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Nova vida em 202224/06/2022 | 11h17Atualizada em 24/06/2022 | 11h17

Outros sonhos para grandes sonhadores: veja como foi o mês de junho para os leitores acompanhados pelo DG 

Desde janeiro, o jornal acompanha Aline, Delene e Gerson na busca de seus objetivos para este ano

Outros sonhos para grandes sonhadores: veja como foi o mês de junho para os leitores acompanhados pelo DG  Camila Hermes / Agencia RBS/Agencia RBS
Aulas pelo YouTube ajudam Aline na preparação para exame Foto: Camila Hermes / Agencia RBS / Agencia RBS

Chegamos na metade do ano, e os sonhos dos nossos leitores tornam-se cada vez mais reais e até maiores, com novos objetivos pela frente. Aline, moradora de Viamão, já está bem adaptada em seu emprego, após quase três meses de contratação. Agora, ela estuda para ganhar seu certificado de conclusão do Ensino Médio. Delene, de Porto Alegre, ainda enfrenta dificuldades para arrecadar o dinheiro necessário para adquirir sua casa própria. No entanto, ela está fazendo um curso de formação de escritores, a longo prazo, sonha em escrever um livro com sua história de vida. Já Gerson, de Cachoeirinha, é só sorrisos. Com sua prótese dentária desde março, ele vive a rotina escolar e do trabalho.

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Aline, empregada, volta aos estudos 

A leitora Aline Veiga, que o DG acompanha seu sonho desde o início do ano, voltou a estudar e está se preparando para realizar a prova do Encceja, no fim de agosto - Viamão, RS, 22/06/2022 - Foto: Camila Hermes/Agência RBS<!-- NICAID(15130354) -->
Aline sente sua rotina, aos poucos, entrando nos trilhos novamente. Foto: Camila Hermes / Agencia RBS

Visando qualificar seu currículo e conseguir o tão sonhado diploma do Ensino Médio, Aline Veiga, 32 anos, acrescentou os estudos na sua rotina diária. Atualmente, ela está se preparando para realizar o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos (Encceja), que ocorre no dia 28 de agosto. A prova é direcionada a jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de concluir seus estudos na idade recomendada.

– Além do certificado de conclusão em si, para mim, é importante justamente finalizar os estudos, pois tive que interrompê-los devido à minha primeira gravidez. E sempre sonhei com esse momento – diz.

Com pouco tempo disponível aos estudos, visto que fica longe de sua residência por mais de 10 horas e possui as responsabilidades como mãe e dona de casa, Aline se prepara para a prova por meio de videoaulas no YouTube, conforme indicação de uma amiga. Ela conta que faz essas tarefas, principalmente, quando seus filhos já estão dormindo:

– Sei que não estou conseguindo me preparar da melhor maneira, mas quero tentar e, por ser a primeira vez, ter a experiência de como funciona a prova. Se não passar, continuarei tentando nas próximas edições.

Aline tem o desejo de fazer a prova há um bom tempo, mas, até então, não tinha sido possível. Este ano, graças ao incentivo das amigas e da irmã, Ester – que a inscreveu no Encceja –, a oportunidade não passou batida.

Quando questionada sobre em quais disciplinas possui mais dificuldade ou facilidade, Aline fala:

– Na verdade, devido ao longo tempo sem estudar, não há nenhuma matéria fácil. Mas, considero que, para mim, a mais difícil seja português.

Rotina

Em um futuro um pouco mais distante, Aline até pensa também em fazer uma faculdade, embora não tenha decidido o curso que quer seguir. Ela considera que precisa, primeiramente, estabilizar as outras questões de sua vida, como o tempo de qualidade para a família, estudos e trabalho. A realização e a aprovação no Encceja são uma grande conquista e um passo largo que dará em sua carreira. 

Cada vez mais adaptada à função de auxiliar de serviços gerais na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Aline sente sua rotina, aos poucos, entrando nos trilhos novamente. Ainda acordando às 4h e trabalhando das 6h às 15h, ela conta que está aprendendo e evoluindo muito com suas colegas e líderes em seu serviço.

De acordo com ela, seus filhos, Kaique, três anos, João, nove anos, e Luís, 13 anos, já estão bem mais acostumados com essa rotina da família. Agora, enquanto não estão na escola, eles ficam na casa de uma amiga de Aline:

– Ainda é uma luta, mas tanto eles quanto eu estamos mais adaptados e conseguindo aproveitar o tempo que temos juntos.

