).  No Brasil, a economia está empacada e o desemprego é quase quatro vezes maior (11,2%).

Tem solução?
Tudo depende de quanto a guerra vai durar. Todos os economistas dizem que, quanto mais demorar, pior será. Um dos motivos é que os esforços de guerra impedem a normalização da produção agrícola e industrial. Outro é a possibilidade de que, diante da falta de sinais de que a Rússia reduza a ofensiva, os países ricos aumentem a ajuda militar à Ucrânia, deslocando gastos para esse objetivo, e adotem ainda mais sanções, com risco de novos respingos para todos os países.

 
 
 
 
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