Fila por atendimento via SUS em Porto Alegre tem um pequeno alívio, mas índices continuam elevados - Notícias

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Saúde10/05/2022 | 05h00Atualizada em 10/05/2022 | 05h00

Fila por atendimento via SUS em Porto Alegre tem um pequeno alívio, mas índices continuam elevados

Quantidade de solicitações caiu de 98 mil para 96 mil no comparativo entre os meses de março e abril de 2022. Ainda assim, segue em patamar bastante alto 

Fila por atendimento via SUS em Porto Alegre tem um pequeno alívio, mas índices continuam elevados Diego Vara / Agencia RBS/Agencia RBS
Oftalmologia está entre as especialidades onde há mais pessoas aguardando Foto: Diego Vara / Agencia RBS / Agencia RBS

Os dados da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) demonstraram um pequeno alívio na fila do SUS em abril. Conforme a lista divulgada pela SMS, 96.078 solicitações aguardavam atendimento no mês passado. É uma redução de -2,1% em relação aos 98.146 pedidos que a fila acumulava em março. Ainda assim, o número do mês fechado mais recente é o segundo maior do ano, atrás somente dos dados de março.

A fila do SUS abriu o ano em Porto Alegre com 94.799 solicitações acumuladas. Em fevereiro, o número saltou para 95.336, acréscimo de pouco mais de 0,5%. Para março, quando chegou às 98 mil solicitações, o salto foi de 2,94%. Por isso, abril representa a primeira redução na fila neste ano. Ainda assim, o patamar de solicitações está alto. 

Em abril de 2020 (ainda no início da pandemia), eram 39.414, o número mais baixo alcançando desde o início da divulgação dos dados pela prefeitura, em março de 2017. Ou seja, em dois anos, a fila cresceu 143,7%. Se a comparação for com o mesmo período do ano passado, quando 64.828 solicitações estavam na fila, o salto é de 48,2%.

A fila do SUS na Capital passou por um extenso processo de revisão e de gerenciamento ao longo de 2018 e 2019, o que culminou em patamares de 40 mil solicitações acumuladas. Esse era o número que vinha se mantendo até o início de 2020, quando a pandemia teve importante presença no revés que se formou. 

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Porém, os dados do ano passado preocupam. Isso porque mesmo no segundo semestre, o crescimento foi de 33,5%. O número chama atenção porque nesse período a pandemia já estava bem menos grave do que na mesma época de 2020 ou até do que no primeiro semestre do ano passado. 

Em janeiro, o Diário Gaúcho mostrou que a fila do SUS na Capital era a maior em quatro anos – de acordo com dados de novembro de 2021, os mais atuais disponíveis. Mas o maior patamar da fila foi atingido em março, quando mais de 98 mil solicitações ficaram acumuladas. Este foi o índice mais alto em toda série histórica divulgada pela SMS. 

Na reportagem de janeiro desde ano, a pasta municipal de Saúde apontou que pacientes estavam retornando ao sistema depois de períodos mais acentuados de isolamento social, por isso a fila crescia. Na contramão, a oferta de consultas não alcançava esse crescimento. A SMS afirmou que “estavam sendo feitas análises para verificar a possibilidade de aumento na oferta junto aos prestadores”.

Porém, isso não ocorreu. Entre janeiro e abril, a oferta reduziu. No primeiro mês deste ano, a prefeitura ofertou 23.373 primeiras consultas para 94.799 solicitações acumuladas – a proporção era de 0,24 atendimento para cada solicitação. Enquanto em abril, foram 18.093 primeiras consultas para 96.078 pedidos de atendimento – uma proporção de 0,19 atendimento a cada pedido. 

Gargalo na oftalmologia

A fila do SUS na Capital se divide em 175 especialidades. Entre estas, a oftalmologia triagem visual, que é a consulta inicial para constatar ou não a necessidade de óculos, é a que mais tem pessoas esperando atendimento. São 9.355 solicitações acumuladas até o mês passado – e só em abril, foram 208 novos pedidos inseridos. Enquanto isso, apenas 12 primeiras consultas foram ofertadas para este atendimento no mesmo mês. O tempo de espera mediano para atendimento é de 193 dias nos casos de baixa complexidade. São mais de seis meses. A oftalmologia é dividida em 13 filas na tabela da SMS. Juntas, essas filas representam 17.269 solicitações esperando chamado – a grande maioria para a triagem visual.

Porto Alegre, RS, Brasil - 28/12/2021 - Fila de espera do SUS na Capital é a maior em quatro anos. Na foto: Núbia. (Foto: Anselmo Cunha/Agência RBS)<!-- NICAID(14978423) -->
Núbia Dutra ainda aguarda por cirurgiaFoto: Anselmo Cunha / Agencia RBS

Em janeiro, o DG mostrou que Núbia Ventura Dutra, 59 anos, afastada do trabalho de higienização no Hospital da Restinga por razões de saúde, tinha entrado na fila da oftalmologia, na especialidade de catarata. Núbia ainda segue esperando atendimento.

Distante, mas não tanto, a segunda maior fila de espera é a da cirurgia geral adulta, que abrange operações abdominais, videolaparoscópicas e ou de trauma. Nos casos considerados de baixa complexidade, a espera mediana por atendimento é de 252 dias. Na alta complexidade, esse tempo cai para 22 dias. Mas estes nem são os maiores tempos de espera por atendimento na fila da SMS na Capital. Atendimentos na área de saúde mental transexualidade chegam a ter espera mediana de 350 dias, quase um ano. 

A metodologia de apresentação dos dados, não mostrando mais a média de espera, mas a mediana, que excluiu solicitações anteriores a 2021.

Retomada da população

A Secretaria Municipal da Saúde, por meio de nota, informou que “credita o aumento da fila à retomada da busca da população por atendimento, já que durante a pandemia houve redução na procura por cuidados gerais de saúde”, e que “a leve queda em abril se deve a um início de retorno a normalidade das solicitações, assim como restabelecimento da oferta”.

A SMS ainda afirmou que “busca a retomada dos atendimentos e exames que ficaram represados durante a pandemia”, para com isso reduzir as filas de espera. Sobre a fila da oftalmologia, “a secretaria busca a implementação da oferta na especialidade, já tendo aumentado essa oferta junto ao Hospital Vila Nova, o que já está refletindo na redução desta fila”. 

Já para os atendimentos de alta complexidade, “a secretaria depende da oferta dos Hospitais Terciários. Esta oferta vem sempre sendo rediscutida conforme as necessidades da população”.

 
 
 
 
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