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Nova vida em 2022 

Mudanças e novas metas: como está a reta final do ano para os leitores acompanhados pelo DG

Aline, Delene e Gerson estão na saga pela realização de seus sonhos

25/11/2022 - 10h31min

Atualizada em: 06/12/2022 - 15h38min


Camila Hermes / Agencia RBS
Delene é uma das autoras de um livro que teve as vendas oficiais iniciadas na Feira do Livro de Porto Alegre

Ao longo de 2022, mês a mês, o Diário Gaúcho tem acompanhado três leitores na busca pelos seus sonhos. Aline, de Viamão, estava à procura de um emprego de carteira assinada – e conseguiu uma vaga de auxiliar de serviços gerais em abril. Em novembro, começou a pensar em fazer algum curso para poder atuar também em outras áreas, como a estética.

Ainda na Região Metropolitana, até então morador de Cachoeirinha, Gerson queria próteses dentárias para, assim, voltar a sorrir. O objetivo foi alcançado em março. Ele se mudou para Gravataí em novembro e, agora, tenta se adaptar a uma nova rotina.

Já Delene, de Porto Alegre, sonha em ter uma casa própria e segue atrás de ajuda. Mas, neste mês, outra conquista se tornou realidade para ela: Delene é uma das autoras de um livro que passou a ser vendido oficialmente durante a Feira do Livro de Porto Alegre. A obra se chama TikTextos: Minicontos, Haicais, Poetrix, Aforismos e Outros Textos Brevíssimos. Com esse exemplar publicado, ela planeja um próximo, individual.

No clima do mês que foi marcado pela Feira, o DG traz dicas que podem ajudar quem quer entrar no mundo da literatura. Afinal, como se faz para escrever um livro?

O CAMINHO PARA PRODUZIR UM LIVRO

1. De onde partir

— A primeira coisa é tu acreditares que é possível, se livrar da autossabotagem, do "não vou saber escrever e tal" — aponta a bibliotecária Morgana Marcon, diretora da Biblioteca Pública do Estado, ligada à Secretaria da Cultura.

Começar pela escrita de textos menores, como poesias, crônicas e contos, é um caminho. As ideias podem surgir em situações do dia a dia. Como destaca Morgana, ter uma rotina é importante: mesmo quando a inspiração não vem, faça anotações para, quando vier, aquele pequeno texto se tornar algo maior. 

2. Conhecer

É claro que a leitura não poderia ficar de fora, principalmente, do tipo de texto que se quer escrever. João Xavier, representante dos editores na Câmara Rio-grandense do Livro, ressalta que a escrita também requer estudo:

— Precisa entender que é uma atividade como outra qualquer, que não é só inspiração. A pessoa tem que se dedicar, querer conhecer, ler clássicos, autores novos, porque a literatura tem muita fórmula.

A pesquisa pode ser feita por conta própria — o YouTube é uma opção. Ou com ajuda de oficinas para se aprender a construir um bom texto e se conhecer as regras e os diferentes gêneros (os "tipos" de texto). 

A bibliotecária Morgana inclui, ainda, a sugestão de que se participe de eventos como saraus, contações de histórias, clubes de leitura e até de concursos de escrita.

3. Ajuda de outros

Apesar de escrever ser uma atividade que se faz sozinho, para melhorar, é necessária a ajuda de outras pessoas. É o que destaca o professor de Escrita Criativa Bernardo Bueno, que coordena o curso de graduação na área na PUCRS.

A ideia é poder contar com amigos, pessoas que gostem de escrever ou algum professor, por exemplo, que possa ler e dar dicas. Na internet, há comunidades de pessoas que estão entrando neste mundo. Mas também vale reunir um grupo de conhecidos com a mesma intenção e fazer uma espécie de oficina literária, em que se troque opiniões e se leia os textos em conjunto.

Como pontua Maria da Glória Jesus de Oliveira, presidente da Academia de Artes Literárias e Culturais do Estado do RS (Alers), desse contato com outros, é possível ter até algum tipo de orientação, caso a pessoa ainda não esteja muito confiante sobre qual gênero está escrevendo.

— Dá para uma pessoa que possa ler sem qualquer crítica, um leitor comum. Depois pode passar para alguém que possa ler já com um outro sentido, alguém que escreve e tem condições de avaliar, dizer, por exemplo, se isso é uma crônica, se é um conto, se é um relato, se é um poema, enfim — sugere Maria.

Dependendo dos recursos disponíveis, vale contratar um revisor profissional. E quando o texto estiver pronto, chega a vez da publicação.

