Moradores reclamam da qualidade do sinal de celular no Guajuviras - Diário Gaúcho

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Canoas18/01/2019 | 07h00Atualizada em 18/01/2019 | 07h00

Moradores reclamam da qualidade do sinal de celular no Guajuviras

Alguns acreditam que o problema é causado pelo bloqueador de sinal instalado em penitenciária. Susepe afirma que não.

Moradores reclamam da qualidade do sinal de celular no Guajuviras André Ávila/Agencia RBS
Zaida e Patrícia perdem chamadas de clientes Foto: André Ávila / Agencia RBS

Fazer ligações, checar as mensagens que chegam ou dar aquela olhada nas redes sociais. Essas ações comuns da rotina de quem tem um smartphone estão mais difíceis para os moradores do bairro Guajuviras, em Canoas. A comunidade fica próxima à Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), inaugurada em 2016. O local conta com bloqueadores de sinal telefônico. 

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Porém, a comunidade acredita que o equipamento não atrapalha somente o espaço do complexo. Para os moradores, o sinal do bloqueador vai além. Com isso, para quem mora nos arredores da Pecan, fazer ou receber uma ligação e acessar internet pela rede móvel, por exemplo, virou um sacrifício.

Trabalho

Para quem precisa do telefone para trabalhar, a situação é ainda mais complicada. Donas de um restaurante a pouco mais de cem metros da Pecan, Zaida Lima, 49 anos, e Patrícia Oliveira, 41, convivem diariamente com os problemas causados pela falta de sinal no celular.

– Trabalhamos com telentrega. Então, imagina como é. Tem gente que não consegue nos ligar de jeito nenhum. Quando saio, encontro clientes que relatam ter ligado diversas vezes, mas nem recebemos as chamadas – explica Zaida. 

Durante a visita da reportagem, Zaida tentava realizar uma ligação. Foram cerca de 15 minutos de tentativas até a conexão ser obtida com sucesso. Mesmo assim, na visão de Patrícia, a qualidade das chamadas é ruim:

– A gente quase não entende o que a outra pessoa está falando. Isso quando não fica só um chiado na ligação.

 CANOAS, RS, BRASIL - 2019.01.15 - Bloqueio de sinal no presídio de Canoas, PECAN, afeta moradores da região do Guajuviras. Na foto: Luis Carlos Silva (Foto: ANDRÉ ÁVILA/ Agência RBS)
Trabalho de Luís Carlos acaba prejudicado pela questãoFoto: André Ávila / Agencia RBS

Aplicativos

Motorista de uma empresa de corridas por aplicativo, Luís Carlos Silva, 41 anos, mora perto da Pecan, mas não consegue iniciar a jornada de trabalho de casa. O sinal ruim o impede de aceitar corridas na região.

– Preciso me deslocar para mais longe, até conseguir conectar o sinal 4G e começar a aceitar as corridas – explica Luís.

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Em alguns casos, segundo ele, ao se afastar do local, ele já recebeu chamadas da região e precisa voltar, gerando mais gastos com deslocamento.

– Depende também da operadora ou da conexão das pessoas, já que alguns tem o wi-fi em casa. Hoje mesmo (na terça), saí aqui do entorno e voltei para buscar uma moça que tinha conseguido chamar a corrida – conta.

Para administradora, causa não é esta

Responsável pela administração da Pecan, a Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe) garante que os problemas de sinal telefônico no bairro Guajuviras não são causados pelo bloqueador de sinal da Pecan. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, estudos técnicos feitos antes da instalação deram o aval para colocação do aparelho. “Foram dois anos de avaliações que permitiram a instalação do bloqueador, que só pode ser feita quando se comprova que o bloqueio não afetará áreas além da prisão”, explicou a assessoria.

Representando as operadores de celular do país, o Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviços Móveis Celular e Pessoal (SindiTelebrasil), esclareceu, em nota, que “as empresas de telecomunicação contribuem rotineiramente com as autoridades penitenciárias”. Inclusive, segundo o comunicado, “prestando consultoria técnica para que haja a melhor adequação possível de bloqueadores de sinais”. 

Segundo o SindiTelebrasil, a intenção é sempre tentar “evitar prejuízos aos usuários vizinhos e àqueles que transitem em áreas próximas aos presídios”.

Equipamento é “emissor de ruído” 

O primeiro mito que precisa ser explicado sobre os bloqueadores é o de que eles cortam o sinal do telefone. Não é assim que o aparelho funciona, conforme explica o professor Ugo Silva Dias, do Departamento de Engenharia Elétrica da Universidade de Brasília (UnB). Os bloqueadores são “emissores de ruído”. O que eles fazem é emitir este ruído em uma intensidade maior do que a força do sinal de celular. 

– A pessoa até consegue ligar, mas não ouve. Tem muito chiado, o que impossibilita a comunicação. No caso da internet, a rede móvel é muito mais sensível. Ou seja, para quem não consegue ligar, acessar a internet é ainda pior – compara Ugo.

Segundo o professor, é possível estimar uma área para que o bloqueador atue, mas não há como delimitar exatamente o perímetro. Entretanto, mesmo para estimar a área, o projeto de engenharia deve ser muito bem feito, o que pode custar caro.

– Para não custar tanto, pode se delimitar um pouco a mais, para garantir que vai isolar o presídio. Porém, com o passar do tempo, cresce a vizinhança no entorno do local e acaba gerando este tipo de problema – diz o professor.


 
 
 
 
 
 
 
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