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Dificuldades e objetivos

Delene, de Porto Alegre, ainda enfrenta dificuldades para arrecadar o dinheiro necessário para adquirir sua casa própria.<!-- NICAID(15129804) -->
Delene vê escrita como portunidadeFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Moradora do bairro Santa Tereza, na Capital, Delene Cosconetto, 43 anos, ainda enfrenta adversidades para conseguir seu tão sonhado imóvel. A vaquinha online, cuja meta é chegar a R$ 40 mil, arrecadou menos de R$ 30 neste mês. No total, o financiamento coletivo possui um pouco mais da metade do valor pretendido.

No mês passado, o DG tratou sobre políticas públicas de habitação na Capital, e Delene buscou se informar se estava apta a ser beneficiada por algum dos programas, mas descobriu que não. Os benefícios, em sua maioria, são destinados a famílias que vivem em áreas de extremo risco ou com necessidade de realocação mediante laudo técnico – o que não é o caso dela. 

Tendo em vista essas dificuldades, Delene divulga a vaquinha online nas redes sociais e para conhecidos. Ela considera essa uma de suas principais esperanças.

Livro

Formada em Letras pela UniRitter em 2010, hoje, Delene participa de um curso online de formação de escritores oferecido pela Editora Metamorfose, de Porto Alegre. No próximo ano, sonha em escrever um livro. O curso, que começou no ano passado, está sendo ofertado de graça pelo amigo e ex-colega de faculdade Marcelo Spalding, coordenador da editora:

– Ela é uma grande pessoa. Quando soube da dificuldade em relação à casa, pensei no curso como forma de motivá-la.

Três textos de Delene foram selecionados para participar de uma coletânea de minicontos da própria editora Metamorfose, que será lançada no fim do ano. O livro, que já está na quarta edição e conta com cerca de 90 contos, será comercializado por até R$ 45. Cada autor terá 10 cópias, podendo revendê-las. 

Delene conta estar empolgada com a oportunidade:

– Está sendo muito legal essa experiência e estou aprendendo bastante. Participar da coletânea é uma honra.

No futuro, com a escrita aprimorada, Delene quer contar a história de toda sua jornada e como superou situações desafiadoras, além de falar sobre os trabalhos voluntários que já fez. No entanto, pensa em usar personagens fictícios. Na obra, a personagem que irá representá-la receberá o nome de Helena.

Sorrindo cada dia mais

Desde março, quando ele recebeu as próteses dentárias, Gerson não teve mais vergonha de sorrir<!-- NICAID(15129801) -->
Gerson não tem mais vergonha de sorrirFoto: Arquivo pessoal / Arquivo pessoal

Uma nova vida. Assim, Gerson Fabiano Pacheco, 43 anos, define o ano de 2022 até aqui. Neste mês, a evolução de seus objetivos foi um pouco mais lenta, pois ele enfrentou longos dias com fortes sintomas gripais, precisando ficar em isolamento. Mas já está bem e busca estar sempre na ativa, tanto nos estudos, que retomou este ano, quanto no trabalho como auxiliar de serviços gerais.

Desde março, quando recebeu as próteses dentárias, não teve mais vergonha de sorrir. Gerson já se sente bem adaptado.

– Sigo sempre sorrindo, tenho muitos motivos para isso. Não tenho nenhuma vergonha de mostrar os dentes – admite.

Batalhas

Para o seu livro autobiográfico, ele está fazendo as anotações em rascunhos, mas garante que as principais histórias e lembranças estão bem vivas na sua mente para passar ao livro. Agora, o morador de Cachoeirinha luta para conseguir apoio para o lançamento de sua obra, que será dividida em três partes: a infância, o período como dependente químico e o atual:

– Lançar um livro não é barato. Estou em busca de uma editora, de patrocínios e dicas de escrita. Toda ajuda é bem-vinda.

Vivendo como morador de rua e sofrendo com a dependência química, entre 2007 e 2013, Gerson relata que, hoje, todo dia é uma superação diferente. Por conta disso, ele não gosta de ficar parado, prefere o movimento: 

– Sempre que ando pela rua é um gatilho. Lembro que, em determinada calçada, eu já dormi, já comi em tal lixeira, e assim vai. Mas tudo é um renascer, um recomeço e muito aprendizado. Tento tirar o lado positivo, pensando que já superei isso.

Produção: Leonardo Bender

 
 
 
 
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