4. Na hora de publicar

Gráfica ou editora

No caso de livros em papel, não há muitas opções para quem quer publicar de forma gratuita ou com baixo custo. 

O autor pode levar o projeto para uma gráfica. Ou optar por ter a ajuda de uma editora. Neste último caso, João, da Câmara Rio-grandense do Livro, indica que a pessoa acompanhe as editoras nas redes sociais para ver o que estão lançando. Por meio dos sites ou de e-mails, o texto pode ser enviado para avaliação.

O processo seguinte inclui, por exemplo, criação da capa e de imagens, se for o caso. O professor Bernardo lembra também que os autores podem fazer vaquinhas virtuais para publicar livros, pedindo apoio financeiro de outras pessoas.

De graça

De forma gratuita, a participação em editais é um caminho. No Rio Grande do Sul, o Instituto Estadual do Livro (IEL) é uma das instituições que oferecem essa opção. Também é possível tentar pelo Fundo de Apoio à Cultura (FAC) e pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC). No momento, não há previsão de lançamento de novos editais. Para conferir as atualizações, acompanhe as contas @sedac_rs, @acontecenaculturars e @iel_rs no Instagram.

Em nível nacional, existem concursos como o Prêmio Sesc de Literatura, voltado a pessoas que querem publicar seus textos pela primeira vez. Os novos escritores inscrevem as suas obras, e quem for selecionado tem o livro publicado sem custos, além de entrar na programação literária do Sesc. A previsão é de que, em janeiro, seja lançada a próxima edição do prêmio.

Saindo do papel

A internet também é uma alternativa. O texto pode ir para o Instagram ou o Facebook, ganhar um novo formato no Youtube ou ser publicado em plataformas online como o Medium e o Wattpad, voltadas a textos. Também dá para fazer em formato de e-book (livro digital) e vender em sites como Amazon.

— Então, o livro digital é uma possibilidade, o livro impresso é outra e uma coisa que dá para pensar daqui para frente, porque às vezes dá para fazer em casa mesmo, é um audiolivro (livro falado). Pode-se criar um livro em versão audiolivro e colocar à venda online. É um mercado que está crescendo bastante ultimamente — comenta o professor Bernardo.

No caso da internet, o cuidado a se tomar é com a questão do direito autoral, para que ninguém "roube" o texto.

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A ESCRITORA DELENE

Camila Hermes / Agencia RBS
Marcelo (na foto) convidou Delene a participar do curso que permitiu a publicação do livro: 'TikTextos: Minicontos, Haicais, Poetrix, Afrorismos e outros textos brevíssimos'

Foi com um sentimento de gratidão que Delene Cesconetto, 43 anos, moradora do bairro Santa Tereza, na Capital, viu o livro do qual é uma das autoras pronto: 

— Confesso que foi muito emocionante, passa muita coisa na cabeça da gente. Sei que é um texto pequeno, um caminho que está no começo, mas é uma emoção.

A obra é fruto de um curso que ela começou a fazer em 2021, de forma online, para formação de escritores. A atividade foi um presente do editor Marcelo Spalding, da Editora Metamorfose, que oferece a capacitação. Ele e Delene foram colegas na faculdade de Letras.

— Ela sempre foi muito querida, comunicativa e, quando soube que estava passando por dificuldades, além de uma ajuda em dinheiro, ofereci o curso, pois ela sonha em escrever um livro individual — explica Marcelo.

A moradora de Porto Alegre segue vendendo a obra. Para comprar um exemplar, entre em contato pelo (51) 98601-0354. 

Ajuda no dia a dia

Nos seus rascunhos em casa, Delene usa a escrita como uma forma de "colocar tudo para fora" e de oração. Quanto à leitura, em 2022, diz já ter lido 16 livros. Como sugestão, indica o romance O Vendedor de Sonhos: O Chamado, de Augusto Cury. 

Além de estar vendendo o livro que tem seus textos, Delene também está fazendo uma rifa de café da manhã, com sorteio previsto para dezembro. Ela aceita, ainda, doações de itens para higiene e medicamentos (betaprospan, pregabalina 150mg, hidroxicloroquina 400mg, vitamina D e ciclobenzaprina) e oferece aulas de Português em sua casa ou de forma remota para alunos de séries iniciais ou idosos, assim como vende lingeries e cosméticos. 

A vaquinha da casa própria segue de pé. Neste mês, recebeu R$ 230. A meta é chegar a R$ 40 mil. É possível contribuir pelo link bit.ly/ajudedelene, ou via Pix, com a chave sendo o número de telefone 51986010354. 

