Cris Silva conta a história de um bebê prematuro - Diário Gaúcho

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Lá em Casa09/11/2018 | 08h00Atualizada em 09/11/2018 | 08h00

Cris Silva conta a história de um bebê prematuro

Colunista escreve todas as sextas-feiras no Diário Gaúcho

Cris Silva conta a história de um bebê prematuro /

Eu passei os últimos meses da minha gestação imaginando como seria o nascimento do Matheus. Cesárea? Parto normal? Ele vai chorar? Vai dar tudo certo? É impossível saber antes. 

O Matheus nasceu de cesárea, berrando forte e veio direto para o meu peito. Foi olho no olho e imediatamente ele parou de chorar. E eu comecei. Só que nem sempre esse encontro entre mãe e bebê acontece. Tem vezes que as coisas tomam rumos diferentes e, por uma ou outra complicação, esse momento é adiado. 

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Hoje, o assunto da coluna é prematuridade e eu te apresento a história da Raquel, que teve que esperar dois meses para pegar a filha no colo. A Paulinha nasceu prematura, com 27 semanas de gestação e menos de um quilo.

790 gramas de amor
Uma complicação na gravidez fez com que Raquel Azevedo da Silva, 36 anos, fizesse o parto às pressas. Ela deu à luz a Paulinha, que chegou com 27 semanas, 32 centímetros e pesando apenas 790 gramas. 

– Ela teve muitas intercorrências. Fez transfusão de sangue e passou por uma cirurgia no intestino com poucos dias de vida. Foi complicado não pegá-la no colo. Só ouvi o choro e logo ela foi para a incubadora – conta Raquel, que sequer conseguiu ver a pequena após o parto:

– Só consegui ver minha filha uma semana depois que ela nasceu. Tive complicações e não saía da cama. 

Raquel Azevedo da Silva com a filha Paula, que nasceu prematura
Raquel segurou Paulinha em seus braços apenas dois meses após o partoFoto: Divulgação / Divulgação

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A pequena passou seis meses na UTI do Hospital Presidente Vargas, em Porto Alegre. A mãe, é claro, acompanhava tudo o que podia.

– Eu ia para lá de manhã e ficava ao lado dela o tempo todo. Ela era muito pequenininha. Então, só conseguia segurar a mão dela, de luva, pelo vidro... Eu pedia para ela não desistir, dizia baixinho que estava ali esperando, com todo o meu amor – diz Raquel.

Raquel Azevedo da Silva com a filha Paula, que nasceu prematura, e Denise Suguitani, fundadora e diretora da ONG prematuridade.com
Raquel (D), Paulinha e Denise, presidente da ONG Prematuridade.comFoto: Divulgação / Divulgação

Primeiro colo
O tão esperado colo só veio após dois meses:

– Foi mágico. Ela estava entubada, cheia de aparelhos, e eu senti ela no meu peito. Choro só de lembrar. Foram seis meses de UTI até que a Paula atingiu 3,1 kg e saiu do hospital. 

Hoje, Paula está com seis anos, saudável e feliz.

– Eu pedia pra Deus todos os dias para que ela ficasse bem – diz Raquel.

Dados

/// A cada dez nascimentos no Brasil, ao menos um é prematuro, sendo esta a principal causa de mortalidade infantil no país. 

/// O Brasil é o décimo país no ranking de nascimentos prematuros, com  cerca de 350 mil bebês antes da 37ª semana de gestação, sendo que uns terços dos bebês morrem antes de completar um ano de idade. 

/// Entre as causas da prematuridade apontadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estão gestação na adolescência, falta de cuidado pré-natal, aumento de utilização de métodos de reprodução assistida, entre outras.

Caminhada

/// Criado em 2009, o Dia Mundial da Prematuridade, 17 de novembro, é celebrado em 50 países, com intuito de pensar estratégias para diminuição da taxa de prematuridade no mundo. Hoje, são cerca de 15 milhões de bebês prematuros ao ano no planeta.

///  Para chamar a atenção da sociedade, a ONG Prematuridade.com promove a terceira edição da Caminhada pela Prematuridade em Porto Alegre no próximo domingo, 11 de novembro, no Parque da Redenção. A concentração será às 9h, no Monumento ao Expedicionário. 

/// Para saber mais entre em contato pelo facebook.com/prematuridade ou pelo e-mail contato@prematuridade.com.




 
 
 
 
 
 
 
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