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Seu Problema É Nosso09/05/2022 | 13h49Atualizada em 09/05/2022 | 14h02

Paciente reclama de espera por cirurgia

Problema que afeta a coluna de Volmir foi diagnosticado em 2019

Paciente reclama de espera por cirurgia Arquivo pessoal / Arquivo pessoal/Arquivo pessoal
Devido às dores, ele não consegue se manter em pé Foto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Em 2019, o eletricista Volmir Bernardes, 53 anos, realizava um tratamento no tornozelo quando recebeu um alerta do médico: precisava cuidar também de possíveis problemas na coluna. Foi um aviso e quase uma antecipação do que viria. No final do mesmo ano, uma crise de dor na coluna o levou ao posto médico 24 horas de Balneário Pinhal, no Litoral Norte, onde reside.

A dor era tanta que ele diz ter precisado de morfina para aplacá-la. Medicado, mas sem um diagnóstico, voltou para casa com o encaminhamento para realizar um exame de ressonância magnética. Acabou tendo que fazê-lo três vezes até descobrir que a dor, que desde então passou a acompanhá-lo, era indicativo de um problema que demandaria uma cirurgia.

Em abril de 2020, foi encaminhado pelo município de Balneário Pinhal à Secretaria Estadual de Saúde (SES), a qual caberia providenciar o atendimento especializado. Só que a espera seria longa.

– Fui encaminhado para o neurocirurgião, e o Estado me colocou na classificação amarela, de pouca urgência. No final de 2021, me pediram para atualizar a solicitação e aí me colocaram na classificação laranja, de maior gravidade – conta.

A primeira consulta especializada de Volmir ocorreu na Santa Casa de Porto Alegre em janeiro de 2022. Nessa ocasião, o médico disse que ele precisava de uma neurocirurgia, mas teria que, primeiramente, atualizar os exames feitos havia dois anos.

Pelo SUS, o hospital informou-lhe que a nova ressonância magnética poderia demorar de seis meses a um ano. Diante disso, ele e a esposa decidiram pagar pelo exame em uma clínica privada. Com os resultados em mãos, pôde consultar mais duas vezes com o especialista.

– Na terceira consulta, o médico me confirmou que eu precisaria de cirurgia, e eu perguntei quanto tempo demoraria. Ele me disse que seria em breve, mas nunca me deram um prazo – explica Volmir.

Medo

Na última consulta, em 11 de fevereiro, Volmir deixou a Santa Casa de Porto Alegre com um pedido de internação hospitalar. Porém, diz não ter sido mais chamado para dar andamento à solicitação.

Desde então, conta, as dores tornaram-se ainda mais fortes e sequer permitem que ele fique em pé por mais que alguns minutos. Com isso, passa o dia inteiro deitado em um colchão rígido, que ajuda a diminuir o desconforto.

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– Por ficar muito tempo deitado, eu estou perdendo a musculatura de várias partes do corpo. E, como o problema atinge a minha cervical, também não tenho mais o movimento total de uma das mãos – explica Volmir.

Além dos efeitos que tem observado, ele conta que está com medo de que sua condição evolua para um quadro irreversível. Isso porque o próprio médico da unidade básica de saúde de Balneário Pinhal alertou Volmir desta possibilidade.

– Numa das vezes em que o médico veio aqui em casa, eu perguntei o que aconteceria sem a cirurgia. E ele me disse que eu poderia não andar mais – lamenta.

Contraponto

A Secretaria de Saúde (SMS) de Balneário Pinhal diz, em nota, que “assim que a consulta é autorizada, o processo é encerrado no sistema e cria-se um vínculo do hospital de referência com o paciente”. De forma similar, a Secretaria Estadual da Saúde (SES) afirma que é responsável por agendar a primeira consulta especializada: “Diagnóstico, realização de exames e demais procedimentos, se necessários, são definidos e agendados pelos prestadores”.

Já a Santa Casa diz que trabalha para que a cirurgia de Volmir seja agendada com a maior brevidade possível: “Devido ao volume cirúrgico de urgências, realidade ampliada na pandemia, as filas de espera para os procedimentos nos quais o paciente está incluído estão sendo reorganizadas”.

Produção: Guilherme Jacques



 
 
 
 
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