Em paralelo, Delene aguarda novidades sobre seu processo junto à Defensoria Pública da União para conseguir aposentadoria ou algum auxílio do INSS. A falta de dinheiro para pagar transporte a fez ficar afastada das sessões de fisioterapia nos últimos oito meses, mas, agora, pretende voltar aos poucos.

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MUDANÇA DE ROTA

Gerson Fabiano Pacheco / Arquivo Pessoal
Alguns dos livros que Gerson já leu

Novembro foi de novos ares para Gerson Fabiano Pacheco, 43 anos. Ele passou a morar na Vila Tom Jobim, em Gravataí. E, agora, busca uma vaga de carteira assinada — até então, estava trabalhando como pedreiro em uma obra.

Por conta da distância e dos custos com transporte, Gerson deu uma pausa nas aulas da Educação de Jovens e Adultos (EJA), na qual estava na sexta série em uma escola de Cachoeirinha. Mas diz que pretende voltar em 2023.

Nos últimos meses, ele vinha fazendo rascunhos para três livros que deseja escrever: um sobre sua infância, outro sobre o período que viveu como morador de rua e o terceiro sobre sua vida após a dependência das drogas. Por enquanto, com as mudanças que novembro trouxe, deixou o projeto dos livros em pausa.

Apesar disso, a leitura é algo que tem acompanhado Gerson ao longo do ano. Entre as obras que já leu, ele dá como dica o romance O Alquimista, de Paulo Coelho.

— Por causa de uma frase que tem no livro que, quando você quer alguma coisa de verdade, de coração, o universo conspira para que aconteça. É uma frase que ficou bem marcada na minha mente — descreve.

PASSEIO NA FEIRA

Aline dos Santos Veiga / Arquivo Pessoal
Aline tem lido a obra que comprou na Feira do Livro

Na família de Aline dos Santos Veiga, 32 anos, moradora do bairro Esmeralda, em Viamão, o filho mais velho lembrou da Feira do Livro da Capital e motivou a mãe a fazer o passeio. Aline e seus três filhos foram ao evento, na Praça da Alfândega, e levaram alguns livros.

Para si mesma, Aline escolheu a obra O Sonho de um Caboclo, de Elzita Ladeia Teixeira, que já está lendo. Na sua rotina, a leitura entra quando há tempo disponível, mas o hábito é algo que busca incentivar nos filhos.

No mês passado, o mais novo estava se recuperando de uma crise de asma. Ao longo de novembro, melhorou, fazendo tratamento.

Com o ano se despedindo de vez, Aline tem em mente um novo objetivo. Ela quer encontrar um curso para se profissionalizar em atividades como manicure, pedicure ou depilação:

— Com criança, é bom estar fazendo curso para sempre ter alguma coisa na mão e poder sustentá-los.

LIVROS PARA LER DE GRAÇA

Confira algumas opções de bibliotecas públicas nas cidades onde vivem nossos três sonhadores:

Biblioteca Pública Municipal Monteiro Lobato, em Gravataí
/// Local: Rua Coronel Fonseca, 936, no centro da cidade
/// Funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 17h, sem fechar ao meio-dia
/// O serviço é gratuito? Sim
/// Acervo: em torno de 23 mil obras
/// Telefone: (51) 3600-7903

Biblioteca Pública do Estado do RS, em Porto Alegre
/// Local:
Rua Riachuelo, 1.190, bairro Centro Histórico
/// Funcionamento: de segunda a sexta, das 10h às 18h, e sábado, das 10h às 17h, sem fechar ao meio-dia
/// O serviço é gratuito? Para levar livros emprestados para casa, a taxa de inscrição é de R$ 10. Para ler ou usar serviços no local, não é necessário cadastro ou pagamento de taxa
/// Acervo: em torno de 250 mil livros
/// Telefone: (51) 3224-5045

Biblioteca Pública Municipal Erico Verissimo, em Viamão
/// Local:
Rua Marechal Deodoro, 220, no centro da cidade
/// Funcionamento: segunda a sexta, 8h30min às 11h30min e das 13h às 16h30min
/// O serviço é gratuito? Sim
/// Acervo: em torno de 30 mil obras
/// Telefone: (51) 3492-7641

Biblioteca Pública Municipal Josué Guimarães, em Porto Alegre
/// Local:
Avenida Erico Verissimo, 307, bairro Menino Deus
/// Funcionamento: de segunda a sexta, das 9h às 18h, sem fechar ao meio-dia
/// O serviço é gratuito? Sim
/// Acervo: em torno de 40 mil itens
/// Telefone: (51) 3289-8078

Produção: Isadora Garcia



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